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sábado, 14 de maio de 2016

O ETERNO CAMINHEIRO

     Rodrigues De Abreu
Nos abismo da treva que passaram,
Duas sombras estranhas se encontraram.
Uma, a lama, a outra a dor. Ambas na estrada
Que provinha da estática do nada...

Na paisagem disforme, triste e quieta,
Deram princípio à angústia do planeta,
Porque o Pai da criação, no sexto dia,
Para formar Adão no mundo de agonia,

Tomou da lama e a dor a estranha contextura
Para dar forma e corpo à vida da criatura.
Preso à carne de dor, desde o passado,
O homem foi sempre o ser inadaptado,

Cheio de febres de ânsia, de esperança
É saudade dos mundos da bonança.
É, por isso, é o eterno caminheiro
Que chora e luta pelo mundo inteiro.
 
Livro: Lira Imortal
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças