As
atitudes dos homens da sociedade hodierna refletem simplesmente os equívocos nos
conflitos psicológicos decorrentes da correria desenfreada do indivíduo dito
moderno, na busca das conquistas materiais, motivadas principalmente pela
ambição da riqueza, do poder e da fama, para sua projeção individual,
intencionando desfrutar do status que a sociedade confere aos que assim se
apresentam, merecem de todos nós imediatas
e profundas reflexões.
Desejoso
de possuir cada vez mais, o ser humano atordoa-se ante as adversidades que a vida
lhe impõe, e nem sempre sabe lidar com a situação que vivencia de não conseguir
tornar realidade esse seu desejo de ser reconhecido como um legítimo “vencedor”,
caindo por essa razão, em lamentáveis desequilíbrios que vão desde a simples
inconformação, até as raias da delinquência e da loucura, por não ver outra
forma de encontrara a suposta “felicidade”
que pensa estar na conquista dos bens materiais, justamente por não crer na
continuidade da vida além do sepulcro.
Permanece
dominado pelas grosseiras paixões que o escravizam há séculos, e não tendo como
satisfazer seus anseios de poder, riqueza e prestígio, entrega-se aos desvarios
do sexo, do álcool, das drogas do crime e de todo tipo de “prazer”, oferecido pelas tentações mundanas, viciando-se e
comprometendo-se com os representantes das trevas, para acordar do pesadelo
completamente enlouquecido e com enormes débitos contraídos com a Lei Natural
que rege o destino das criaturas na Terra, envolvido pelas sombras, em
delicados casos de obsessões.
Sobre
essa visão tão acanhada do homem, de buscar a felicidade na posse dos bens
materiais, os Imortais da Vida Maior, responderam aos questionamentos de
codificador, para nosso entendimento conforme segue:
920. Pode o homem gozar de completa
felicidade na Terra?
“Não, por
isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a
suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.”
921. Concebe-se que o homem será
feliz na Terra, quando a Humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso se
não verifica, poderá conseguir uma felicidade relativa?
“O homem é
quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a
muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto
o comporte a sua existência grosseira.”
Aquele que
se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do
que uma estação temporária, uma como parada momentânea em péssima hospedaria.
Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o
levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos
para empreendê-la.
Já nesta
vida somos punidos pela infrações, que cometemos, das leis que regem a
existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e
dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que
chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas
são a conseqüência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto.
Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de conseqüência em
conseqüência, caímos na desgraça.
“Com
relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a
consciência tranquila e a fé no futuro.” ¹
O
Apóstolo Paulo afirmou: “Não faço o bem
que quero, mas o mal que não quero, esse eu faço”. (Romanos Cap. 7 v.19). ²
Nessa auto-análise de seu procedimento, o nobre discípulo do Rabi da Galiléia,
reconhecia em si, um lado escuro, que o impulsionava às atitudes infelizes que
ele próprio reprovava, mas, que ainda não conseguia domar, ‘a pesar do desejo’.
Contudo,
decidido a mudar, esforçou-se ainda mais, de forma determinada e persistente na
auto-conscientização de suas fragilidades psicológicas, construindo
paulatinamente os alicerces de sua mudança moral radical, com os quais mais
tarde tornou-se o conhecido arauto da Boa Nova, atingindo as culminâncias do
seu apostolado quando então, transformado e regenerado, pode finalmente
proclamar: “Não sou eu quem vivo, mas o
Cristo que há em mim..” ( Gálatas, Cap. 2 v.20). ³
E,
para que possamos ter a verdadeira noção de como proceder na intenção que
agasalhamos no íntimo de nos reformar para a conquista de melhores dias em
nosso porvir, como nos exemplificou o apóstolo Paulo, recorremos mais uma vez
aos Imortais da Vida Maior em
O Livro dos Espíritos conforme segue:
909. Poderia sempre o homem, pelos
seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e,
freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a
vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”
910. Pode o homem achar nos
Espíritos eficaz assistência para triunfar de suas paixões?
“Se o pedir
a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons Espíritos lhe virão
certamente em auxílio, porquanto é essa a missão deles.” (459)
911. Não haverá paixões tão vivas e
irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?
“Há muitas
pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem,
porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê
que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em
conseqüência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele
que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a
matéria.”
912. Qual o meio mais eficiente de
combater-se o predomínio da natureza corpórea?
“Praticar a
abnegação.” 4
Que
possamos por nossa vez, empreendermos os necessários esforços na busca de
conquistar os verdadeiros bens do Espírito Imortal que somos, os quais nos
facultarão o verdadeiro e definitivo encontro da paz, da felicidade e da
perfeição.
Fontes:
1)
O Livro dos Espíritos, FEB, 76ª edição.
2)
Epistolo de Paulo aos Romanos, Cap. 7 v.19.
3) Epístola de Paulo aos Gálatas, Cap. 2
v.20.
4) O Livro dos Espíritos, FEB, 76ª edição.
Francisco Rebouças.
