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terça-feira, 27 de março de 2018

O aperfeiçoamento é uma necessidade

Tudo na vida exige aprendizagem, porque ninguém sabe sem se submeter ao natural risco do erro, que nos faz adquirir as experiências que muito nos ajudarão a evitar os equívocos do início, pois sabemos que quase sempre não se consegue o melhor resultado quando se começa a fazer algo que jamais fez antes, e os insucessos iniciais nos acrescentam algo de positivo, a procura de encontrar uma melhor solução para aquilo que nos propomos realizar.
Qualquer tarefa que nos esteja determinada exigirá nossa atenção, devotamento, abnegação e força de vontade porque, evidentemente, não haverá vitória sem lutas, principalmente, na atual fase por que passa a nossa sociedade, onde a falta de oportunidade reclama preparo e competência do indivíduo à procura do sucesso profissional, social, religioso e etc. Faz-se imprescindível entender que o trabalho é uma Lei natural a qual estamos todos submetidos em seu mecanismo de justiça, visando o nosso crescimento e desenvolvimento intelecto-moral, conforme nos esclarecem os imortais da Vida Maior em O Livro dos Espíritos, nas questões que se seguem:
“Questão 676 – Por que o trabalho se impõe ao homem?
Por ser uma consequência da sua natureza corpórea. É expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoamento da sua inteligência. Sem o trabalho, o homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência, em compensação. Mas é sempre um trabalho”.
“Questão 677 – Por que provê a Natureza, por si mesma, a todas as necessidades dos animais?
Tudo em a Natureza trabalha. Como tu, trabalham os animais, mas o trabalho deles, de acordo com a inteligência de que dispõem, se limita a cuidarem da própria conservação. Daí vem que o do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar, o que também é uma necessidade e o eleva acima de si mesmo. Quando digo que o trabalho dos animais se cifra no cuidarem da própria conservação, refiro-me ao objetivo com que trabalham. Entretanto, provendo as suas necessidades materiais, eles se constituem, inconscientemente, executores dos desígnios do Criador e, assim, o trabalho que executam também concorre para a realização do objetivo final da Natureza, se bem quase nunca lhe descubrais o resultado imediato”.
“Questão 678 – Em mundos mais aperfeiçoados, os homens se acham submetidos à mesma necessidade de trabalhar?
A natureza do trabalho está em relação com a natureza das necessidades. Quanto menos materiais são estas, menos material é o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício”. (1)
Não será uma atitude sensata alguém desejar encontrar o sucesso sem o sacrifício exigido para tal cometimento; é necessário estar disposto a enfrentar os obstáculos comuns da vida de qualquer indivíduo, desde os primeiros passos nos bancos escolares, até o grande momento da coroação dos esforços na conclusão de um curso superior que lhe garanta um diploma universitário, conferindo-nos o direito de exercer esta ou aquela profissão escolhida, após a alegria do juramento do compromisso firmado perante a sociedade.
É importante saber que um diploma não representa garantia de destaque em nenhuma profissão, que exigirá do profissional os necessários requisitos de conhecimento dedicação e respeito ao seu semelhante, e ainda o permanente cuidado com as atualizações e novidades que surgirem em sua área de atuação, para só então, e pouco a pouco, fazer-se conhecido e respeitado profissionalmente, com uma conduta pautada na ética e moral de indivíduo consciente e respeitador das Leis e da Ordem.
A proposta de qualquer profissional digno que deseja alcançar sucesso na vida e na profissão há de se fundamentar na dedicação aos estudos, na disciplina e na seriedade com que desempenhará suas tarefas, pois, quem não age dessa forma estará muito mais próximo do fracasso, da decepção e do descrédito, que o levarão sem compaixão alguma ao encontro do abismo e do infortúnio, por mais que conquiste fama e fortuna, pois sua consciência será o Tribunal Divino a aprovar ou desaprovar suas ações diante do seu próximo.
Isto porque, aquele que profissionalmente resolver abusar do título conquistado para auferir lucros e vantagens pessoais, ferindo e desrespeitando os semelhantes, é certo que estará assumindo compromissos negativos para com as sábias e imutáveis Leis estabelecidas pelo Criador, “que dará a cada um segundo suas próprias obras” e cobrará a reparação no labor inevitável da expiação, para se redimir perante elas. (2)
Não há fórmula capaz de nos isentar das responsabilidades dos atos praticados, e a Lei de Causa e Efeito, no seu perfeito mecanismo de ação, compele sempre a criatura ao salutar sacrifício da retificação, de maneira geral, através dos mecanismos da dor e do sofrimento para que assim possam todos entender que o compromisso que temos é o de amar ao próximo como a nós mesmos e não o de tirar proveito de sua ignorância ou fragilidade.
Os homens e mulheres que alcançaram êxito em seus empreendimentos com atitudes de respeito à ética e à moral, declararam em todas as épocas que suas conquistas foram alcançadas mediante renúncias e sacrifícios pessoais, à custa de lutas dolorosas. Em vista disso, é, de fundamental importância, que saibamos buscar nosso progresso individual, de forma honesta e a contribuir de forma positiva com a nossa parte na disseminação do bem, para que, quando convocados a prestarmos contas pela Lei Maior, possamos estar na condição de operários fiéis ao salário da Eterna Luz, e dignos de haurir a paz da consciência tranquila que só o dever bem cumprido nos facultará.
Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, ALLAN. O Livros dos Espíritos. FEB, 76ª edição.
(2) Mateus, 16:27.
Francisco Rebouças