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quarta-feira, 13 de junho de 2018

A SERPENTE INVISÍVEL

No  campo  do  serviço  cristão,  mesmo  nos  arraiais  do  Espiritismo Evangélico, tudo  é alegria e esperança enquanto há céu azul. 
Diante do sol reconfortante e amigo, é doce a expectativa, em torno do futuro, e sob o pálio estrelado da noite tranqüila é mais belo sonhar com a vida noutros mundos. 
Então, os aprendizes são firmes na confiança e seguros nas promessas. 
A  natureza  se  faz  o  trono  de  Deus,  a  expressar-se  em  prodígios  de  sabedoria  e  as criaturas são almas irmãs em demonstrações recíprocas de entendimento e de amor. 
Entretanto, quando as nuvens se adensam no horizonte e a tormenta desaba, eis que as disposições do crente se modificam. 
A preguiça – serpe invisível a se nos ocultar renitente, nas próprias almas exterioriza-se de imediato, através de máscaras diversas. 
Ante o fascínio da desculpa incondicional às ofensas alheias, paralisa-se-nos coração, a sugerir em forma de dignidade ferida: 
Impossível esquecer. 
À frente do trabalho árduo no socorro às necessidades humanas, nosso próprio espírito enverga a túnica de pretensa humildade confundido: 
Quem sou eu para auxiliar?! ... Sou um poço de vermes, um vaso de imperfeições! 
Perante os difíceis testemunhos de paciência, costumamos exibir suposta superioridade moral e afirmarmos peremptórios: 
Não alcancei a santidade! Agora não posso mais... 
Renteando com a luta aflitiva, em favor dos companheiros infelizes, junto aos quais a vida  nos  pede  recapitulação  de  atitudes  e  ensinamentos,  adotamos  imaginária  fadiga  e gritamos sem razão: 
Fiz o que pude! Que outros agora venham à liça para a cooperação fraternal. 
Diante da  prestação  de serviço  urgente  ao próximo,  habituamo-nos freqüentemente a esposar preocupações falsas no tempo e alegamos petulantes: 
Amanhã! Amanhã cuidaremos disso. 
Se  te  interessas  realmente  pelo  própria  renovação,  à  luz  do  Evangelho,  anota  o momento que voa e não menosprezes o ensejo sublime de ser mais útil. 
Recorda  que  a  ociosidade  mental  é  antiga serpente sedutora,  asfixiando-nos  a vida  e somente em lhe olvidando o veneno suave e mortífero, trabalhando e servindo sempre, é que conseguiremos assimilar o ideal da perfeição com Jesus, nosso Mestre e Senhor. 

Livro: Construção do Amor
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças