Meus amigos, por estar muito na moda esse tema, e por me serem endereçadas muitas perguntas sobre o assunto, republico esse meu artigo de 2005, sem a pretensão de estar dizendo a última palavra, mas absolutamente convicto do que aqui exponho.
José Francisco Costa Rebouças
Como espírita que somos,
procuramos dedicar toda a atenção aos ensinamentos da nossa doutrina, com a
intenção de externar nossa própria interpretação sobre os diversos temas
abordados por ela, perfeitamente fundamentados nos conceitos contidos na
codificação do espiritismo, visto que, encontramos vários assuntos, que são
comentados por muitos dos nossos confrades de maneira a nos deixar, perplexos,
sem compreender o que dizem, pois, por mais que pesquisemos, não conseguimos
encontrar respaldo na codificação elaborada pelos imortais da vida maior e tão
bem realizada por Allan Kardec no Pentateuco espírita, para
justificar tais interpretações.
Refiro-me, por exemplo, a um dos
assuntos mais discutidos e que provoca bastante polêmica entre os espiritistas,
por se tratar de alguém tão importante para nós e que é o grande responsável
pela doutrina que professamos o “Espírito de Verdade”. Que muitos
sustentam a opinião, de que se trata de uma falange de
espíritos que reunidos firmaram os conceitos da codificação, no que discordamos,
pois temos a certeza pelo que encontramos noticiado nas obras espíritas, que
é o próprio Jesus quem usa de tal denominação para se exprimir em
diversas mensagens suas contidas nas obras básicas de Espiritismo.
Pois bem, quando digo que somos
espíritas é porque só admito verdadeiramente discutir qualquer título, sob a
ótica espírita, se claro, estiver fundamentado nos ensinos contidos na
codificação e, pesquisando-a, podemos verificar que O Espírito de Verdade, se
manifesta isoladamente em várias comunicações contidas no Evangelho Segundo o
Espiritismo e, em outras tantas encontramos nomes de grandes trabalhadores
desta obra insuperável como: Santo Agostinho, São Luiz, Fénelon, etc..., que
fizeram parte da coletividade dos mensageiros do Mestre, sem assinarem suas
comunicações como o Espírito de verdade, e sim utilizando o nome de suas
individualidades anteriormente conhecidas.
Observando atentamente o contido no
Livro dos Espíritos, exatamente no último parágrafo dos Prolegômenos, não temos
qualquer dúvida quanto ao que afirmamos, pois entre as diversas personalidades
do mundo maior, citadas como participantes ativos da obra, está alguém que se
denomina simplesmente como O Espírito da Verdade, conforme segue:
“Lembra-te de que os Bons Espíritos só
dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que
repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as
coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a
ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu
lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para
fazer perceptível a luz.”
São João Evangelista, Santo Agostinho,
São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade,
Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc.
Analisando o que acima está exposto,
perguntamos: quem seria capaz de se proclamar O Espírito da Verdade, senão ele
que nos asseverou em (João 14/6), “eu sou o caminho a verdade e
a vida, ninguém vai ao pai senão por mim”?
Passamos agora ao contido na Revista
espírita, que aqui selecionamos:
1) Revista Espírita 1861, pág.305, o
Espírito Erasto sob o título; Epístola de Erasto aos Espíritas Lioneses, lida
no banquete de 19 de setembro de 1861, nos diz:
“Não pederíeis crer o quanto estou
orgulhoso em distribuir, a todos e a cada um, os elogios e os encorajamentos
que o Espírito de verdade, nosso mestre bem amado, me
ordenou conceder às vossas piedosas coortes: a ti, Diloud, a
ti, sua digna companheira e a todos vossos devotados missionários que derramais
os benefícios do Espiritismo, obrigado pelo vosso concurso e pelo vosso zelo”.
2) Revista Espírita 1864, pág.16, O
Espírito Hahnemann, sob o Título; Um caso de Possessão – Senhorita Julie,
relata:
“Essas obsessões frequentes terão
também um lado muito bom, naquilo que sendo penetrada pela prece e pela força
moral, pode-se fazê-la cessar e adquirir o direito de expulsar os maus
Espíritos, cada um procurará, pela melhoria de sua conduta adquirir esse
direito que o Espírito de Verdade, que dirige este globo,
conferirá quando for merecido. Tende fé e confiança em Deus, que não permite
que se sofra inutilmente e sem motivo”.
3) Revista Espírita 1864, págs. 399, O
Espírito de verdade, sob o título; Comunicação Espírita nos afirma:
"Há várias moradas na casa de
meu Pai, eu lhes disse há dezoito séculos. Estas palavras o Espiritismo veio fazer
compreendê-las.
E vós, meus bem-amados, trabalhadores
que suportais o ardor do dia, que credes ter a vos lamentar da injustiça da
sorte, bendizei vossos sofrimentos; agradecei a Deus que vos dá os meios de
quitar as dívidas do passado; orai, não dos lábios, mas do vosso coração
melhorado, para vir tomar, na casa de meu Pai a melhor
morada; porque os grandes serão rebaixados; mas, vós o sabeis, os pequenos e os
humildes serão elevados”.
4) Revista Espírita 1866, pág. 222, sob
o título; Qualificação de Santo aplicada a certos espíritos, ensina:
“ O Espírito que ditou a comunicação
acima é, pois, muito absoluto no que concerne a qualificação de santo, e
não está na verdade dizendo que os Espíritos superiores se dizem simplesmente
Espíritos de Verdade, qualificação que não seria senão um orgulho
mascarado sob outro nome, e que poderia induzir em erro se tomado ao pé da
letra, porque ninguém pode se gabar de possuir a verdade absoluta, não mais do
que a santidade absoluta. A qualificação de Espírito de verdade,
não pertence senão a um e pode ser considerada como nome
próprio; ela é especificada no evangelho. De resto, esse
Espírito se comunica raramente, e somente em circunstâncias especiais;
deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse
título: são fáceis de se reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua
linguagem”.
5) Revista Espírita 1867, pág 271, sob
o título; Caracteres da Revelação Espírita, descreve:
“Ora, como é o Espírito de
verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a
promessa de seu advento se encontra do mesmo modo realizada, porque, por consequência,
ele é que é o verdadeiro Consolador.
6) Revista Espírita 1868, pág.49, o
espírito LAMENNAIS, sob o título; Espíritos Marcados, esclarece:
“Sim, meus filhos, o povo caminhará
mais depressa na nova mensagem anunciada pelo próprio Cristo, e
todos virão escutar essa divina palavra, porque nela reconhecerão a
linguagem da verdade e o caminho da salvação. Deus que permitiu
esclarecer, sustentar vossa caminhada até esse dia, nos permitirá ainda vos dar
as instruções que vos são necessárias”.
7) Revista Espírita 1868, pág. 51, o
espírito ERASTO, sob o título Futuro do Espiritismo; informa:
"Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo,
a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho
imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio
ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do
Espírito de Verdade, meu senhor e o vosso".
A seguir, passamos a transcrever
trechos do contido em outras obras da codificação do espiritismo, para melhor
fundamentarmos nossa afirmação em relação ao assunto em pauta:
8) Logo no primeiro Capítulo do
Evangelho Segundo o Espiritismo, no item 7, encontramos o que abaixo
transcrevemos:
“Assim como o Cristo disse: "Não
vim destruir a lei, porém cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não
venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em
contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em
termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem
cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização
das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside,
conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de
Deus na Terra”.
9) observemos agora, o teor da mensagem
do Espírito de Verdade, relatada no Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo
VI; item 5:
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
Advento do Espírito de Verdade
Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos
a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O
Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra,
tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus
bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei
a doutrina divinal.
Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem
esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis."
Mas, ingratos, os homens afastaram-se
do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e
enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a
raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é,
mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente,
e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que
já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a
ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que
houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro.
Homens fracos, que compreendeis as
trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina
vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos
perdidos, ao regaço de vosso Pai.
Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas
misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora
aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede,
amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a
boa semente, as utopias com as verdades.
Espíritas! amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo
encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se
enraizaram. Eis que do além-túmulo, que
julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! Nada perece. Jesus-Cristo é o
vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - O Espírito de
Verdade. (Paris, 1860.)
10) Livro dos Médiuns Capítulo IV; item
48:
Sistema unispírita, ou mono-espírita.
“Como variedade do sistema otimista, temos
o que se baseia na crença de que um único Espírito se comunica com os homens, sendo
esse Espírito o Cristo, que é o protetor da Terra. Diante das
comunicações da mais baixa trivialidade, de revoltante grosseria, impregnadas
de malevolência e de maldade, haveria profanação e impiedade em supor-se que
pudessem emanar do Espírito do bem por excelência. Se os que
assim o creem nunca tivessem obtido senão comunicações inatacáveis, ainda se
lhes conceberia a ilusão. A maioria deles, porém, concordam em que têm recebido
algumas muito ruins, o que explicam dizendo ser uma prova a que o bom Espírito
os sujeita, com o lhes ditar coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem
todas as comunicações ao diabo, que pode dizer coisas excelentes para tentar,
pensam outros que só Jesus se manifesta e que pode
dizer coisas detestáveis, para experimentar os homens. Entre estas duas
opiniões tão opostas, quem sentenciará? O bom-senso e a experiência. Dizemos: a
experiência, por ser impossível que os que professam ideias tão exclusivas tudo
tenham visto e visto bem.
Quando se lhes objeta com os fatos de
identidade, que atestam, por meio de manifestações escritas, visuais, ou
outras, a presença de parentes ou conhecidos dos circunstantes, respondem que é
sempre o mesmo Espírito, o diabo, segundo aqueles, o Cristo, segundo
estes, que toma todas as formas. Porém, não nos dizem por que motivo os
outros Espíritos não se podem comunicar, com que fim o Espírito da
Verdade nos viria enganar, apresentando-se sob falsas aparências,
iludir uma pobre mãe, fazendo-lhe crer que tem ao seu lado o filho por quem
derrama lágrimas. A razão se nega a admitir que o Espírito, entre
todos santo, desça a representar semelhante comédia.
Demais, negar a possibilidade de qualquer outra comunicação não importa em
subtrair ao Espiritismo o que este tem de mais suave: a consolação dos aflitos?
Digamos, pura e simplesmente, que tal sistema é irracional e não suporta exame
sério”.
11) Gênese Capítulo I – item 42:
“Demais, se se considerar o poder
moralizador do Espiritismo, pela finalidade que assina a todas as ações da
vida, por tornar quase tangíveis as consequências do bem e do mal, pela força
moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições, mediante inalterável
confiança no futuro, pela ideia de ter cada um perto de si os seres a quem
amou, a certeza de os rever, a possibilidade de confabular com eles; enfim,
pela certeza de que tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência,
sabedoria, moralidade, até à última hora da vida, não fica perdido, que tudo
aproveita ao adiantamento do Espírito, reconhece-se que o Espiritismo realiza
todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora,
como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento da
regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida,
porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador”.
12) Gênese Capítulo XVII – item 37:
“As religiões que se fundaram no
Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda a verdade, porquanto ele,
Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos”.
13) Gênese Capítulo XVII – item 39:
“O Consolador é, pois, segundo o
pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo
inspirador há de ser o Espírito de Verdade”.
14) Obras Póstumas – Segunda parte, 13ª
edição:
Perguntas de Kardec, páginas:
271/272/274/275;
a) Reconhecê-lo-ei, depois de minha
morte, no mundo dos Espíritos?
Resposta: Sobre isso não pode haver
dúvida; será ele quem virá receber-te e felicitar-te, se houveres desempenhado
bem tua tarefa.
b) Meu espírito familiar, quem quer que
tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem
és?
Resposta: Para ti chamar-me-ei A
VERDADE e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei
à tua disposição.
c) Terás animado na terra alguma
personagem conhecida?
Resposta: Já ti disse que, para
ti sou A VERDADE; isto, para
ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.
Outras Obras Complementares:
15) Livro, Missionários da Luz –
Capítulo 9:
O sábio instrutor Alexandre esclarece:
- “Mediunidade constitui “meio de comunicação”, e o próprio Jesus nos afirma:
“eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e
achará pastagens”! Porque audácia incompreensível imaginais a
realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio
Senhor?” Ouvi-me irmãos meus!... Se vos dispondes ao serviço divino, não
há outro caminho senão Ele, que detém a infinita luz da verdade e a
fonte inesgotável da vida! Não existe outra porta para a mediunidade celeste,
para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no recôndito santuário do
coração! Somente através d’ELE, vivendo-lhe as sublimes lições, alcançareis a
sagrada liberdade de entrar nos domínios da Espiritualidade e deles sair,
conquistando o pão eterno que vos saciará a fome para sempre. Sem o
Cristo, a mediunidade é simples “meio de comunicação” e nada mais, mera
possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se
também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes”.
Diante do que aqui expomos, extraídos
do contido na codificação espírita, sem pretensão de nos proclamar os donos da
verdade, pois sabemos perfeitamente que só o Cristo pode ostentar esse título,
e respeitando as opiniões dos que pensam contrariamente a nós, não podemos
deixar de enfatizar que nossa afirmativa tem respaldo nos ensinos do
consolador.
Esperamos, ter contribuído para
elucidar definitivamente essa dúvida, e doravante seguirmos confiantes e
convictos os ensinamentos da doutrina espírita, na absoluta certeza de que o
próprio Senhor Jesus é, “O Espírito de Verdade”.
Francisco Rebouças