O Espiritismo não pode mais ser responsável pelos erros daqueles a quem
agrada se dizer espíritas, e a religião não o é dos atos repreensíveis daqueles
que não têm senão a aparência da piedade. Antes, pois, de fazer recair a
censura de tais atos sobre uma doutrina qualquer, é preciso saber se ela contém
alguma máxima, algum ensino, que possa autorizá-los ou mesmo desculpá-los. Se,
ao contrário, ela os condena formalmente, é evidente que a falta é toda pessoal
e não pode ser imputada à doutrina. Mas é uma distinção que os adversários do
Espiritismo não se dão ao trabalho de fazer; são muito felizes, ao contrário,
de encontrar uma ocasião de desacreditá-lo certo ou errado, sem se fazerem
escrúpulo de lhe atribuírem o que não lhe pertence, envenenando as coisas mais insignificantes
antes que procurar-lhes as causas atenuantes.
Fonte: Revista Espírita - GOLPE DE VISTA RETROSPECTIVO
SOBRE O MOVIMENTO DO ESPIRITISMO.
JANEIRO 1867.
Francisco Rebouças.
