Para entender o incômodo problema da dor, ninguém despreze a responsabilidade que lhe compete, acreditando-se uma simples vítima.
Deus, a Inteligência Suprema, causa primária de tudo e de todos, elaborou as Leis de Justiça, em consonância com a Lei de Amor e Caridade, resumida por Jesus em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, e a doutrina espírita enfatiza os ensinos do Mestre quando nos esclarece em sua máxima “fora da caridade não há salvação”.
Como o perfeito não pode conter imperfeição, nas Leis de Deus acham-se inseridos todo equilíbrio e a justiça, que ainda não conseguimos entender por completo o seu sublime mecanismo, e dessa forma, nos resta crer que todo sofrimento representa um resgate ou uma prova para as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos espíritos esclarecidos e amorosos em nosso proveito e em nome desse Pai amoroso e Justo.
No Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos ensinamentos a respeito do assunto, conforme segue.
“A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos Espíritos.”¹
Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência para amenizar a dor causada pela mente em desequilíbrio, e é nessa hora que terá oportunidade de entender que a Dor pode representar o remédio mais valioso para sua situação, e a reencarnação é o caminho em que ele vai encontrá-la.
“De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.” ²
Dessa forma, a Justiça Divina lhe concede a oportunidade de refazer o que fez mal feito, construir o que destruiu etc., através do trabalho no de desenvolvimento dos valores morais que dormitam no íntimo Ser imortal que somos.
Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza; quem relaxou a saúde física clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste; quem se associou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade; quantos se utilizaram da inteligência para infelicitar seu semelhante, suplica as inibições mentais do cérebro em desalinho, como serviço indispensável à própria restauração.
A ninguém, cabe o direito de reclamar o tipo de experiência que escolheu vivenciar na Terra, em benefício de sua própria harmonização ante as sábias e justas Leis de Deus, e em momento algum, deve se deixar contaminar pelo tóxico envenenado do desânimo no trabalho que a Justiça Divina nos concede hoje, como possibilidade de construir a paz de Espírito que tanto almejamos desfrutar.
Referências:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, F.E.B. 112ª edição – Cap. V, item 3; e (2) … item 4.
(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, F.E.B. 112ª edição – Cap. V, item 3; e (2) … item 4.
Francisco Rebouças