7. Nenhuma crença religiosa, por lhes ser contrária, pode infirmar
os fatos que a Ciência comprova de modo peremptório.
Não pode a religião deixar de ganhar em autoridade acompanhando o
progresso dos conhecimentos científicos, como não pode deixar de perder, se se
conservar retardatária, ou a protestar contra esses mesmos conhecimentos em nome
dos seus dogmas, visto que nenhum dogma poderá prevalecer contra as leis da
Natureza, ou anulá-las. Um dogma que se funde na negação de uma lei da Natureza
não pode exprimir a verdade.
O Espiritismo, que se funda no conhecimento de leis até agora
incompreendidas, não vem destruir os fatos religiosos, porém sancioná-los,
dando-lhes uma explicação racional. Vem destruir apenas as falsas consequências
que deles foram deduzidas, em virtude da ignorância daquelas leis, ou de as
terem interpretado erradamente.
8. A ignorância das leis da Natureza, com o levar o homem a
procurar causas fantásticas para fenômenos que ele não compreende, é a origem
das ideias supersticiosas, algumas das quais são devidas aos fenômenos
espíritas mal compreendidos.
O conhecimento das leis que regem os fenômenos destrói essas ideias
supersticiosas, encaminhando as coisas para a realidade e demonstrando, com
relação a elas, o limite do possível e do impossível.
Fonte:
Obras Póstumas – Manifestações dos Espíritos.
Francisco Rebouças
