“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” Paulo. (Gálatas, 5:25.)
Não está fácil para ninguém observar atitudes de gentileza nas relações que vivenciamos na agitada correria do nosso dia. Absorto pelos diversos compromissos sob nossa responsabilidade e pela pressa em resolvê-los, não nos damos conta de quantas vezes esquecemos os bons costumes e as boas atitudes para com o nosso semelhante, e, por isso mesmo, já não nos incomodamos muito com seu mau comportamento e suas más atitudes em relação a nós, afinal, como cobrar dos outros o que não oferecemos por nossa vez?
O fruto dessa falta de consideração mútua é a ausência de cordialidade, de afeto, de convívio saudável, e até mesmo a falta de educação gerando desavenças e desrespeitos que grassam na sociedade dita moderna, onde cada indivíduo parece ser único, não se importando com o que está acontecendo à sua volta, seja com seu parente, seu vizinho, colega de trabalho etc., exibindo em suas atitudes o quanto frondosa se encontra a árvore do egoísmo, na exibição dos frutos amargos da frieza e da indiferença, como se não necessitássemos uns dos outros para nada, a não ser, diante de alguém do qual esperamos obter algum favor ou alguma vantagem pessoal.
É cada vez mais visível pelo comportamento que exibimos o quanto nos faz falta o conhecimento e vivência do Evangelho de Jesus em nossas vidas, pois nele encontramos as sábias orientações sobre o verdadeiro sentido de nossa existência na Terra, lições que precisamos aprender e colocar em prática em nosso próprio benefício e de toda a comunidade em que estamos inseridos, conforme segue:
“O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.” (E.S.E. Cap. XVII – item 3 – O Homem de Bem). (1)
Precisamos urgentemente meditar sobre esse seu comportamento equivocado e irracional, para ver em cada criatura um irmão de quem também depende nossa própria elevação espiritual, pois fomos criados com a finalidade maior que é a perfeição em todos os sentidos, e que para isso não prescindimos da convivência salutar com o irmão de caminhada evolutiva, em constante troca de experiências, e com o qual muito temos que aprender que com nossos limitados recurso e conhecimentos, não seremos capazes de chegar ao nosso bendito destino traçado pela Inteligência Suprema que são a felicidade e a pureza espiritual, e observar que só através do trabalho árduo e constante da reforma íntima, buscando “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, nos promoveremos na escala hierárquica da criação universal.
O Evangelho de Jesus nos propõe a mudança de métodos e atitudes, para priorizar as virtudes do Espírito Imortal que dormem em nosso interior, sem as quais não conseguiremos construir a tão almejada paz interior, que os bens e conquistas materiais não são capazes de nos conceder, pois depois de alcançados passarão a segundo plano, surgindo imediatamente nova necessidade de conquista que por sua vez, com o passar do tempo também deixará de ser tão importante, e assim sucessivamente.
O gesto de gentileza em muitas situações pode evitar uma inimizade nascente, uma suspeita infundada, uma informação infeliz, abrindo horizontes novos e facilitando a compreensão e a concórdia à nossa volta, em vista disso, não devemos aguardar a gentileza dos outros para conosco, é necessário darmos o primeiro passo na plantação e no cultivo da semente da gentileza, que certamente produzirá colheita farta no porvir; nesse particular a doutrina espírita é rica de ensinamentos.
“Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam. Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.” (E.S.E. Cap. XVII – item 4 – Os Bons Espíritas).(2)
Urge, portanto, sejamos os primeiros a dar os passos em direção ao nosso irmão, utilizando-nos dos ensinos dos Espíritos Superiores, agindo sempre de forma gentil para com o nosso próximo, mesmo que ele não nos trate com gentileza, sigamos a meta de amar a todos sem esperar retribuição de quem quer que seja respeitando a maneira de agir e pensar de cada um, compreendendo nos irmãos ingratos e frios criaturas de corações ainda endurecidos, necessitados por isso mesmo de nossa maior cota de gentileza e compreensão. Dessa forma estaremos vivenciando a fraternidade conosco mesmo e com nosso semelhante, fazendo a parte que nos cabe, na construção de um mundo mais pacificado, harmônico e feliz.
Referências:(1) Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 106ª Edição – Cap. XVII, item 3; e
(2) Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 106ª Edição – Cap. XVII, item 4.
(2) Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 106ª Edição – Cap. XVII, item 4.
Francisco Rebouças
