739. Têm os flagelos
destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que
ocasionam?
“Têm. Muitas
vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta
só as gerações vindouras o experimentam.”
740. Não serão os
flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as
mais aflitivas necessidades?
“Os flagelos são provas que dão ao
homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e
resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar
seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de
amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”
741. Dado é ao homem
conjurar os flagelos que o afligem?
“Em parte, é; não, porém, como
geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À
medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar,
isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo,
entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão
nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o
contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à
vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência.”
Na primeira linha dos flagelos
destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às
produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas
obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas
irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando
menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por
terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu
bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua
inteligência e quando aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o
sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes?
Fonte: O Livro dos Espíritos –
FEB. 76ª edição.
