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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Iluminação espiritual: nosso dever maior

Identificamos, facilmente, em nós mesmos, muitos defeitos que nos caracterizam o progresso moral ainda bastante deficitário, mas não podemos deixar de registrar também que, apesar de tudo, já amealhamos algumas bênçãos com o amparo dos abnegados trabalhadores da seara do Mestre de todos nós.
Reconhecemos estar bem longe da situação desejada de uma vida pautada nos exemplos e ensinos de Jesus, mas já despertamos para a necessidade de nos matricularmos na escola do bem, aprendendo a evitar as investidas do mal; que não dispomos da sabedoria que nos ajudaria a evitar incontáveis dissabores, mas já entendemos a importância e a necessidade do estudo, fonte segura para adquirirmos os valores imperecíveis do Espírito Imortal que somos em busca do nosso aperfeiçoamento.
Entendemos perfeitamente que vivenciamos na atualidade as dificuldades oriundas de nossas escolhas irresponsáveis do passado, gerando as aflições que nos estão sendo debitadas em suaves prestações, para a nossa perfeita harmonização da consciência diante das Leis Divinas, que nos solicitam apenas “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Sabemos que a nossa destinação é a felicidade proporcionada pela paz da consciência harmonizada com as Leis Divinas que regem os nossos destinos na relação com o universo, pois tudo está interligado como nos afirmam os Espíritos Superiores, do átomo ao arcanjo.
Dessa forma, o trabalho no bem e a caridade em favor de nosso próximo são os caminhos a serem seguidos por todo discípulo sincero de Jesus, em busca da iluminação espiritual conforme nos preceitua a Doutrina Espírita – “fora da caridade não há salvação”.
Em O Livro dos Espíritos encontramos as explicações sobre o que representam o amor e a caridade na vida de cada um de nós, conforme a seguir:
Caridade e amor do próximo 
886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.
O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.
A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa. (1)
Urge compreendamos que até mesmo na prática da caridade precisamos observar os preceitos estabelecidos pelo amor, que determina seja a caridade realizada com o sincero desejo de ser útil ao semelhante e de vê-lo vencer suas dificuldades, sem nenhum outro tipo de interesse, seguindo as instruções dos Mensageiros Celestes na Doutrina que nos direciona a vida.
893. Qual a mais meritória de todas as virtudes?
“Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores.
A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.” (2)
Referências Bibliográficas:
(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos – F.E.B. 76ª edição.
(2) Idem, Idem.
Francisco Rebouças