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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ADVERSIDADE

Emmanuel

Indagar quanto ao porquê das dificuldades que a vida oferece ao homem será o mesmo que perguntar relativamente aos motivos pelos quais o homem corta a pedra para que a pedra venha a servir. 

Abandone-se a enxada ao repouso permanente e, a breve espaço, se fará imprestável. 

Negue-se a fonte a transitar sobre os percalços do solo e, a tempo curto, se transformará em tristeza do charco. 

A rigor, a adversidade não existiria no mundo se considerássemos as tarefas da existência física por lições. 

Fizéssemos isso e todas as provas assumiriam as dimensões que lhes são características, passando à função de testes indispensáveis ao exame dos valores que adquirimos. 

Antes de nossa própria reencarnação, muito freqüentemente, sabemos que se tomará novo berço para a recapitulação de experiências em que não fomos felizes, seja para ressarcir débitos que largamos à retaguarda, com o objetivo de extinguir enganos perpetrados por nós mesmos, a fim de nos entregarmos à execução de compromissos alusivos ao burilamento íntimo ou no sentido de reencontrar antigos desafetos para transfigura-los em laços de amor. 

Reestruturadas, porém, as possibilidades de ação e renovação a nosso benefício, habitualmente,  vestimos  em  pessimismo  as  melhores  oportunidades  de  melhoria  e  de  progresso, sem extrair delas o proveito preciso. 

Reflitamos em semelhante realidade para facearmos as lutas do caminho sem ilusões. 

Aceitemos construtivamente os desafios e problemas  que a vida nos proponha, empenhando-nos a solucioná-los com segurança, sem a volúpia de retê-los indefinidamente no coração. 

Certifiquemo-nos, sobretudo, de que ninguém evolui  sem mudanças e de que não existem mudanças sem atritos ou deslocamentos, conflitos ou desajustes. 

À vista disso, reconheçamos que as crises da vida aparecem na estrada de todos em auxílio de todos. 

E de toda grande dificuldade, cada criatura, conforme as reações que demonstre, se retirará maior para receber encargos sempre maiores ou  novamente ajustados às dimensões de espírito em que ainda se encontra, a fim de entrar  outra vez, em ocasião oportuna, no clima da adversidade educativa, para realizar renovados tentames de elevação própria, em cujo trabalho se obriga a revisar-se e recomeçar. 

Livro: Abençoa Sempre
Chico Xavier/Espíritos Diversos

Francisco Rebouças