Solidarity Spiritist Societ

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Conhecimento da Lei Natural

Depois de muitos séculos de desunião, ou, pior ainda, de estúpida e feroz hostilidade  recíproca,  eis  que  as  Igrejas  Cristãs  começam a  compreender  a conveniência  de  colocarem  em  segunda  plana as  questiúnculas  que  as  dividem,  para  darem  mais  ênfase  ao objetivo  essencial que  lhes  é  comum:  a edificação  das  almas  para  o  Bem,  dispondo-se  a  envidar  sérios  esforços  no sentido de extinguirem, em suas respectivas hostes,o malfadado sectarismo, responsável por tantos males, substituindo-o por umespírito de tolerância e de colaboração mútuas. 

Esse nobre movimento constitui, sem dúvida, uma excelente contribuição à causa da fraternidade universal. Não deve, entretanto, parar aí, mas sim evoluir até o reconhecimento de que as demais religiões, embora não cristãs, também são dignas de todo o respeito, pois na doutrina moral de cada uma delas existe algo  de sublime,  capaz  de  levar  os  seus  profitentes ao  conhecimento  e à observância da Lei Natural estabelecida por Deus para a felicidade de todas as criaturas.

Ninguém contesta ser absolutamente indispensável habituar-nos, pouco a pouco, com a intensidade da luz para que ela não nos deslumbre ou encegueça. A Verdade, do mesmo modo, para que seja útil, precisa ser revelada de conformidade com o grau de entendimentode cada um dé nós. 

Daí não ter sido posta, sempre, ao alcance de todos, igualmente dosada. 

Para os que já alcançaram apreciável desenvolvimento espiritual, muitas crenças e cerimônias religiosas vigentes aqui, ali e acolá, parecerão absurdas, ou mesmo risíveis. Todas têm, todavia, o seu valor,porqüanto satisfazem à necessidade de grande número de almas simples que aelas ainda se apegam e nelas encontram o seu caminho para Deus. 

Essas almas simples não estão à margem da Lei do Progresso e, após uma série de novas existências, tempo virá em que também se libertarão de crendices e superstições para se nortearem por princípios filosóficos mais avançados. 

Por compreender isso foi que Paulo, em sua primeiraEpístola aos Coríntios (13:11), se expressou desta forma: 
“Quando eu era menino, falava como menino, julgava como menino, discorria como menino; mas, depois que cheguei a ser homem feito, dei de mão às coisas que eram de menino.” 

Kardec, instruído pelas vozes do Alto, diz-nos que  em todas as épocas e em  todos  os  quadrantes  da  Terra,  sempre  houve homens  de  bem  (profetas) inspirados  por  Deus  para  auxiliarem a  marcha  evolutiva  da  Humanidade. 

Destarte,  “para  o  estudioso,  não  há  nenhum  sistema  antigo  de filosofia, nenhuma  tradição,  nenhuma  religião,  que  seja despicienda,  pois  em  tudo  há germes  de  grandes  verdades que, se  bem  pareçam  contraditórias  entre  si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicaçãoque o Espiritismo dá de uma  imensidade  de  coisas  que  até  agora  se  nos afiguravam sem  razão alguma, e cuja realidade está irrecusàvelmente demonstrada”. 
(Capítulo 1º, questão 619 e seguintes.) 

Livro: AS LEIS MORAIS 
Rodolfo Calligaris 

Francisco Rebouças