Solidarity Spiritist Societ

quinta-feira, 12 de março de 2020

Atendimento Fraterno

PREFÁCIO
Terapia do amor
          As patologias da alma — violência, ódio, ciúme, res­sentimento, amargura, suspeita, insatisfação, dentre ou­tras muitas — respondem por incontáveis aflições que atur­dem o ser humano.
          Alma encarnada, nela se encontram as matrizes do bem como do mal em que se compraz, dando campo ao seu desenvolvimento.
       Como efeito, as alegrias e as dores que se exteriori­zam somente podem ser erradicadas quando trabalhadas nas suas raízes causais.
     Interpenetrando todas as células e assenhoreando-se dos equipamentos orgânicos, que passa a comandar, a alma ou Espírito encarnado imprime nos elementos físicos os conteúdos vibratórios que lhe são peculiares, caracterís­ticos do seu estágio de evolução.
        Os sofrimentos humanos de qualquer tipo são mani­festações dos distúrbios profundos que remanescem no ser espiritual, desarticulando os sensores emocionais e a harmonia vibratória que vige nas células, o que faculta a instalação das enfermidades.
          O ser humano é, em qualquer situação, aquilo a que aspira, a irradiação do que sente, os interesses que culti­va.
    Aferrado à conduta primitiva, reagindo mais por ins­tinto do que agindo pela razão, permite que as deficiênci­as internas se expressem em forma de problemas que se exteriorizam perturbadores.
O valioso contributo da Medicina acadêmica, quan­do não acompanhado por um bom relacionamento médi­co-paciente, resulta incompleto para atingir as causas excruciantes das doenças e angústias.
Certamente, na maioria das vezes, minora a dor, apa­rentemente vencendo-a; mas, porque não alcança a alma enferma, eis que ela reaparece sob outras expressões, pro­duzindo sofrimentos.
O conhecimento do ser imortal, da sua preexistên­cia ao berço e sobrevivência ao túmulo, torna-se indis­pensável para qualquer cometimento terapêutico em re­lação aos problemas e dores humanos.
Por isso mesmo, a terapia do amor é de vital impor­tância, envolvendo o paciente em confiança e ternura, ao mesmo tempo esclarecendo-o quanto à sua realidade e constituição espiritual.

O atendimento fraterno tem como objetivo primaci­al receber bem e orientar com segurança todos aqueles que o buscam.
Não se propõe a resolver os desafios nem as dificul­dades, eliminar as doenças nem os sofrimentos, mas pro­por ao cliente os meios hábeis para a própria recupera­ção.
Apoiando-se nos postulados espíritas, o atendimen­to fraterno abre perspectivas novas e projeta luz naqueles que se debatem nos dédalos das aflições.
Mediante conversação agradável, evitando-se atitu­des de confessionário, o atendente fraternal deve saber desviar os temas que incidem nos vícios da queixa, da lamentação, da autopunição, demonstrando que o momen­to de libertação e paz está chegando, mas a ação para o êxito depende do próprio paciente, que deve iniciar, a partir desse momento, o processo de autoterapia.
Concomitantemente, o atendimento fraterno, em ra­zão dos propósitos que persegue e das circunstâncias em que ocorre, faculta aos Espíritos nobres adequado socor­ro ao cliente, que deverá permanecer receptivo ao mes­mo.
Nessa ocasião, tem início a ação fluídica, o auxílio bio-energético, a inspiração, que lhe propiciarão a mu­dança de clima mental, de psicosfera habitual, facultan­do-lhe a transformação interior para melhor e a rearmo­nização da alma que interagirá na aparelhagem orgânica.
Preparar-se bem, psicológica e doutrinariamente, faz-se imprescindível para o desempenho correto do mister a que o atendente fraterno deseja dedicar-se.
Ao lado desses requisitos cabe-lhe desenvolver o sentimento de amor, embora vigiando-se para evitar qual­quer tipo de envolvimento emocional, jamais esquecen­do a fraternidade gentil e caridosa como recurso hábil para a desincumbência da tarefa a que se propõe.
O atendimento fraterno na Casa Espírita é de vital importância, para que todo aquele que lhe busque a aju­da, seja orientado com equilíbrio, guiando-o para o labor de auto-iluminação.
Encontramos, neste livro, diretrizes sábias e cuida­dosamente estabelecidas para um correto desempenho da atividade fraternal no atendimento aos necessitados e des­conhecedores da Doutrina Espírita, oferecendo-lhes apoio e esclarecimentos lúcidos para o autodescobrimento, a autolibertação.
Confiamos que esta contribuição dos companheiros estudiosos que constituem o Projeto Manoel Philomeno de Miranda, atinja a finalidade a que se destina, auxilian­do aos trabalhadores sinceros do Movimento Espírita, que se candidatam a ajudar, na Instituição onde mourejam.

ATENDIMENTO FRATERNO
PSICOGRAFADO POR DIVALDO PEREIRA FRANCO

DITADO PELO ESPÍRITO MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA.

Salvador, 15 de dezembro de 1997
Joanna de Ângelis

Francisco Rebouças