Sempre que a criatura medita e busca resposta satisfatória
para a compreensão do porque das ocorrências do destino e da dor encontra na
luz dos princípios espiritistas, as explicações mais sensatas a clarear-lhe o santuário
interno, e daí em diante passa a entender que deve consagrar-se à vigilância do
seu pensamento, quanto lhe seja possível, para evitar problemas e dificuldades no
porvir.
Se as descobertas em relação ao corpo físico fazem parte dos
desafios da ciência, que designa quantidade numerosa de hábeis e dedicados servidores
para a descoberta de soluções para os problemas de saúde e conforto do
indivíduo, na vida espiritual também a mente segue desafiando todos os
potenciais de inteligência, no trato minucioso dos assuntos que lhe dizem
respeito.
Os cientistas da atualidade, embora o inegável avanço
científico que hoje desfrutamos, pelas incontáveis conquistas realizadas nos
últimos tempos no campo da matéria, se comparados aos ganhos e conquistas no
campo da moral e da ética, seria como um botânico, restrito aos acontecimentos
realizados em acanhado círculo de sua exploração em horta particular, que
tentasse julgar um continente vasto e inexplorado, por algumas das ervas
cultivadas ao alcance de suas observações.
Quando nos encontramos libertos do veículo físico, podemos
melhor desfrutar da alegria de não nos deixar iludir pelas atrações de natureza
inferior, que, muitas vezes, nos imantam a crosta da Terra, indefinidamente. Isto
porque temos a visão ampliada, possibilitando-nos compreender mais
pormenorizadamente que o poder da mente reside na base de todos os fenômenos e
circunstâncias de nossas experiências isoladas ou coletivas. Quando sã,
saudável, nos eleva nos faz bem, e quando em desequilíbrio nos prejudica, e
infelicita, por ser ela um manancial vivo de energias criadoras.
Vivemos imersos em um mar de construções mentais, onde encarnados
e desencarnados que povoam o Planeta, na condição de habitantes dum imenso prédio
de vários andares, em situações evolutivas diversas, em que todos produzem pensamentos
múltiplos que se combinam, repelem ou neutralizam, projetando raios de força
que alimentam ou enfraquecem, sublimam ou arruínam, constroem ou destroem a
psicosfera do ambiente. É preciso atentar para o fato de que a imaginação é
fonte de vitalidade, energia, movimento, e construções, dessa forma, aquele que
mais pensa, dando vida ao que idealiza, torna-se mais apto à recepção das
correntes mentais invisíveis, nas obras do bem ou do mal.
Formas-pensamentos
·
“Pelos princípios mentais que
influenciam em todas as direções, encontramos a telementação e a reflexão
comandando todos os fenômenos de associação, desde o acasalamento dos insetos
até a comunhão dos Espíritos Superiores, cujo sistema de aglutinação nos é, por
agora, defeso ao conhecimento.
·
Emitindo uma ideia, passamos a
refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com
intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos,
assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de
sentir.
·
É nessa projeção de forças, a determinarem
o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que
se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções
substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na
pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do
homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas
para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que
exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou
estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios
pés.” ¹
Assim sendo, faz-se urgente entender que em vista dessa lei
que preside à vida cósmica, só o reto pensamento no procedimento da ação enobrecedora,
e o trabalho na caridade representam preciosos canais da Energia Divina, que
banha a humanidade em todos os cantos do planeta, buscando as almas simples e
dedicadas ao serviço de santificação, convertendo-as em instrumentos vivos de
sua exteriorização, para o inadiável soerguimento da Terra ao concerto dos
mundos de felicidade e harmonia celestial.”
Bibliografia
Xavier, Francisco Cândido - Livro: Mecanismos da Mediunidade, pelo
espírito André Luiz, FEB, 12ª edição. Cap. IV.
Francisco Rebouças
