Poder
da fé
2.No sentido próprio, é certo que a confiança nas suas
próprias forças toma o homem capaz de executar coisas materiais, que não
consegue fazer quem duvida de si. Aqui porém unicamente no sentido moral se
devem entender essas palavras. As montanhas que a fé desloca são as
dificuldades, as resistências, a má-vontade, em suma, com que se depara da
parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas. Os preconceitos da
rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo e as paixões
orgulhosas são outras tantas montanhas que barram o caminho a quem trabalha
pelo progresso da Humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos
que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas, que nas grandes.
Da fé vacilante resultam a incerteza e a hesitação de que se aproveitam os
adversários que se têm de combater; essa fé não procura os meios de vencer,
porque não acredita que possa vencer.
3. Noutra acepção, entende-se como fé a confiança que se tem
na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma
espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer
alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por
assim dizer, com absoluta segurança. Num como noutro caso, pode ela dar lugar a
que se executem grandes coisas.
A fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a
paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e
na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado. A fé
vacilante sente a sua própria fraqueza; quando a estimula o interesse, toma-se
furibunda e julga suprir, com a violência, a força que lhe falece. A calma na
luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário,
denota fraqueza e dúvida de si mesmo.
4. Cumpre não confundir a fé com a presunção. A verdadeira
fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus
do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina,
nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.
A presunção é menos fé do que orgulho, e o orgulho é sempre castigado, cedo ou
tarde, pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.
5. O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na
ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente
universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer
irresistível. Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal
junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar
esses singulares fenômenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios,
mas que
não passam de efeito de uma lei natural. Tal o motivo por
que Jesus disse a seus apóstolos: se não o curastes, foi porque não tínheis fé.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo
CAPÍTULO
XIX - A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS
