Embora a
relatividade do ser físico, da existência terrena, o sentido da vida permanece
inalterado. Se se depositam no corpo, apenas, todas as aspirações, à medida que
ele envelhece, que se lhe diminuem as resistências e possibilidades, claro
está que perdem o impacto e o objetivo.
Observando-se,
porém, a vida como um todo, não somente como a trajetória fisiológica, tais
anseios se realizam a cada instante, arquivando-se no passado, e servem de base
para novas buscas e motivações.
Não sendo
o corpo mais que uma vestimenta, a sua duração é irrestrita, desgastando-se
enquanto vibra, consumindo-se à medida que é utilizado.
As
conquistas agradáveis e as derivadas do sofrimento tornam-se parte integrante
do seu conteúdo, permanecendo como valores que o enriquecem.
O
importante não é o seu tempo de duração, mas a forma como é vivida, experienciada,
arquivada cada etapa.
Quando se
encontra acumulado, vibra e tem sentido, porquanto pode ser acionado a cada
instante, revivido com intensidade quando se queira, repetindo as emoções
antes experimentadas.
Não há
porque se temer o envelhecimento, invejar a juventude, lamentar o tempo. Esse
comportamento viceja nos indivíduos imaturos. O vir-a-acontecer não pode
influir mais na conduta, do que o já-acontecido.
Os
sofrimentos vivenciados, os sorrisos extemados, os conhecimentos adquiridos, os
recursos utilizados são todos um cabedal que não pode ser comparado ou permutado
pelas interrogações daquilo que ainda não foi conseguido.
A
existência física possibilita a integração do indivíduo com a Natureza,
harmonizando-o e promovendo-o para realizar incursões mais audaciosas, quais a
superação do ego e o crescimento do Self, assim como a tranqüila movimentação
na sua realidade de ser imortal. O seu trânsito no corpo constitui-lhe uma
etapa valiosa para a recomposição de forças, que se perturbaram, e a aquisição
de energias mais sutis que se derivam do eu superior e devem ser canalizadas
no rumo da sua supervivência.
Assim não
fosse, a consumpção orgânica encerrar-lhe-ia a realidade, apagando as
conquistas do pensamento e do amor.
Essas
expressões da vida não se comburem jamais, desaparecendo na memória do tempo,
extinguindo-se no espaço universal. Permanecem atuantes e realizadoras,
vencendo as barreiras vibratórias do corpo e mantendo-se organizadas fora dele,
porque são a fonte geradora do existir.
A busca do sentido da vida ultrapassa a manifestação da forma e prossegue em outras dimensões, aformoseando o ser que
projeta, sim, a sua realidade para outros cometimentos existenciais futuros,
outros desafios humanos, superando-se através das conquistas armazenadas,
direcionando-se para a integração na harmonia da Consciência Cósmica, livre de
retentivas com a retaguarda, desembaraçado de aflições, porque superadas, e
aberto a novas expressões sempre portadoras da peregrina luz da sabedoria.
Livro: Amor, Imbatível Amor
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças
