Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 31 de março de 2020

Jesus. Inconfundível, incomparável!


Superioridade da Natureza de Jesus

1. – “Os fatos que o Evangelho relata e que foram até hoje considerados milagrosos pertencem, na sua maioria, à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma. Confrontando-os com os que ficaram descritos e explicados no capítulo precedente, reconhecer-se-á sem dificuldade que há entre eles identidade de causa e de efeito. A História registra outros análogos, em todos os tempos e no seio de todos os povos, pela razão de que, desde que há almas encarnadas e desencarnadas, os mesmos efeitos forçosamente se produziram. Pode-se, é certo, contestar, no que concerne a este ponto, a veracidade da História; mas, hoje, eles se produzem às nossas vistas e, por assim dizer, à vontade e por indivíduos que nada têm de excepcionais. O só fato da reprodução de um fenômeno, em condições idênticas, basta para provar que ele é possível e se acha submetido a uma lei, não sendo, portanto, miraculoso.
O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como já vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constituí o agente magnético; nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos estes elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se, como conseqüência, de admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural.
2. - Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino.
Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, nº 9). Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.
Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.
A Gênese, FEB 36ª Edição, Cap. XV.

Francisco Rebouças

segunda-feira, 30 de março de 2020

ANTE AS CRISES DO MUNDO

TemaComportamento individual perante as crises da sociedade humana.
As crises, as dificuldades, os desregramentos do mundo!...
De modo habitual, referimo-nos às provações terrestres, mormente nas épocas de transição, como se nos regozijássemos em ser folha inerte nas convulsões da torrente.
Em verdade, o mundo se encontra em renovação incessante, qual sucede a nós próprios, e, nas horas de transformações essenciais, é compreensível que a Terra pareça uma casa em reforma, temporariamente atormentada pela transposição de linhas e reajustamento de valores tradicionais. Tudo em reexame, a fim de que se revalidem os recursos autênticos da civilização, escoimados da ganga dos falsos conceitos de progresso, dos quais a vida se despoja para seguir adiante, mais livre e mais simples, conquanto mais responsável e mais culta.
Natural que a existência em si mesma, nessas ocasiões, se nos afigure como sendo um painel torturado de paixões à solta.
Costumamos olvidar, porém, que o mundo é o mundo e nós somos nós.
Entre o passageiro e o comboio que o transporta, há singulares e inconfundíveis diferenças. Se o veículo ameaça desastre, é possível que o viajante, dentro dele, se converta em ponto de calma, irradiando reequilíbrio.
Assim também, no Planeta. Somos todos capazes de fazer cessar em nós qualquer indução à indisciplina ou à desordem. Cada qual pode assumir as rédeas do comando íntimo e estabelecer com a própria consciência o encardo de calafetar com a bênção do serviço e da prece todas as brechas da alma, de modo a impedir a invasão da sombra no barco de nossos interesses espirituais, preservando-nos contra o mergulho no caos, tanto quanto auxiliando aqueles que renteiam conosco na viagem de evolução e de elevação.
Faze-te, pois, onde estiveres, um ponto assim de tranqüilidade e socorro.
O deserto é, por vezes, imenso; no entanto, bastam algumas fontes isoladas entre si para garantirem a jornada segura através dele. Na ausência do Sol, uma vela consegue acender milhares de outras, removendo o assédio da escuridão.
Que o mundo se encontra em conflitos dolorosos, à maneira de cadinho gigantesco em ebulição para depurar os valores humanos, é mais que razoável, é necessário. Entretanto, acima de tudo, importa considerar que devemos ser, não obstante as nossas imperfeições, um ponto de luz nas trevas, em que a inspiração do Senhor possa brilhar.

Livro: Encontro Marcado
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

Estudando a doutrina espírita - L.M.

51. Eis aqui a resposta que, sobre este assunto, deu um Espírito:
"O que uns chamam perispírito não é senão o que outros chamam envoltório material fluídico. Direi, de modo mais lógico, para me fazer compreendido, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e das idéias. Falo aqui dos Espíritos elevados. Quanto aos Espíritos inferiores, os fluidos terrestres ainda lhes são  de todo inerentes; logo, são, como vedes, matéria. Daí os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que os Espíritos superiores não podem experimentar, visto que os fluidos terrestres se acham depurados em torno do pensamento, isto é, da alma. Esta, para progredir, necessita sempre de um agente; sem agente, ela nada é, para vós, ou, melhor, não a podeis conceber. O perispírito, para nós outros Espíritos errantes, é o agente por meio do qual nos comunicamos convosco, quer indiretamente, pelo vosso corpo ou pelo vosso perispírito, quer diretamente, pela vossa alma; donde, infinitas modalidades de médiuns e de comunicações.
"Agora o ponto de vista científico, ou seja: a essência mesma do perispírito. Isso é outra questão. Compreendei primeiro moralmente. Resta apenas uma discussão sobre a natureza dos fluidos, coisa por ora inexplicável. A ciência ainda não sabe bastante, porém lá chegará, se quiser caminhar com o Espiritismo. O perispírito pode variar e mudar ao infinito. A alma é o pensamento: não muda de natureza. Não vades mais longe, por este lado; trata-se de um ponto que não pode ser explicado. Supondes que, como vós, também eu não perquiro? Vós pesquisais o perispírito; nós outros, agora, pesquisamos a alma. Esperai, pois." L-amennais.
Assim, Espíritos, que podemos considerar adiantados, ainda não conseguiram sondar a natureza da alma. Como poderíamos nós fazê-lo? E, portanto, perder tempo querer perscrutar o principio das coisas que, como foi dito em O Livro dos Espíritos (ns. 17 e 49), está nos segredos de Deus. Pretender esquadrinhar, com o auxílio do Espiritismo, o que escapa à alçada da humanidade, é desviá-lo do seu verdadeiro
objetivo, é fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. Aplique o homem o Espiritismo em aperfeiçoar-se moralmente, eis o essencial. O mais não passa de curiosidade estéril e muitas vezes orgulhosa, cuja satisfação não o faria adiantar um passo. O único meio de nos adiantarmos consiste em nos tornarmos melhores. Os Espíritos que ditaram o livro que lhes traz o nome demonstraram a sua sabedoria, mantendo-se, pelo que concerne ao princípio das coisas, dentro dos limites que Deus não permite sejam ultrapassados e deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais sedutoras do que sólidas, e que um dia virão a cair, ante a razão, como tantas outras surgidas dos cérebros humanos. Eles, ao justo, só disseram o que era preciso para que o homem compreendesse o futuro que o aguarda e para, por essa maneira, animá-lo à prática do bem. (Vede, aqui, adiante, na 2ª parte, o cap. 1º: Da ação dos Espíritos sobre a matéria.)

Fonte: O Livro do Médiuns – Cap. IV, dos Sistemas.


Francisco Rebouças

domingo, 29 de março de 2020

A Oração


(...) – O lar – disse – não é somente a moradia dos corpos, mas, acima de tudo, a residência das almas. O santuário doméstico que encontre criaturas amantes da oração e dos sentimentos elevados, converte-se em campo sublime das mais belas florações e colheitas espirituais.

... – Não tenha dúvida – prosseguiu o orientador –, a oração é o mais eficiente antídoto do vampirismo. A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação.
Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contacto com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.

... Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da Divindade. (...)

Fonte: Livro Missionários da Luz – Cap. 6 A Oração.
Chico Xavier/André Luiz


Francisco Rebouças

O Dogmatismo e a fé Raciocinada

O dogmatismo milenar vem mantendo a relação entre a fé e a razão algo no mínimo curioso, visto que ter fé deveria significar: crer, acreditar, saber, confiar etc., em algo que se pudesse pelo menos encontrar argumentos que os justificassem a luz de uma análise mais profunda, e não, como a grande maioria de seus seguidores demonstra, aceitando sem qualquer cuidado em verificar se essa fé se fundamenta em algo aceitável por qualquer inteligência mediana, visto que para se crer em alguma coisa, é necessário que se acredite na existência dessa coisa.
A fé que o Espiritismo nos prega está fundamentada no trabalho grandioso de estudo e pesquisa, empreendido na confecção dos postulados nos quais se fundamenta a Codificação Espírita, nascida da observação dos fatos, da análise minuciosa de cada situação acontecida, observada, comparada e conferida à luz da razão, em seus mínimos detalhes, pelo insigne codificador através do raciocínio e sob a orientação dos Espíritos Superiores, constituindo-se, por isso mesmo, em argumentos tão lógicos que nos levaram a desenvolver a fé que hoje denominamos de “Fé raciocinada”.
“… A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma. Ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.
Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do fim que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. – José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.) (1)
Isso significa dizer que, não devemos apenas aceitar seus argumentos, seus estudos e pesquisas sem nos determos em uma análise sob nossa própria ótica, utilizando a bênção da inteligência de que somos portadores. Chama-nos a atenção afirmando que: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”. (2)
A própria Doutrina Espírita esclarece que não devemos, simplesmente, aceitar os conceitos contidos na codificação sem uma análise fria e detalhada do que ela contém, dando-nos o direito até mesmo de ter nossas próprias dúvidas, pois é ela antes de tudo democrática, não é imposta a quem quer que seja, pois entende que muitas das coisas que não aceitamos hoje, por absoluto desconhecimento, amanhã tornar-se-á algo, perfeitamente, aceitável, em vista das descobertas da ciência, no desenvolvimento de outros mecanismos hoje desconhecidos.
Entendemos que é da saudável discussão que nascem as respostas mais próximas da verdade; no trocar de experiências, contribuindo cada qual com a fração de seus conhecimentos, contribuindo para uma melhor compreensão dos fatos por todos os seus participantes, pois não somos conhecedores de todas as áreas da ciência e sim, da área em que nos especializamos mais particularmente ou que exercemos nossas atividades profissionais etc.
Nós, Cristãos Espíritas, não podemos afastar por motivo algum, sob nenhum pretexto a faculdade de dialogar, não somente entre os seguidores da filosofia que abraçamos, mas, também com todos os nossos irmãos em humanidade, detentores de conhecimento da área filosófica ou científica, buscando constantemente o aperfeiçoamento a renovação o aprimoramento e a atualização de nossos conhecimentos, ampliando nossa visão do todo sem nos fechar na pretensão de sermos os únicos donos da verdade, para não repetir os erros de tantos quantos se enclausuraram na vaidade do saber tudo, tomando por base unicamente os dogmas aceitos pela fé cega de outrora.
Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 11;
(2) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 7.
Francisco Rebouças

AMBIENTE CASEIRO

A casa não é apenas um refúgio de madeira ou alvenaria, é o lar onde a união e o companheirismo se desenvolvem.
A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando na condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelos menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos.
Respeite a higiene, mas não transfigure a limpeza em assunto de obsessão.
Enfeite o seu lar com os recursos da gentileza e do bom-humor.
Colabore no trabalho caseiro, tanto quanto possível.
Sem organização de horário e previsão de tarefas, é impossível conservar a ordem e a tranqüilidade dentro de casa.
Recorde que você precisa tanto de seus parentes quanto seus parentes precisam de você.
Os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar.

Livro: Sinal Verde
Chico Xavier/André Luiz

Francisco Rebouças

ESTATÍSTICA DO ESPIRITISMO.

Segunda parte da matéria.

PROPORÇÃO RELATIVA DOS ESPÍRITAS.

I. Sob o aspecto das nacionalidades. - Não existe, por assim dizer, nenhum país civilizado da Europa e da América onde não haja espíritas. Aquele em que são mais numerosos, são os Estados Unidos da América do Norte. Ali seu número é avaliado, por uns, em quatro milhões, o que já é muito, e, por outros, em dez milhões. Esta última cifra é evidentemente exagerada, porque compreenderia mais de um terço da população, o que não é provável. Na Europa, essa cifra pode ser avaliada em um milhão, no qual a França figura com mais ou menos seiscentos mil. Pode se estimar o número de espíritas do mundo inteiro em seis a sete milhões. Quando não fosse senão a metade, a história não oferece nenhum exemplo de uma doutrina que, em menos de quinze anos, tenha reunido um semelhante número de adeptos, disseminados sobre toda a superfície do globo. Se nisso se compreendessem os espíritas inconscientes, quer dizer, aqueles que não o são senão por intuição, e se tornarão mais tarde espíritas de fato, somente na França, poder-se-iam contá-los vários milhões.
Do ponto de vista da difusão de idéias espíritas, e da facilidade com que são aceitas, os principais Estados da Europa podem ser assim classificados como se segue:
1 ° França. - 2° Itália. - 3° Espanha. -4° Rússia. - 5° Alemanha. -6° Bélgica. -7° Inglaterra. -8°- Suécia e Dinamarca. -9° Grécia. -10° Suíça.
II. Sob o aspecto do sexo; sobre 100: homens, 70; -mulheres, 30.
III. Sob o aspecto da idade', de 30 a 70 anos, máximo; - de 20 a 30 anos, número médio; - de 70 a 80, mínimo.
IV. Sob o aspecto da instrução. O grau de instrução é muito fácil de apreciar pela correspondência; sobre 100: instrução cuidada, 30; -simples letrados, 30; - instrução superior, 20; - meio letrados, 10; -iletrados, 6; - sábios oficiais, 4.
V. Sob o aspecto das idéias religiosas; sobre 100: católicos romanos, livres pensadores, não apegados ao dogma, 50; - católicos gregos, 15;-judeus, 10; protestantes liberais, 10; católicos apegados aos dogmas, 10; - protestantes ortodoxos, 3; - muçulmanos 2.
VI. Sob o aspecto da fortuna; sobre 100: mediocridade, 60; -fortunas médias: 20; - indigêncía, 15; - grandes fortunas, 5.
VII. Sob o aspecto do estado moral, abstração feita da fortuna, sobre 100: aflitos, 60; - sem inquietação, 30; - felizes do mundo, 10; -sensualistas, 0.
VIII. Sob o aspecto da classe social. Sem poder estabelecer nenhuma proporção nesta categoria, é notório que o Espiritismo conta entre seus adeptos: vários soberanos e príncipes reinantes; membros de famílias soberanas, e um grande número de personagens titulados.
Em geral, é nas classes médias que o Espiritismo conta mais adeptos; na Rússia, é quase que exclusivamente na nobreza e a alta aristocracia; foi na França que se propagou mais na pequena burguesia e na classe operária.
IX. Estado militar, segundo o grau: 1° tenentes e sub-tenentes; - 2° sub-oficiais; - 3° capitães; - 4° coronéis; - 5° médicos e cirurgiões; - 6° generais; - 7° guardas municipais; - 8° soldados da guarda; - 9° soldados da linha.
Nota. Os tenentes e sub-tenentes espíritas estão quase todos em atividade de serviço; entre os capitães, os há em torno da metade em atividade, e a outra metade aposentada; os coronéis, médicos, cirurgiões e generais aposentados estão em maioria.
X. Marinha; 1 ° marinha militar; - 2° marinha mercante.
XI. Profissões liberais e funções diversas. Nós os agrupamos em dez categorias, classificadas segundo a proporção dos adeptos que elas forneceram ao Espiritismo.
1° Médicos homeopatas. - Magnetistas (1). (1) A palavra magnetizador revela uma idéia de ação; a de magnetista uma idéia de adesão. O magnetizador é aquele que exerce por profissão ou outro modo; pode-se ser magnetista sem ser magnetizador. Dir-se-á: um magnetizador experimentado, e um magnetista convicto.
2° Engenheiros. - Professores primários; senhores e senhoras de pensão. - Professores livres.
3° Cônsul. - Padres católicos.
4° Pequenos empregados. - Músicos. -Artistas líricos. -Artistas dramáticos.
5° Porteiros. - Comissários de polícia.
6° Médicos alopatas. - Homens de letras. - Estudantes.
7° Magistrados. -Altos funcionários. - Professores oficiais e dos liceus. – Pastores protestantes.
8° Jornalistas. - Artistas pintores. - Arquitetos. - Cirurgiões.
9° Notários. -Advogados. –Procuradores judiciais.-Agentes de negócios.
10° Agentes de câmbio. - Banqueiros.
XII. Profissões industriais, manuais e comerciais, igualmente agrupadas em dez categorias.
1 ° Alfaiates. - Costureiras. 2° Mecânicos. - Empregados de estradas de ferro. 3° Operários tecelões. - Pequenos negociantes - porteiros. 4° Farmacêuticos. - Fotógrafos. - Relojoeiros. - Viajantes de comércio.
5° Agricultores. - Sapateiros.
6° Padeiros. - Açougueiros. - Salsicheiros.
7° Marceneiros.-Opera rios tipógrafos.
8° Grandes industriais e chefes de estabelecimentos.
9° Livreiros. - Impressores.
10° Pintores de edifícios. - Pedreiros. - Serralheiros. - Merceeiros. - Domésticos.
Deste levantamento, resultam as conseqüências seguintes:
1° Que há espíritas em todos os graus da escala social;
2° Que há mais homens do que mulheres espíritas. É certo que, nas famílias divididas pela crença com respeito ao Espiritismo, há mais maridos contrariados pela oposição de suas mulheres do que mulheres pela de seus maridos. Não é menos constante que, em todas as reuniões espíritas, os homens estão em maioria.
É, pois, erradamente que a critica pretendeu que a Doutrina é recrutada principalmente entre as mulheres por causa de sua tendência ao maravilhoso. Ao contrário, é precisamente essa tendência ao maravilhoso e ao misticismo que as torna, em geral, mais refratárias do que os homens; essa predisposição fá-las aceitarem mais facilmente a fé cega que dispensa todo exame, ao passo que o Espiritismo, não admitindo senão a fé raciocinada, exige a reflexão e a dedução filosófica para ser bem compreendido, e ao que a educação estreita dada às mulheres, as torna menos aptas do que os homens. Aqueles que sacodem o jugo imposto à sua razão e ao seu desenvolvimento intelectual, freqüentemente, caem num excesso contrário; elas se tornam o que elas chamam as mulheres fortes, e são de uma incredulidade mais tenaz;
3° Que a grande maioria dos espíritas se encontra entre as pessoas esclarecidas e não entre as ignorantes. Por toda a parte o Espiritismo se propagou de alto o baixo da escala social, e em nenhuma parte desenvolveu-se em primeiro lugar nas classes inferiores;
4° Que a aflição e a infelicidade predispõe às crenças espíritas, em conseqüência das consolações que elas proporcionam. É a razão pela qual, na maioria das categorias, a proporção dos espíritas está em razão da inferioridade hierárquica, porque é ali que há mais necessidades e sofrimentos, ao passo que os titulares das posições superiores pertencem, em geral, à classe dos satisfeitos; é preciso deles excetuar o estado militar onde os simples soldados figuram em último lugar.
5° Que o Espiritismo encontra um acesso mais fácil entre os incrédulos em matérias religiosas do que entre aqueles que têm uma fé retida;
6° Enfim, que depois dos fanáticos, os mais refratários às idéias espíritas são os sensualistas e as pessoas das quais todos os pensamentos são concentrados sobre as posses e os gozos materiais, qualquer seja a classe a que pertençam, o que é independente do grau de instrução.
Em resumo, o Espiritismo é acolhido como um benefício por aqueles que ele ajuda a suportar o fardo da vida, e é repelido ou desdenhado por aqueles que ele dificulta no gozo da vida. Falando-se deste princípio, explica-se facilmente a classe que ocupam, nesse quadro, certas categorias de indivíduos, apesar das luzes que são uma condição de sua posição social. Pelo caráter, gostos, hábitos, gênero de vida das pessoas, pode-se julgar antecipadamente sua aptidão em assimilar as idéias espíritas. Em alguns, a resistência é uma questão de amor-próprio, que segue quase sempre o grau do saber; quando esse saber lhes fez conquistar uma certa posição social que os coloca em evidência, não querem convir que puderam se enganar e que outros podem ter visto mais justo. Oferecer as provas a certas pessoas é lhes oferecer o que elas mais temem: e de medo de reencontrá-las fecham os olhos e os ouvidos, preferem negar a priorie se abrigar atrás de sua infalibilidade, da qual estão bem convencidas, o que quer que disso digam.
Explica-se menos facilmente a causa da classe que ocupam, nessa classificação, certas profissões industriais. Pergunta-se, por exemplo, porque os alfaiates ali ocupam a primeira classe, ao passo que a livraria e a imprensa, profissões bem mais intelectuais, estão quase em último. É um fato constatado há muito tempo, e do qual ainda não nos demos conta.
Se, no levantamento acima, em lugar de não compreender senão os espíritas de fato, se tivessem considerado os espíritas inconscientes, aqueles em que essas idéias estão no estado de intuição e que fazem o Espiritismo sem o saber, várias categorias teriam sido certamente classificadas diferentemente; os literatos, por exemplo, os poetas, os artistas, em uma palavra, todos os homens de imaginação e de inspiração, os crentes de todos os cultos estariam, sem nenhuma dúvida na primeira classe. Certos povos, entre os quais as crenças espíritas são, de alguma sorte, inatas, ocupariam também um outro lugar. É por isto que essa classificação não poderia ser absoluta, e se modificará com o tempo.
Os médicos homeopatas estão à frente das profissões liberais, porque, com efeito, é aquela que, guardadas as proporções, contém em suas fileiras o maior número de adeptos do Espiritismo; sobre cem médicos espíritas, há ao menos oitenta homeopatas.
Isto se prende a que o próprio princípio de sua medicação os conduz ao espiritualismo; também os materialistas são raros entre eles, se bem que os há, ao passo que são numerosos entre os alopatas. Melhor do que estes últimos compreenderam o Espiritismo, porque encontraram nas propriedades fisiológicas do perispírito, unido ao princípio material e ao princípio espiritual, a razão de ser de seu sistema. Pelo mesmo motivo, os espíritas puderam, melhor do que os outros, se darem conta dos efeitos desse modo de tratamento. Sem ser exclusivo com relação à homeopatia, e sem rejeitar a alopatia, compreenderam a sua racionalidade, e os sustentaram contra os ataques injustos. Os homeopatas, achando novos defensores nos espíritas, não tiveram a imperícia de atirar-lhes a pedra.
Se os magnetistas figuram na primeira classe, no entanto, depois dos homeopatas, apesar da oposição persistente e freqüentemente acerba de alguns, é que os opositores não formam senão uma pequeníssima minoria junto à massa daqueles que são, pode-se dizer, espíritas de intuição. O magnetismo e o Espiritismo são, com efeito, duas ciências gêmeas, que se completam e se explicam uma pela outra, e das quais aquela das duas que não quer se imobilizar, não pode chegar a seu complemento sem se apoiar sobre a sua congênere; isoladas uma da outra, elas se detêm num impasse; elas são reciprocamente como a física e a química, a anatomia e a fisiologia. A maioria dos magnetistas compreendem de tal modo por intuição a relação íntima que deve existir entre as duas coisas, que se prevalecem geralmente de seus conhecimentos e magnetizam, como meio de introdução junto aos espíritas.
De todos os tempos, os magnetistas estiveram divididos em dois campos: os espiritualistas e os fluidistas; estes últimos, muito menos numerosos, fazendo ao menos abstração do princípio espiritual, quando não o negam absolutamente, tudo relacionam com a ação do fluido material; conseqüentemente, estão em oposição de principio com os espíritas. Ora, há que se observar que, se todos os magnetistas não são espíritas, todos os espíritas, sem exceção, admitem o magnetismo. Em todas as circunstâncias, deles se fizeram os defensores e os sustentáculos. Deveram, pois, se admirar de encontrar adversários, mais ou menos malevolentes, naqueles mesmos dos quais vinham reforçar as fileiras; quem, depois de ter sido, durante mais de meio século alvo aos ataques, às zombarias e às perseguições de todas as espécies lançam a seu turno, a pedra, os sarcasmos e, freqüentemente, a injúria aos auxiliares que lhes chegam, e começam a pesar na balança por seu número.
De resto, como o dissemos, essa oposição está longe de ser geral, muito ao contrário, pode-se afirmar, sem se afastar da verdade, que ela jamais está na proporção de mais de 2 a 3 porcento sobre a totalidade dos magnetistas; ela é muito menor ainda entre aqueles da província e do estrangeiro do que de Paris.

Fonte: Revista Espírita – Janeiro 1869


Francisco Rebouças

sábado, 28 de março de 2020

ESTATÍSTICA DO ESPIRITISMO.


Divido esta interessante matéria em duas partes - hoje lanço a primeira .
Um recenseamento exato dos espíritas seria coisa impossível, como já dissemos, por uma razão muito simples, que é que o Espiritismo não é nem uma associação, nem uma congregação; seus adeptos não são inscritos em nenhum registro oficial. É muito bem reconhecido que se lhe poderia avaliar a quantidade pelo número e a importância das sociedades, frequentadas somente por uma ínfima minoria. O Espiritismo é uma opinião que não exige nenhuma profissão de fé, e pode espalhar no todo ou em parte os princípios da Doutrina. Basta simpatizar com a idéia para ser espírita; ora, esta qualidade não sendo conferida por nenhum ato material, e não implicando senão obrigações morais, não existe nenhuma base fixa para determinar o número dos adeptos com precisão. Não se pode estimá-lo senão de maneira aproximada pelas relações e pela maior ou menor facilidade com a qual a ideia se propaga. Esse número aumenta cada dia numa proporção considerável: é um fato positivo reconhecido pelos próprios adversários; a oposição diminui, prova evidente de que a idéia encontra mais numerosas simpatias.
Compreende-se, aliás, que não é senão pelo conjunto, e não sobre o estado das localidades consideradas isoladamente, que se pode basear uma apreciação; há, em cada localidade, elementos mais ou menos favoráveis em razão do estado particular dos espíritos e também das resistências mais ou menos influentes que ali se exercem; mas esse estado é variável, porque tal localidade que se mostrou refratária durante vários anos, de repente torna-se um foco. Quando os elementos de apreciação tiverem adquirido mais precisão, será possível fazer um mapa colorido, sob o aspecto da difusão das idéias espíritas, como é feito para a instrução. À espera, pode-se afirmar, sem exagero, que, em suma os números dos adeptos centuplicou há dez anos, apesar das manobras empregadas para abafar a idéia, e contrariamente às previsões de todos aqueles que estavam se gabando de tê-lo enterrado. Este é um fato adquirido, e do qual é preciso bem que os antagonistas tomem seu partido.
Não falamos aqui senão daqueles que aceitam o Espiritismo com conhecimento de causa, depois de o terem estudado, e não daqueles, bem mais numerosos ainda, nos quais essas idéias estão no estado de intuição, e aos quais não falta senão poder definir suas crenças com mais precisão e de lhe dar um nome para serem espíritas confessos. É um fato bem averiguado, que se constata cada dia, há algum tempo sobretudo, que as idéias espíritas parecem inatas numa multidão de indivíduos que jamais ouviu falar de Espiritismo; não se pode dizer que tenham sofrido uma influência qualquer, nem seguido o impulso de uma associação. Que os adversários expliquem, se o podem, esses pensamentos que nascem fora e ao lado do Espiritismo! Não seria certamente um sistema preconcebido no cérebro de um homem que teria produzido um tal resultado; não há prova mais evidente de que essas idéias estão na Natureza, nem de melhor garantia de sua vulgarização no futuro e de sua perpetuidade. Deste ponto de vista pode-se dizer que os três quartos, pelo menos, da população de todos os países possuem o germe das crenças espíritas, uma vez que se as encontra naqueles mesmos que lhe fazem oposição. A oposição, na maior parte, vem da idéia falsa que se fazem do Espiritismo; não o conhecendo, em geral, senão pelos ridículos quadros que dele fez a crítica malevolente ou interessada em denegri-lo, recusam com razão a qualidade de espíritas.
Certamente, se o Espiritismo se parecesse às pinturas grotescas que dele têm feito, se se compusesse de crenças e de práticas absurdas que lhe quiseram emprestar, seríamos o primeiro a repudiar o título de espírita. Quando, pois, essas mesmas pessoas souberem que a Doutrina não é outra senão a coordenação e o desenvolvimento de suas próprias aspirações e de seus pensamentos íntimos, elas o aceitarão; incontestavelmente, são futuros espíritas, mas, à espera, não os compreendemos nas avaliações.
Se uma estatística numérica é impossível, há uma outra, talvez mais instrutiva, e pela qual existem os elementos que nos são fornecidos em nossas relações e em nossa correspondência; é a proporção relativa dos Espíritas segundo as profissões, as posições sociais, as nacionalidades, as crenças religiosas, etc., levando em conta que desta circunstância que profissões, como os oficiais ministeriais, por exemplo, são em número limitado, ao passo que outras, como os industriais e os capitalistas, são em número indefinido. Toda proporção guardada, podem-se ver quais são as categorias onde o Espiritismo encontrou, até este dia, mais adeptos. Em algumas, a proporção pôde ser estabelecida a tanto por cento com bastante precisão, sem pretender, todavia, que ela o seja com rigor matemático; as outras categorias foram simplesmente classificadas em razão do número de adeptos que elas nos forneceram, começando por aquelas que deles contam mais, e cuja correspondência e as listas de assinatura da Revista podem dar os elementos. O quadro adiante é o resultado do levantamento de mais de dez mil observações.
Constatamos o fato, sem procurar nem discutir a causa dessa diferença, o que poderia, no entanto, ensejar o assunto de um estudo interessante.

Fonte: Revista Espírita - Janeiro 1869.

sexta-feira, 27 de março de 2020

APRENDAMOS A AGRADECER


       “Em tudo dai graças.” – Paulo, (1ª EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES, capítulo 5, versículo 18.)

Saibamos agradecer as dádivas que o Senhor nos concede cada dia:
A largueza da vida;
O ar abundante;
A graça da locomoção;
A faculdade do raciocínio,
A fulguração da idéia;
A alegria de ver;
O prazer de ouvir;
O tesouro da palavra;
O privilégio do trabalho;
O dom de aprender;
A mesa que nos serve;
O pão que nos alimenta;
O pano que nos veste;
As mãos desconhecidas que se entrelaçam no esforço de suprir-nos a refeição e o agasalho;
Os benfeitores anônimos que nos transmitem a riqueza do conhecimento;
A conversação do amigo;
O aconchego do lar;
O doce dever da família;
O contentamento de construir para o futuro;
A renovação das próprias forças...
Muita gente está esperando lances espetacula­res da “boa sorte mundana”, a fim de exprimir gra­tidão ao Céu.
O cristão, contudo, sabe que as bênçãos da Pro­vidência Divina nos enriquecem os ângulos mais simples de cada hora, no espaço de nossas expe­riências.
Nada existe insignificante na estrada que per­corremos.
Todas as concessões do Pai Celeste são pre­ciosas no campo de nossa vida.
Utilizando, pois, o patrimônio que o Senhor nos empresta, no serviço incessante ao bem, aprendamos a agradecer.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

quinta-feira, 26 de março de 2020

O Dogmatismo e a fé Raciocinada

O dogmatismo milenar vem mantendo a relação entre a fé e a razão algo no mínimo curioso, visto que ter fé deveria significar: crer, acreditar, saber, confiar etc., em algo que se pudesse pelo menos encontrar argumentos que os justificassem a luz de uma análise mais profunda, e não, como a grande maioria de seus seguidores demonstra, aceitando sem qualquer cuidado em verificar se essa fé se fundamenta em algo aceitável por qualquer inteligência mediana, visto que para se crer em alguma coisa, é necessário que se acredite na existência dessa coisa.
A fé que o Espiritismo nos prega está fundamentada no trabalho grandioso de estudo e pesquisa, empreendido na confecção dos postulados nos quais se fundamenta a Codificação Espírita, nascida da observação dos fatos, da análise minuciosa de cada situação acontecida, observada, comparada e conferida à luz da razão, em seus mínimos detalhes, pelo insigne codificador através do raciocínio e sob a orientação dos Espíritos Superiores, constituindo-se, por isso mesmo, em argumentos tão lógicos que nos levaram a desenvolver a fé que hoje denominamos de “Fé raciocinada”.
“… A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma. Ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.
Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do fim que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. – José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.) (1)
Isso significa dizer que, não devemos apenas aceitar seus argumentos, seus estudos e pesquisas sem nos determos em uma análise sob nossa própria ótica, utilizando a bênção da inteligência de que somos portadores. Chama-nos a atenção afirmando que: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”. (2)
A própria Doutrina Espírita esclarece que não devemos, simplesmente, aceitar os conceitos contidos na codificação sem uma análise fria e detalhada do que ela contém, dando-nos o direito até mesmo de ter nossas próprias dúvidas, pois é ela antes de tudo democrática, não é imposta a quem quer que seja, pois entende que muitas das coisas que não aceitamos hoje, por absoluto desconhecimento, amanhã tornar-se-á algo, perfeitamente, aceitável, em vista das descobertas da ciência, no desenvolvimento de outros mecanismos hoje desconhecidos.
Entendemos que é da saudável discussão que nascem as respostas mais próximas da verdade; no trocar de experiências, contribuindo cada qual com a fração de seus conhecimentos, contribuindo para uma melhor compreensão dos fatos por todos os seus participantes, pois não somos conhecedores de todas as áreas da ciência e sim, da área em que nos especializamos mais particularmente ou que exercemos nossas atividades profissionais etc.
Nós, Cristãos Espíritas, não podemos afastar por motivo algum, sob nenhum pretexto a faculdade de dialogar, não somente entre os seguidores da filosofia que abraçamos, mas, também com todos os nossos irmãos em humanidade, detentores de conhecimento da área filosófica ou científica, buscando constantemente o aperfeiçoamento a renovação o aprimoramento e a atualização de nossos conhecimentos, ampliando nossa visão do todo sem nos fechar na pretensão de sermos os únicos donos da verdade, para não repetir os erros de tantos quantos se enclausuraram na vaidade do saber tudo, tomando por base unicamente os dogmas aceitos pela fé cega de outrora.
Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 11;
(2) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 7.
Francisco Rebouças