(...) Longe de admitir o Espiritismo como uma causa
de aumento da loucura, dizemos que é uma causa
atenuante que deve diminuir o número de casos produzidos pelas causas comuns.
Com efeito, entre essas causas, é preciso colocar em primeira
linha os desgostos de toda natureza, as decepções, as afeições contrariadas, os
revezes de fortuna, as ambições frustradas. O efeito dessas causas está
em razão da impressionabilidade do indivíduo; se houvesse um meio de
atenuar essa impressionabilidade, isso seria, sem contradita, o melhor
preservativo; pois bem! esse meio está no
Espiritismo, que amortece o contragolpe moral, que faz receber com resignação
as vicissitudes da vida; tal que teria se suicidado por um revés, haure
na crença espírita uma força moral que lhe faz receber seu mal com paciência;
não só não se matará mas, em presença da maior adversidade, conservará sua fria razão, porque tem uma fé inalterável no
futuro. Dar-lhe-íeis essa calma com a perspectiva do nada? (...).
Revista Espírita – Fevereiro 1863.
Francisco Rebouças
