Reunião pública de 30/3/59
Questão nº 624
Questão nº 624
Acautela-te em atribuir aos falsos profetas o fracasso
de teus empreendimentos morais.
Recorda que todos somos tentados, segundo a espécie de
nossas imperfeições.
Não despertarás a fome do peixe com uma isca de ouro,
nem atrairás a atenção do cavalo com um prato de pérolas, mas, sim,
ofertando-lhes à percepção leve bocado sangrento ou alguma concha de milho.
Desse modo, igualmente, todos somos induzidos ao erro,
na pauta de nossa própria estultícia.
Dominados de orgulho, cremos naqueles que nos incitam à
vaidade e, sedentos de posse, assimilamos as sugestões infelizes de quantos se
proponham explorar-nos a insensatez e a cobiça.
É preciso lembrar que todos somos, no traje físico ou
dele desenfaixados, espíritos a caminho, buscando na luta e na experiência os
fatores da evolução que nos é necessária, e que, por isso mesmo, se já somos
aprendizes do Cristo, temos a obrigação de buscar-lhe o exemplo para metro
ideal de nossa conduta.
Não vale, assim, alegar confiança na palavra de quantos
nos sustentem a fantasia, com respeito a fictícios valores de que sejamos
depositários, no pressuposto de que venham até nós, na condição de
desencarnados; pois que a morte do corpo é, no fundo, simples mudança de
vestimenta, sem afetar, na maioria das circunstâncias, a nossa formação
espiritual.
“Não creias, desse modo, em todo Espírito” – diz-nos o
Apóstolo –, porquanto semelhante atitude envolveria a crença cega em nossos
próprios enganos, com a exaltação de reiterados caprichos.
O ouvido que escuta é irmão da boca que fala.
Ilusão admitida é nossa própria ilusão.
Apetite insuflado é apetite que acalentamos.
Mentira acreditada é a própria mentira em nós.
Crueldade aceita é crueldade que nos pertence.
De alguma sorte, somos também a força com a qual
entramos em sintonia.
Procuremos, pois, o Mestre dos mestres como
sendo a luz de nosso caminho. E cotejando, com as lições dEle, avisos e
informes, mensagens e advertências que nos sejam endereçados, desse ou daquele
setor de esclarecimento, aprenderemos, sem sombra, que a humildade e o serviço
são nossos deveres de cada hora, para que a verdade nos ilumine e para que o
amor puro nos regenere, preservando-nos, por fim, contra o assédio de todo mal.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças