Solidarity Spiritist Societ

sábado, 28 de março de 2020

ESTATÍSTICA DO ESPIRITISMO.


Divido esta interessante matéria em duas partes - hoje lanço a primeira .
Um recenseamento exato dos espíritas seria coisa impossível, como já dissemos, por uma razão muito simples, que é que o Espiritismo não é nem uma associação, nem uma congregação; seus adeptos não são inscritos em nenhum registro oficial. É muito bem reconhecido que se lhe poderia avaliar a quantidade pelo número e a importância das sociedades, frequentadas somente por uma ínfima minoria. O Espiritismo é uma opinião que não exige nenhuma profissão de fé, e pode espalhar no todo ou em parte os princípios da Doutrina. Basta simpatizar com a idéia para ser espírita; ora, esta qualidade não sendo conferida por nenhum ato material, e não implicando senão obrigações morais, não existe nenhuma base fixa para determinar o número dos adeptos com precisão. Não se pode estimá-lo senão de maneira aproximada pelas relações e pela maior ou menor facilidade com a qual a ideia se propaga. Esse número aumenta cada dia numa proporção considerável: é um fato positivo reconhecido pelos próprios adversários; a oposição diminui, prova evidente de que a idéia encontra mais numerosas simpatias.
Compreende-se, aliás, que não é senão pelo conjunto, e não sobre o estado das localidades consideradas isoladamente, que se pode basear uma apreciação; há, em cada localidade, elementos mais ou menos favoráveis em razão do estado particular dos espíritos e também das resistências mais ou menos influentes que ali se exercem; mas esse estado é variável, porque tal localidade que se mostrou refratária durante vários anos, de repente torna-se um foco. Quando os elementos de apreciação tiverem adquirido mais precisão, será possível fazer um mapa colorido, sob o aspecto da difusão das idéias espíritas, como é feito para a instrução. À espera, pode-se afirmar, sem exagero, que, em suma os números dos adeptos centuplicou há dez anos, apesar das manobras empregadas para abafar a idéia, e contrariamente às previsões de todos aqueles que estavam se gabando de tê-lo enterrado. Este é um fato adquirido, e do qual é preciso bem que os antagonistas tomem seu partido.
Não falamos aqui senão daqueles que aceitam o Espiritismo com conhecimento de causa, depois de o terem estudado, e não daqueles, bem mais numerosos ainda, nos quais essas idéias estão no estado de intuição, e aos quais não falta senão poder definir suas crenças com mais precisão e de lhe dar um nome para serem espíritas confessos. É um fato bem averiguado, que se constata cada dia, há algum tempo sobretudo, que as idéias espíritas parecem inatas numa multidão de indivíduos que jamais ouviu falar de Espiritismo; não se pode dizer que tenham sofrido uma influência qualquer, nem seguido o impulso de uma associação. Que os adversários expliquem, se o podem, esses pensamentos que nascem fora e ao lado do Espiritismo! Não seria certamente um sistema preconcebido no cérebro de um homem que teria produzido um tal resultado; não há prova mais evidente de que essas idéias estão na Natureza, nem de melhor garantia de sua vulgarização no futuro e de sua perpetuidade. Deste ponto de vista pode-se dizer que os três quartos, pelo menos, da população de todos os países possuem o germe das crenças espíritas, uma vez que se as encontra naqueles mesmos que lhe fazem oposição. A oposição, na maior parte, vem da idéia falsa que se fazem do Espiritismo; não o conhecendo, em geral, senão pelos ridículos quadros que dele fez a crítica malevolente ou interessada em denegri-lo, recusam com razão a qualidade de espíritas.
Certamente, se o Espiritismo se parecesse às pinturas grotescas que dele têm feito, se se compusesse de crenças e de práticas absurdas que lhe quiseram emprestar, seríamos o primeiro a repudiar o título de espírita. Quando, pois, essas mesmas pessoas souberem que a Doutrina não é outra senão a coordenação e o desenvolvimento de suas próprias aspirações e de seus pensamentos íntimos, elas o aceitarão; incontestavelmente, são futuros espíritas, mas, à espera, não os compreendemos nas avaliações.
Se uma estatística numérica é impossível, há uma outra, talvez mais instrutiva, e pela qual existem os elementos que nos são fornecidos em nossas relações e em nossa correspondência; é a proporção relativa dos Espíritas segundo as profissões, as posições sociais, as nacionalidades, as crenças religiosas, etc., levando em conta que desta circunstância que profissões, como os oficiais ministeriais, por exemplo, são em número limitado, ao passo que outras, como os industriais e os capitalistas, são em número indefinido. Toda proporção guardada, podem-se ver quais são as categorias onde o Espiritismo encontrou, até este dia, mais adeptos. Em algumas, a proporção pôde ser estabelecida a tanto por cento com bastante precisão, sem pretender, todavia, que ela o seja com rigor matemático; as outras categorias foram simplesmente classificadas em razão do número de adeptos que elas nos forneceram, começando por aquelas que deles contam mais, e cuja correspondência e as listas de assinatura da Revista podem dar os elementos. O quadro adiante é o resultado do levantamento de mais de dez mil observações.
Constatamos o fato, sem procurar nem discutir a causa dessa diferença, o que poderia, no entanto, ensejar o assunto de um estudo interessante.

Fonte: Revista Espírita - Janeiro 1869.