Apesar das rudes refregas da luta, não te deixes abater.
Sob o peso de indescritíveis aflições, não te guardes à sombra do desalento,
Mesmo que os caminhos estejam refertos de dificuldades, não estaciones
desanimado na jornada empreendida.
Aprende com a natureza: a terra sacudida pelo desvario dos ventos renova-se,
cessada a tormenta; o solo encharcado retoma a verdura e o arvoredo esfacelado
cobre-se, novamente, de flores.
Em toda parte a vida se renova incessantemente, sob o látego das aflições,
convidando-te a imitar-lhe o exemplo.
Não permitas, assim, que o pessimismo, esse conselheiro soez,
balbucie aos teus ouvidos expressões de desencanto junto às tarefas elegidas.
Recorda Jesus, abandonado, traído, em extrema solidão, plantando sozinho
a espada luminosa do dever, desde então transformada em marco de luz para a
humanidade inteira.
Não te meças por aqueles que tombaram, deixando-te empolgar pelas deficiências
deles.
A terra não se sente desrespeitada com o cadáver que lhe macule o solo.
Recebe a dádiva da decomposição celular como bênção e transforma os tecidos
apodrecidos em energias novas que são preciosas a Outras vidas.
Se o companheiro ao teu lado cair, porque te desalentares? Encoraja-te
e reflete que, apesar do fracasso dele, necessitas chegar ao fim.
Não te intimides com o insucesso alheio. A correnteza não cessa o
curso porque a lama se encontra à frente: atravessa as camadas da dificuldade e
surge, novamente límpida, adiante para abraçar o mar que a aguarda ao longe.
Se o amigo não teve a felicidade de manter o padrão de equilíbrio
que se fazia necessário, na tarefa empreendida, conduze a mensagem que ele não pode
levar aos angustiados que te esperam, ansiosos, à frente.
Fita a face dos triunfadores e deixa-te estimular pelo exemplo
deles.
O caminho do Calvário é a história de uma grande solidão e toda a
Boa Nova é um hino de fidelidade ao dever.
O Mestre nem sequer repreendeu Judas, ou censurou Pedro, ou doou taça
de fel a Tomé, em dúvida. Fez-se o atestado vivo e imortal do Pai, transformando-se
em caminho para todos os arrependidos que o desejem seguir.
Na Boa Nova, a queda de cada discípulo é uma advertência para a vigilância
dos que vêm depois; a deserção do aprendiz representa um convite à perseverança
dos novos candidatos à escola universal do amor.
Robustece o ânimo, amigo do Cristo, fita o sol generoso a repetir
sem cansaço a mensagem da alvorada diariamente, e segue fiel, de fronte erguida
e coração içado ao bem, mantendo a tua comunhão com o Mestre nos deveres que te
competem, certo de que não seguirás sozinho.
Livro: Leis Morais da
Vida – cap. 35
Divaldo Franco/Joanna de
Ângelis
Francisco Renouças
