O homem tem necessidade de enfrentar desafios.
São eles que o impulsionam ao crescimento, ao desenvolvimento de suas aptidões
e potencialidades, sem o que permaneceria sem objetivo, relegando-o ao letargo,
à negação da própria mecânica da vida que se expressa como evolução.
A medida
que se lhe vai operando o amadurecimento psicológico, mais amplas perspectivas
surgem nas suas paisagens mentais em forma de aspirações que se transformam
em lutas motivadoras da existência. Cada etapa vencida faculta novos rumos a
percorrer e o seu transcurso é realizado a esforço que o ideal do sucesso
propõe. A princípio são metas próximas, não obstante se possam ambicionar
outras mais expressivas, mesmo que remotas, porém prenunciadoras de vitórias
imediatas.
O que está próximo e fácil não constitui grande
desafio nem forte motivação para ser conseguido, pois sucede com mínimo
esforço, deixando, quando logrado, um certo travo de frustração.
Enquanto
se acalentam ambições nos padrões da realidade do possível, se vive motivado
para prosseguir. O seu desaparecimento faz-se morte existencial. Dessas
objetivações realizáveis surgem projetos mais audaciosos, considerados então
impossíveis, que a tenacidade e a inteligência ao esforço conseguem alcançar.
A
conquista da roda inicialmente mudou a fase do planeta. A fundição dos metais,
a eletricidade e suas inumeráveis aplicações alteraram completamente o mundo
terrestre, que deixou de ser conforme se apresentava para ressurgir com aspecto
totalmente novo. Os desafios do micro e do macrocosmo, que estão sendo
vencidos, alteram, com os recursos avançados da ciência e da tecnologia, a
cultura, a civilização e a vida nas suas diversas expressões.
Certamente,
a precipitação emocional, as graves patologias orgânicas, psicológicas e
psíquicas, algumas resultado dos atavismos e das fixações ancestrais, não
permitiram, por enquanto, que se instale na sociedade a felicidade, nem no
próprio indivíduo a harmonia, o prazer não agressivo nem extravagante. A
morbidez que campeia tem-nos dificultado.
Apesar
dos sucessos conseguidos em muitos setores, outros permanecem obscuros,
aguardando. Pasos audaciosos já foram dados, favorecendo o bem-estar e
ampliando os horizontes existenciais.
Lenta,
mas seguramente, o homem sai da caverna, tem sucesso ao diminuir as sombras
por onde transita e desenha um radioso futuro. Os vestígios de barbarismo, o
predomínio da natureza animal, a perseverança da apatia, vão sendo substituídos
pelos anelos de liberdade, pelos ideais de auto-iluminação, de progresso, de
amor, que se lhe desdobram no imo como um hino de alegria, uma saudação
estuante de júbilo, um êxito em relação às condições hostis e às tendências
perturbadoras.
Saturado
do habitual aspira pelo inusitado. Apaixonado pelo bom, pelo nobre, pelo belo
liberta-se, a esforço que supera a vulgaridade, o tédio, o ego dominador.
Harmoniza o Self com o Cosmos e busca integração no conjunto geral, sem perda
de identidade, nem de individualidade.
O sucesso é sempre o prêmio para quem luta e
aspira por ascensão, poder, destaque. Não se tratam de buscas egóicas, mas de
instrumentos de uso para conseguir a vigência dos ideais.
O poder é ferramenta neutra. A aplicação que lhe
é dada responde pelos efeitos que produz. Proporciona os meios hábeis para as
realizações, abrindo portas e ensanchas, a fim de que a vida se torne mais
significativa.
Ter,
possuir para manter-se com dignidade, em segurança econômica, social,
emocional, é um sentido existencial através do qual se harmonizam algumas
necessidades psicológicas.
Qualquer
tipo de carência aflige, e quando se faz pronunciada, expressando-se em um meio
social ou em uma situação econômica angustiante leva a crises desestruturadoras
do comportamento.
O sucesso
significativo, porém, se expressa como a atitude de equilíbrio entre o
conseguir e o perder. Nem sempre todas as respostas da luta são positivas, de
triunfo. O fracasso, desse modo, faz parte integrante do comportamento da
busca. Não se deter, quando por ele visitado, retirar a lição que encerra,
analisar os fatores que o produziram, a fim de que não se repita, e recomeçar,
quantas vezes se faça necessário, eis a forma de torná-lo um sucesso verdadeiro.
A
rebelião ante a sua ocorrência, a desestruturação íntima, a perda do sentido
da luta, além de constituírem prejuízo emocional, representam fracasso real. O
insucesso de um cometimento pode tornar-se experiência que predispõe ao triunfo
próximo.
Na
estratégia bélica, vencer a guerra é a meta, e não somente ganhar batalhas. O
importante e essencial, no entanto, é sair vitorioso na luta final, aquela que
define o combate.
O homem
de sucesso ou de fracasso exterior deve vigiar o comportamento íntimo para
detectar como se encontra realmente, e remanejar a situação.
Produzir a harmonia entre o eu superior e o ego
é que realmente representa sucesso ideal.Livro: Amor, Imbatível Amor.
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças
