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sexta-feira, 20 de julho de 2018

É PRIMORDIAL NĀO ESQUECER DA LÓGICA E DO BOM SENSO, SEMPRE RECOMENDOS POR KARDEC!


Precisamos ter o necessário cuidado em tudo que falamos e escrevemos em relaçāo a doutrina espírita, pois, o que se vê, lê e escuta de muitos dos ditos “estudiosos” de nossa doutrina, em programas de televisão, artigos, e nas palestras públicas, têm nos deixado realmente perplexes.
 
Muitos deles trazem à tona assuntos doutrinários, de vital importância para a aceitaçāo e compreensāo dos fundamentos de nossa doutrina, sob a sua particular interpretaçāo, exclusivamente elaborados nos achismos e modismos tāo comuns e aceitos por muitos espíritas, sem a precisa e imprescindível atençāo ao que o expositor está se referindo, sem se incomodarem em analisar se  o que ouvem, leem ou veem, está em conformidade com a fabulosa e gigantesca obra codificada por Kardec.
Alguns acreditam mesmo que se é seu “fulano” que está dizendo aquilo é verdadeiro, pois o conhece como verdadeiro “estudioso” conhecedor da doutrina espírita, por isso mesmo, isento de qualquer tipo de suspeita. E afirmam mais, ele conviveu muito com o Chico, e com o Divaldo Franco, como se isso lhes garantissem uma perfeita compreensāo e sabedoria para uma correta, segura e legítima divulgaçāo dos postulados espíritas.
Quando solicitados por aqueles que desejam informações sobre as fontes de origem de tais explicações, se sentem afrontados, incomodados e se aborrecem facilmente.
Nós espíritas, temos o direito de saber a origem de tais informações, pois a própria Espiritualidade Superior é quem nos solicita o cuidado que devemos ter de manter a Doutrina Espírita livre de enchertos e distorçoões, pura, clara e simples como nos foi enviada pelos Amigos do Cristo, sob seu comando e orientaçāo.
Ouçamos o Espírito Erasto sobre o assunto na própria codificaçāo: “Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade”. (1)
O conhecido e respeitado escritor espírita Josė Herculano Pires, nos trás algumas sérias advertências sobre o assunto, conforme segue.
As normas de Kardec
Mas o desenvolvimento dos princípios espíritas não pode ser feito de maneira arbitrária, pois no campo do conhecimento há leis de lógica e de logística que regem o processo cultural. Kardec estabeleceu as normas que temos de observar para não cairmos nos enganos e nas ilusões tão comuns à nossa precipitação. Essas normas, elas mesmas, estão hoje sendo acrescidas de meios novos de verificação da realidade através da Ciência e da Filosofia. O bom senso, como ensinou Kardec, é o fio de prumo que nos garante a construção de um conhecimento mais amplo e mais rico, mas ao mesmo tempo mais preciso.
Usar do bom senso é o primeiro preceito da normativa de Kardec. Examinar com rigor a linguagem dos Espíritos comunicantes, submetê-los a testes de bom senso e conhecimento, verificar a relação de realidade dos conceitos por eles enunciados (relação do seu pensamento com os fatos, as coisas e os seres), enquadrar os seus ensinos e revelações no contexto cultural da época, verificando o alcance abusivo ou não das afirmações mais
audaciosas – eis os elementos que temos de observar no trato da mediunidade, se não quisermos cair em situações difíceis, a que fatalmente nos levariam espíritos imaginosos ou pseudo-sábios. E ao lado disso submeter tudo quanto possível à comprovação experimental, à pesquisa.
Bem sabemos que tudo isso requer espírito metódico, um fundo básico de conhecimentos gerais, capacidade normal de discernimento, superação da curiosidade doentia, controle rigo- roso da ambição e da vaidade, equilíbrio do raciocínio, maturi- dade intelectual, critério científico de observação e pesquisa e firme decisão de não se deixar levar pelas aparências, aprofun- dando sempre o exame de todos os aspectos dos problemas e das circunstâncias. Sim, tudo isso é difícil, mas sem isso não faremos ciência e sem ciência não teremos Espiritismo. Se alguém notar que não dispõe dessas qualidades deve reconhecer-se inábil para a investigação espírita. É melhor aceitar com humildade as próprias limitações do que aventurar-se a realizações impossíveis”.
A luta necessária
"Infelizmente a maioria das criaturas não gosta de reconhecer os seus limites. A vaidade e a ambição levam muita gente a dar passos mais largos do que as pernas permitem. É o que hoje vemos, de maneira assustadora, em nosso meio espírita. Os casos de fascinação multiplicam-se ao nosso redor. Pessoas que podiam ser úteis se transformam em focos de confusão e perturbação, entravando a marcha do Espiritismo com a sustentação de teorias absurdas que levam a doutrina ao ridículo. Em nosso país esses casos se tornam mais graves por causa da falta geral de cultura. As pessoas incultas e ingênuas se deixam levar muito facilmente ao fanatismo, ante o brilho fictício de pessoas inteligentes e cultas, mas dominadas por fascinações perigosas.
A mania do cientificismo vem produzindo grandes estragos em nosso movimento espírita. Qualquer possuidor de diplomas de curso superior se julga capacitado a transformar-se em cientista do dia para a noite. E logo consegue uma turma de adeptos vaidosos, prontos a seguir o iluminado que lhes empresta um pouco do seu falso brilho. O desejo de elevar-se acima dos outros, conhecendo mais e sabendo mais, é praticamente incontrolável na maioria das pessoas. O resultado é o que vemos. Há mais joio do que trigo em nossa seara espírita.
A luta contra essa situação é das mais árduas. Mas, árdua ou não, tem de ser enfrentada pelos que vêem as coisas de maneira mais clara. Temos de ferir suscetibilidades, magoar o amor próprio de amigos e companheiros, levantar no próprio meio espírita inimigos gratuitos, provocar revides apaixonados. Mas, de duas, uma: ficamos com a verdade ou ficamos com o erro, defendemos a doutrina ou nos acomodamos na falsa tolerância, clamando por uma paz de pantanal, que nada mais é do que covardia e traição à verdade. Aí estão, diante de nossos olhos, as fascinações da vaidade nos empantanando os caminhos da evolução natural e necessária da doutrina. Ou lutamos contra elas ou incentivaremos a sua propagação e proliferação.
Podemos enumerar as mais acentuadas e nefastas: o roustainguismo, defendido e semeado sob o prestígio da FEB; o Divinismo ou Espiritismo Divinista, que contradiz a própria essência racional do Cristianismo e do Espiritismo; o ramatisismo, que conseguiu envenenar a própria FEESP e ainda hoje não foi completamente eliminado da sua estrutura; o heterodoxismo ou armondismo (mistura de doutrinas ocultistas com o Espiritismo), que anda de mãos dadas com o ramatisismo; a teoria do continuum mediúnico, que vem de fora, com ares de teoria sociológica, estabelecendo confusões, com suposto apoio científico, entre Espiritismo e Umbanda; o andreluizismo, que à revelia de André Luiz é sustentado por instituições que se apoiam na caridade para desviar adeptos ingênuos da verdadeira compreensão doutrinária; e outras subcorrentes que amanhã se tornarão fortes e dominadoras, se não forem sustadas a tempo.
Todos esses movimentos se valem de uma arma contra os que perseveram no campo limpo da doutrina: a acusação de sectarismo. Fazem seitas e acusam os outros de sectários. Clamam pelo direito de alargar e arejar os conceitos fundamentais de Kardec, sem que os seus expoentes se lembrem de que não possuem condições culturais para essa tarefa de gigantes. Afrontam e amesquinham Kardec, na vaidosa suposição de que o estão auxiliando, quando não o agridem abertamente, com o menosprezo à sua missão espiritual e à sua qualificação cultural. Não foram ainda capazes de encarar a missão de Kardec e a obra de Kardec sem pensar primeiro em si mesmos e nas suas supostas capacidades culturais ou supostas habilitações espirituais". 
Somos pois, responsáveis por tudo o que divulgamos como mensagem espírita e devemos zelar pela pureza doutrinária nela contida.
Bibliografia:

1 – Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns,  62 ediçāo - Cap. XX , item 230.
2 - Pires, J. Herculano. Livro: A Pedra e o Joio - Crítica à
 Teoria Corpuscular do Espírito.
3- Grifos nossos.
Francisco Rebouças.