Quando, depois de ter sido preparado pelo anjo
guardião, o Espírito que vem se encarnar, quer dizer, sofrer novas provas tendo
em vista o seu adiantamento, começam então a se estabelecer os laços
misteriosos que o unem ao corpo para manifestar sua ação terrestre. Aí está
todo um estudo, sobre o qual não me estenderei; mas não vos falaria senão do
papel e da disposição do Espírito durante o período da infância no berço.
A ação do Espírito sobre a matéria, nesse tempo de
vegetação corpórea, é pouco sensível. Também os guias espirituais se apressam
em se aproveitarem desses instantes, em que a parte carnal não obriga a
participação inteligente do Espírito, a fim de preparar este último, de
encorajá-lo nas boas resoluções das quais sua alma está impregnada.
É nesses momentos de desligamento que o Espírito,
todo em saindo da perturbação em que teve que passar por sua encarnação
presente, compreende e se lembra dos compromissos que contraiu para o seu
adiantamento moral. É então que os Espíritos protetores vos assistem, e vos
ajudam a vos reconhecer. Também, estudai a figura da criancinha que dorme; vós
a vedes freqüentemente "sorrir aos anjos", como se diz vulgarmente,
expressão mais justa do que se pensa. Com efeito, ela sorri aos Espíritos que a
cercam e devem guiá-la.
Vede-a desperta, essa cara criança; ora ela olha
fixamente: parece reconhecer os seres amigos; ora balbucia as palavras, e seus
gestos alegres parecem se dirigir aos rostos amados; e como Deus jamais
abandona as suas criaturas, esses mesmos Espíritos lhe dão, mais tarde, boas e
salutares instruções, seja durante o sono, seja por inspiração no estado de
vigília. Daí podeis ver que todos os homens possuem, ao menos no estado de
germe, o dom da mediunidade.
A infância propriamente dita é uma longa sucessão
de efeitos medianímicos, e se as crianças um pouco mais avançadas em idade,
quando o Espírito adquiriu mais força, às vezes não temem as imagens das
primeiras horas, poderíeis constatar muito melhor esses efeitos.
Continuai a estudar e, a cada dia, como grandes
crianças, a vossa instrução crescerá, se não vos obstinardes em fechar os olhos
sobre o que vos cerca.
Fonte: Revista Espírita – Janeiro 1865
Francisco Rebouças
