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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Refugia-te em paz

“Havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo para comer.” (Marcos, 6:31.)

O convite do Mestre, para que os discípulos procurem lugar a parte, a fim de repousarem a mente e o coração na prece, é cada vez mais oportuno.

Todas  as  estradas  terrestres  estão  cheias  dos  que  vão  e  vem atormentados  pelos  interesses  imediatistas,  sem  encontrarem tempo  para  a  recepção  de  alimentação  espiritual.  Inúmeras pessoas atravessam a senda, famintas de ouro, e voltam carregadas de desilusões. Outras muitas correm, às aventuras, sedentas de novidade emocional, e regressam com o tédio destruidor.

Nunca houve no mundo tantos templos de pedra, como agora, para as manifestações de religiosidade, e jamais apareceu tamanho volume de desencanto nas almas.

A legislação trabalhista vem reduzindo a atividade das mãos, como  nunca;  no  entanto,  em  tempo  algum  surgiram  preocupações tão angustiosas como na atualidade.

As máquinas  da  civilização  moderna  limitaram  espantosamente o esforço humano, todavia, as aflições culminam, presentemente, em guerras de arrasamento científico.

Avançou a técnica da produção econômica em todos os setores,  selecionando  o  algodão  e  o  trigo  por  intensificar-lhes  as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário.

Aprimoraram-se  as  teorias  sociais  de  solidariedade  e  nunca houve tanta discórdia.

Como  acontecia  nos  tempos  da  permanência  de  Jesus  no  apostolado,  a  maioria  dos  homens  permanece  no  vai-e-vem  dos caminhos, entre a procura desorientada e o achado falso, entre a mocidade  leviana  e  a  velhice  desiludida,  entre  a  saúde  menosprezada e a moléstia sem proveito, entre a encarnação perdida e a desencarnação em desespero.

Ó meu amigo, se adotaste efetivamente o aprendizado com o Divino Mestre, retira-te a um lugar à parte, e cultiva os interesses de tua alma.

É possível que não encontres o jardim exterior que facilite a meditação, nem algum pedaço de natureza física onde repouses do cansaço  material,  todavia,  penetra  o  santuário,  dentro  de  ti mesmo.

Há  muitos sentimentos que te animam há séculos, imitando, em teu íntimo, o fluxo e o refluxo da multidão. Passam apressados de  teu  coração  ao  cérebro  e  voltam  do  cérebro  ao  coração, sempre os mesmos, incapacitados de acesso à luz espiritual. São os  princípios  fantasistas  de  paz  e  justiça,  de  amor e  felicidade que  o  plano  da  carne  te impôs.  Em certas  circunstâncias  da experiência  transitória,  podem  ser  úteis,  entretanto,  não  vivas exclusivamente  ao  lado  deles.  Exerceriam sobre ti  o cativeiro infernal.

Refugia-te no templo à parte, dentro de tua alma, porque somente aí encontrarás as verdadeiras noções da paz e da justiça, do amor e da felicidade reais, a que o Senhor te destinou.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças