Grande parte da população da Terra, caminha nos dias da atualidade dominada pelo medo e pela indecisão sobre que caminho seguir, diante das ousadas e até mesmo agressivas sugestões do mal que campeia por toda a sociedade, e o convite fraterno e manso do bem, que cada vez nos parece mais raro e distante.
A começar pela Ciência, extremamente materialista em seus princípios, meios e fins, com louvável e reconhecido trabalho em descobertas fantásticas para o progresso da humanidade, nas suas frias e inaceitáveis negações sobre as coisas do espírito, mantendo infelizmente exagerada inclinação para o individualismo, e para as riquezas enganosas e fugidias da matéria, valorizando o poder e o prestígio, ou seja, o ter em detrimento do Ser.
Em contraposição, as religiões, com seu manancial de erros e superstições, com sua secular tendência de dominação e intolerância, fundamentada numa crença cega, sem sustentação diante das descobertas científicas da atualidade, promovendo a descrença e a decepção dos que se norteiam por uma fé esclarecida que não dispensa a razão e o bom senso.
O homem movido de bons propósitos encontra-se entre os argumentos defendidos pela Religião sem provas, e da Ciência sem ideal, pois, cada uma delas defende suas convicções com todas as armas possíveis, sem lograrem o êxito almejado, visto que tanto a ciência como a religião representam necessidades imperiosas do homem, no mundo da matéria e no campo do Espírito imortal.
O papel da ciência no mundo é promover uma melhor qualidade de vida ao ser humano, para seu crescimento e progresso gerados pelas descobertas científicas que se multiplicam dia a dia. A religião se propõe como finalidade principal, a religação do filho com seu Pai e criador, e fazê-lo manter a esperança de que é possível se conquistar uma vida de felicidade após as experiências vivenciadas na vida material, pois que a vida prossegue a pleno vapor após a morte do corpo físico.
O espiritismo mais que qualquer outra filosofia religiosa oferece os argumentos mais sólidos e lógicos sobre o assunto, consolidando em nós a certeza absoluta da finalidade divina do Ser imortal que somos, além da vida física, fazendo-nos entender que sendo Deus pai misericordioso e bom, nos criou para desfrutar da felicidade e pureza espiritual, onde cada um depende unicamente do seu próprio esforço.
Na questão 932 de O Livro dos Espíritos, encontramos as instruções do mundo espiritual Superior a respeito do porque o mal ainda é dominante em nossas relações, conforme segue.
“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”
Sem esses conhecimentos tão esclarecedores e consoladores, muito bem solidificados em nosso mundo íntimo, os sentimentos generosos de fraternidade se enfraquecem, deixando surgir como consequência a divisão, que fomenta o ódio, e a separação, desaparecendo por essa razão as atitudes de nobreza, benevolência e indulgência para com o outro, alastrando dessa forma a discórdia, o desrespeito, o caos, a desgraça e o sofrimento.
O resultado dessa falta de Evangelho no coração dos indivíduos é comprovado por todas as nações do nosso planeta, a começar na própria família, e a multiplicar-se por toda a sociedade, onde os valores éticos e morais andam em desuso ou até mesmo desaparecidos das atitudes do homem que sabe reclamar seus direitos, mas não se preocupam em cumprir com os seus deveres.
O homem moderno necessita conciliar de forma equilibrada o Sentimento e a Razão, representando as duas asas que precisamos desenvolver para que possamos alçar voos mais altos e seguros em busca da paz de Espírito que tanto almejamos desfrutar.
Referência:Kardec, Allan, O Livro Dos Espíritos – FEB 76ª edição.
Francisco Rebouças
