Nas
atividades da noite de 25 de março de 1954, tivemos a visita de vários irmãos
desencarnados, procedentes das Igrejas Reformadas. No encerramento,
dirigindo-se a eles e a nós, manifestou-se o Irmão Álvaro Reis, que foi
eminente pastor no Brasil, cuja palavra focalizou elevado tema evangélico,
destacando a responsabilidade dos espíritas, como detentores das interpretações
mais avançadas do ensinamento de Jesus.
Amigos, que Jesus nos mantenha em seu
amor.
Não sabemos de outra felicidade maior que
a vossa, porque ainda na carne sois preparados para a senda do Espírito, de
maneira a que não vos desvieis do roteiro de luz.
O Espiritismo funciona em vossas
experiências como intérprete das lições divinas, oferecendo soluções simples
aos problemas complicados, satisfazendo indagações e decifrando enigmas, ao
clarão da fé sem artifícios, capaz de guindar-vos às eminências do trabalho com
o Senhor, sem a contenção muita vez abusiva de autoridades humanas, estranhas
à vocação do Evangelho, e que, ao invés de vos garantirem a escalada, talvez
até vos tolhessem o direito de aprender, servir e experimentar.
Entretanto,
crede que muito maior é a responsabilidade que vos pesa nos ombros, porqüanto
o nosso irmão católico romano, em transpondo o limiar do túmulo, poderá
referir-se às pelas mentais a que foi escravizado no culto externo, e o
companheiro da Igreja Reformada alegará com justiça o insulamnento a que foi
constrangido na clausura da letra.
Vós,
porém, avançais a céu escampo, guardando conhecimentos evangélicos mais
suscetíveis de plena identificação com a Verdade, nutrindo-vos, desde agora,
com os frutos sazonados da vida eterna.
A
concepção real da justiça vos favorece mais clara visão do Universo e sabeis
como ninguém que o Paraíso deve ser edificado gradativamente em nós mesmos,
todos os dias.
Egressos
da Igreja Reformada, lastimamos a impossibilidade de retroação no tempo, para
reestruturar a conceituação do Testamento Divino e buscar, como acontece
convosco, o supremo consolo da fé ajustada aos fundamentos simples da vida,
sem o férreo arcabouço das convenções humanas.
Desejávamos
para nós mesmos o trato espontâneo e puro com a fonte viva da Boa-Nova, a fim
de nos habilitarmos às revelações maiores, pela regeneração de nossos
próprios preceitos.
Ainda
assim, não obstante os prejuízos do passado, rejubilamo-nos com a formação da
vanguarda espírita-cristã, valoroso e pacífico exército de almas fervorosas
que, pelos méritos da oração e do arrependimento, da boa-vontade e do serviço
aos semelhantes, vem construindo no mundo precioso trilho de acesso a comunhão
com Jesus.
Regozijamo-nos,
como quem sabe que a fortuna do vizinho é também a nossa fortuna, e, se é
possível deixar-vos uma lembrança amiga, em sinal de contentamento pelo
primeiro contacto convosco, ofertamos aos vossos corações a palavra do Mestre
Divino, nas anotações do Apóstolo Mateus, no capítulo 6, versículo 33, quando o
Celeste Amigo nos adverte:
—
«Buscai, acima de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas
ser-vos-ão acrescentadas.»
Recuando
ao tempo de sua palavra direta, recordemos que a multidão perguntava sobre o
comer, o beber, e o agasalhar-se...
Essas
coisas, porém, cresceram com a civilização.
Não
apenas pão do corpo, mas pão do espírito em forma de educação e paz.
Não
apenas beber água, na ordem material, mas sorver o idealismo santificante de
que o Mestre mesmo foi o excelso portador.
Não
apenas o agasalhar-se com as vestes corruptíveis que cobrem o corpo denso, mas
o abrigar-se cada um de nós na alegria da consciência reta, para que o coração
unido ao Cristo respire na inexpugnável cidadela do dever respeitado.
A
significação dessa trilogia de verbos tão rotineiros no mundo é, hoje, como
vemos, mais complexa.
Precisamos
dessas coisas...
Essas
coisas, que podemos também simbolizar como harmonia interior, tranqüilidade
doméstica, equilíbrio na vida pública e privada, compreensão para com os amigos,
tolerância para com os adversários, dignidade nas provações e força para
ultrapassar as nossas próprias fraquezas, são necessidades prementes que não
podemos olvidar.
Mas para
que essas coisas sejam acrescentadas à nossa vida, é indispensável procuremos o
Reino de Deus e sua justiça, que expressam felicidade com merecimento.
Façamos o
melhor, sentindo, pensando e falando o melhor que pudermos.
Honrando
o Reino de Deus e sua justiça, o nosso Divino Mestre passou na Terra em
permanente doação de Si mesmo...
Eis o padrão que nos deve inspirar as atividades, porque não nos bastará
crer acertadamente e ensinar com brilho, mas, acima de tudo, viver as lições.
O Reino de Deus inclui todos os bens
materiais e morais, capazes de serem incorporados ao nosso espírito, seja onde
for, no entanto, importa merecê-lo por justiça e não apenas desejá-lo pela fé.
Amigos, temos agora conosco o programa
certo. Atendamo-lo.
E que o Senhor nos reúna em valioso
entendimento, para a obra de cooperação no Evangelho que nos cabe executar, é
tudo o a que aspiramos de melhor para que o serviço do bem nos conduza ao
Grande Bem com que nos acena o futuro.
Álvaro Reis
Livro: Instruções Psicofônicas
Chico Xavier/Espíritos Diversos