“...Para
os Espíritas, a comunhão de pensamentos tem um resultado mais especial ainda.
Temos
visto o efeito desta comunhão de homem a homem; O Espiritismo nos prova que não
é menor dos homens aos Espíritos, e reciprocamente. Com efeito, se o pensamento
coletivo adquire força pelo número, um conjunto de pensamentos idênticos, tendo
o bem como objetivo, terá mais força para neutralizar a ação dos maus
Espíritos; também vemos que a tática destes últimos é levar à divisão e ao
isolamento. Só, um homem pode sucumbir, ao passo que se sua vontade for
corroborada por outras vontades, ele poderá resistir, segundo o axioma: A
união faz a força, axioma verdadeiro tanto quanto ao moral como ao físico.
De
um outro lado, se a ação dos Espíritos malévolos pode ser paralisada por um pensamento
comum, é evidente que a dos bons Espíritos será secundada; sua influência salutar
não encontrará obstáculos; seus eflúvios fluídicos não sendo detidos por
correntes contrárias, se derramarão sobre todos os assistentes, precisamente
porque todos os terão atraído pelo pensamento, não cada um em seu proveito
pessoal, mas em proveito de todos, segundo a lei de caridade. Descerão sobre
eles em línguas de fogo, para nos servir de uma admirável imagem do Evangelho.
Assim,
pela comunhão dos pensamentos, os homens se assistem entre si, e ao mesmo
tempo assistem os Espíritos e são por eles assistidos. As relações do mundo
visível e do mundo invisível não são mais individuais, são coletivas, e, por
isso mesmo, mais poderosas para o proveito das massas, como para os indivíduos;
em uma palavra, ela estabelece a solidariedade, que é a base da fraternidade.
Cada um não trabalha somente para si, mas para todos, e, trabalhando para todos,
nisso cada um encontra a sua conta; é o que não compreende o egoísmo."
Revista
Espírita Dezembro 1864
Francisco Rebouças
