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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Persiste e segue

“Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados.” – Paulo. (Hebreus, 12:12.) 

O  lavrador  desatento  quase  sempre  escuta  as  sugestões do cansaço.  Interrompe  o  serviço,  em  razão  da  tempestade,  e a inundação lhe rouba a obra começada e lhe aniquila  a coragem incipiente. 

Descansa, em virtude dos calos que a enxada lhe ofereceu, e os vermes se incumbem de anular-lhe o serviço. 

Levanta as mãos, no princípio, mas não sabe “tornara levantá-las”, na continuidade da tarefa, e perde a colheita. 

O  viajor,  por  sua  vez,  quando  invigilante,  não  sabe chegar convenientemente ao termo da jornada. Queixa-se da canícula e adormece  na  penumbra  de  ilusórios  abrigos,  onde inesperados perigos  o  surpreendem.  De  outras  vezes,  salienta  a importância dos  pés  ensanguentados  e  deita-se  às  margens  da senda,  transformando-se em mendigo comum. 

Usa os joelhos sadios, não se dispondo, todavia, a  mobilizá-los quando desconjuntados e feridos, e perde a alegria de alcançar a meta na ocasião prevista. 

Assim acontece conosco na jornada espiritual. 

A luta é o meio. 

O aprimoramento é o fim. 

A desilusão amarga. 

A dificuldade complica. 

A ingratidão dói. 

A maldade fere. 

Todavia,  se  abandonarmos  o  campo  do  coração  por  não sabermos  levantar  as  mãos,  de  novo,  no  esforço  persistente, os vermes do desânimo proliferarão, precípites, no centro de nossas mais  caras  esperanças,  e  se  não  quisermos  marchar,  de joelhos desconjuntados, é possível sejamos retidos pela sombra de falsos refúgios, durante séculos consecutivos. 

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças