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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ANEXINS DE SEMPRE

A cabeça ambiciosa 
Que vive votada ao mal 
Escreve o favor na areia 
E grava a ofensa em metal. 

Quem teme cobra e lagarto, 
Quem passarinhos receia, 
Perde a vida sem combate, 
Não prepara, nem semeia.

Aprende a ver e lembrar!... 
No curso de toda a história, 
O soberbo perde a vista, 
O ingrato perde a memória.

Da ternura doce e branda, 
Sê devoto, não escravo... 
Eu bonzinho, tu bonzinho, 
Quem educa o burro bravo?

No mesmo tronco, onde a abelha 
Retira fortuna e mel, 
A aranha escura e disforme 
Faz morte, peçonha e fel. 

Cultiva a lei do equilíbrio 
Que nos ajuda e contenta, 
Se o necessário deleita, 
O excesso fere e atormenta. 

Do verbo usado no mundo, 
Nasce a guerra, nasce a paz. 
Com palavras edificas, 
Com palavras matarás. 

Guarda sempre em teu trabalho 
Silêncio e ponderação... 
Quando a praça parlamenta, 
É hora de rendição. 

Cumprindo a Vontade Eterna, 
Sê pronto, leal e breve. 
Quem faz tudo o que deseja, 
Nem sempre faz quanto deve.

Não te revoltes se a Terra 
Nega-te acesso ao jardim... 
Há números de começo, 
Não há número de fim. 

Livro: Gotas de Luz
Chixo Xavier/Casimiro Cunha

Francisco Rebouças