De vez em quando ouvimos perguntas de pessoas que querem saber se a criatura humana é realmente livre, ao que respondemos de forma afirmativa acrescentando que o homem é livre para usar o seu arbítrio da forma que desejar, mas estará ligado inevitavelmente aos efeitos danosos ou proveitosos de suas próprias ações, conforme afirmativa de Jesus “A cada um segundo as suas obras”. (1)
Meditemos tanto quanto possível com toda atenção e examinemos alguns efeitos dessa sementeira e sua consequente colheita, ou seja, o emprego do livre arbítrioe seus efeitos no destino do espírito encarnado em prova ou expiação na Terra, a caminho da sua purificação e elevação moral espiritual.
Comecemos pelo desejo de posse que todo ser humano aspira possuir, os Espíritos Superiores nos esclarecem que somos livres para conquistar e reter quaisquer posses que as nossas leis terrestres nos facultem, de forma responsável desde que sejam para utilização com equilíbrio e sem excessos em nosso próprio favor e em benefício de todos; mas, se abusarmos delas fomentando, pelo egoísmo, a penúria dos semelhantes, teremos como resposta das Leis Divinas a medicação amarga das provações com as quais aprenderemos a acender em nosso mundo íntimo a chama viva da luz da abnegação.
No campo das transações comerciais, temos liberdade para efetuar as operações que nos sejam mais aprazíveis, mas precisamos realizar nossas atividades profissionais com real proveito para o nosso progresso e conforto, sem nos esquecer da clientela que nos garante o êxito do empreendimento; mas, se arruinamos a economia dos outros com a finalidade de auferir lucros exagerados, causando com essa atitude prejuízo visível ao próximo, encontraremos nas Leis Divinas o corretivo das provações com que aprenderemos desenvolver em nosso interior a bendita luz da retidão.
Na área do Conhecimento pelo estudo, gozamos da liberdade de ler e estudar tudo o que quisermos para conquistar a sabedoria a fim de falar ou escrever com conhecimento de causa, mobilizando os recursos culturais conquistados em auxílio daqueles que nos partilham a romagem terrestre; mas, se elegemos os valores da inteligência a serviço do mal, arruinando a existência dos nossos irmãos em humanidade, com o objetivo de incitar o próprio orgulho, encontraremos nas Leis Divinas o convite ao reajuste pelas provações com as quais aprenderemos acender em nosso templo interno a luz do discernimento, porque ninguém em sã consciência pode esperar conquistar direitos sem obrigações e nem equilíbrio sem paz em seu mundo interior.
Foi por essa razão que Jesus nos, afirmou claramente: ― “Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”. (2)
No campo do trabalho somos independentes para abraçar as tarefas que mais nos afeiçoarmos para dignificar o desejo de nos tornar seareiros do progresso na construção da felicidade geral; mas se dilapidamos o dom de empreender e agir na sustentação de atitudes infelizes para favorecer nossos interesses menos dignos encontraremos nas Leis Divinas os efeitos retificadores das provações pelos quais aprenderemos a ligar em nosso Ser a chama brilhante da caridade.
Concluímos assim, que somos livres para fazer o que desejarmos da forma que escolhermos, mas não nos furtaremos da colheita obrigatória dos resultados felizes ou infelizes das nossas próprias ações.
Por essa razão, Joanna de Ângelis nos solicita:
“Vive sempre em paz.
Uma consciência tranquila, que não traz remorsos de atos passados, nem teme ações futuras, gera harmonia.
Nada de fora perturba um coração tranquilo, que pulsa ao compasso do dever retamente cumprido.
A paz merece todo o teu esforço para consegui-la.” (3)
A Doutrina Espírita nos esclarece que as Leis Divinas mantêm os princípios da Justiça ativos em todo o Universo, não se resumindo a Céu e Inferno com castigos e privilégios de ordem exterior. A reencarnação é o sábio mecanismo que Deus instituiu por misericórdia para nos conceder a oportunidade de modificar e retificar procedimentos equivocados de outrora, a fim de fazermos jus à paz e a felicidade que estamos destinados. Urge atentarmos para as sábias palavras de Jesus, quando nos asseverou: “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”. (4)
Referências:(1) Mateus- 16: 17.
(2) João- 8: 32.
(3) Franco, Divaldo, pelo Espírito Joanna de Ângelis. Livro: Vida Feliz – Cap. VIII.
(4) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – F.E.B. 112ª edição – Cap. IV.
(2) João- 8: 32.
(3) Franco, Divaldo, pelo Espírito Joanna de Ângelis. Livro: Vida Feliz – Cap. VIII.
(4) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – F.E.B. 112ª edição – Cap. IV.
Francisco Rebouças
