Solidarity Spiritist Societ

domingo, 4 de dezembro de 2016

Conflitos pessoais

Nesse  empreendimento  de  ascensão  inevitável,  o ser  depara-se com  as  construções  do  seu  passado nele  insculpidas,  que  se exteriorizam  amiúde, afligindo-o,  limitando-o.  Apresentam-se, essas fixações, como conflitos nas paisagens íntimas, ameaçando a  sua  realização,  a  alegria  do trabalho, a  harmonia  da convivência  com  outras  pessoas, transformando-se  com facilidade  em  complexos  perturbadores na área  da  emoção  e  do comportamento.

Não se podem negar os fatores responsáveis por tais distúrbios, a começar  pelos  comportamentos da  gestante,  afetando  o  ser  na vida  intrauterina  e  culminando  com  a  convivência  em  família, particularmente  com  pais  dominadores,  mães  castradoras, neuróticas,  que  transferem  as  suas inseguranças  e  todos  os outros  conflitos  para  os  filhos  em  formação,  que  se  tornam fragilizados  sob  a  alta  carga  de  tensões  que  se  veem obrigados a suportar.  Por  outro  lado,  as pressões  sociais  e  econômicas, culturais  e  educacionais  se  transformam  em  gigantes apavorantes que passam a perseguir com insistência o educando, que  absorve esses  fantasmas e  não os  digere  vindo  a  temê-los, a detestá-los  e  a  conduzi-los  por  toda  a  existência,  quando  não recebeu  conveniente  tratamento.  E  certo  que  o  Espírito  renasce onde  se  lhe  torna  melhor  para o  processo  da  evolução.  Como, todavia,  ninguém  vem  à  Terra  para  sofrer,  senão  para  reparar, adquirir  novas  experiências,  desenvolver  aptidões,  crescer interiormente,  todos  esses  empecilhos que  defronta  fazem  parte da sua proposta de educação, devendo equipar-se de valores e de discernimento  para  superá-los  e,  livre  de  toda  constrição restritiva à sua liberdade, avançar com desembaraço na busca da sua afirmação plenificadora.

Esta é, sobretudo, a função da Psicologia, ao penetrar o âmago do ser,  para  o  desalgemar  dos conflitos  e  heranças  infelizes  que lhe pesam na economia emocional.

Sigmund  Freud,  o  insigne  Pai  da  Psicanálise,  afirmava  com razão  muito  pessoal  que,  na  raiz de  todo  conflito  neurótico, sempre existe um problema da libido. Não se pode descartar essa manifestação  recalcada  da  libido,  nos  diversos  comportamentos perturbadores  que  afetam  a criatura  humana.  Isso  porque, remanescente das suas experiências coevas, o ser renasce sob as injunções das condutas pelas quais transitou.

No  complexo  de  Edipo,  por  exemplo,  detectamos  uma  herança reencarnacionista,  tendo  em vista  que  a  mãe  e  o  filho apaixonados  de  hoje  foram  marido  e  mulher  de  antes,  em cujo relacionamento  naufragaram  desastradamente.  No  complexo  de Eletra,  deparamos  uma  vivência ancestral  entre  esposos  ou amantes,  e  que  as  Soberanas  Leis  da  Vida  voltam  a  reunir em outra  condição  de  afetividade,  a  fim  de  que  sejam  superados os vínculos anteriores de conduta sexual aflitiva.

Esses amantes reencontrando-se e guardando no inconsciente, isto é,  no  Espírito,  as reminiscências das  atividades  vividas  sob tormentos, sentem os apelos de ontem reaparecerem vibrantes, e, não possuindo  uma  forte  conduta  moral,  derrapam  nas  relações incestuosas, portanto infelizes.

Mesmo  nos  complexos  de  inferioridade  como  nos  de superioridade,  ressurge  o  passado espiritual  dominador, provocando  os  estados  mórbidos,  que  levam  ao  desequilíbrio, a um passo  da  alienação  mental.  Não  deixamos  de  ter  em  vista os fatores  familiares,  educacionais, sociais,  que  pesam  na manifestação  dessas  perturbações,  constituindo-se  estímulos  ao seu surgimento,  piorando  as  tendências  inquietadoras,  sulcando a psique de forma poderosa.

Nos  quadros  fóbicos,  podemos  encontrar  Espíritos  que conduzem,  no  íntimo,  pavores  que sobreviveram  ao  fenômeno biológico da reencarnação, cicatrizes do mundo espiritual inferior por onde  transitaram,  ou  do  despertamento  na  sepultura,  em face  das  mortes  aparentes,  havendo desencarnado,  em consequência,  por  falta  de  oxigênio,  e  que  re-experimentam  o tormento começa na claustrofobia. Outrossim, as recordações de cenas  apavorantes  de  que  participaram  na multidão  como vítimas ou desencadeadores, revivem-nas, inconscientemente, na agorafobia.

Nas  psicoses  depressivas  de  vária  manifestação,  convém lembrar  a  presença  da  consciência  de culpa,  que  preexiste  ao corpo,  portanto,  à  formação  psicológica  atual,  produzindo mecanismos de fuga à ação dinâmica, sob o império, não poucas vezes,  de  enzimas  neuroniais  responsáveis pelo  desajuste,  como de  fatores  causais  próximos  e  mesmo  de  obsessões  espirituais, que  se fazem  atuantes  no  comércio  mental  com  as  criaturas humanas.

Nesse  capítulo,  as  dolorosas  obsessões  compulsivas  têm  suas raízes  etiopatogênicas  em  graves condutas  do  Espírito  nas existências  pretéritas,  assinaladas  pelo  descaso  à  dignidade humana, por desrespeito às leis constituídas...

Quando  a  educação  tiver  como  objetivo  a  construção  do homem integral, os fatores de perturbação cederão lugar a outros tipos  de  estímulos,  que  são  os  edificadores  da  esperança, mantenedores  das  aspirações  elevadas,  no  esforço  para  a superação das heranças doentias que cada um traz em si mesmo.

Livro: Vida: Desafios e Soluções
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis

Francisco Rebouças