Em
certas horas, de nossas vidas, geralmente quando menos esperamos, eis que nos
acontece alguma coisa, que nos deixa muito aborrecidos.
Sem,
o salutar hábito de meditar, antes de tomar uma atitude, imediatamente reagimos
de forma instintiva, de maneira destemperada e desequilibrada, movidos pelo
impulso do nosso “amor próprio”, que
nada mais é, do que o orgulho que trazemos bem guardado e cuidadosamente
camuflado, que nos faz entender que se o outro não agir ou pensar como nós
esperamos que faça, já é motivo bastante suficiente para respondermos de forma
deselegante, grosseira deseducada, e às vezes até mesmo desrespeitosa.
É
claro, que essa maneira de nos exprimir diante de qualquer que seja a atitude
do nosso semelhante em relação a nós, não passa de uma reação equivocada e até
mesmo doentia, através da qual, tentamos nos isentar de responsabilidade,
atirando a culpa nos ombros do outro, mascarando na verdade o forte poder que o
orgulho exerce em nossas vidas.
“Os
preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar "ponto de
honra" produzem essa suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e da
exaltação da personalidade, que leva o homem a retribuir uma injúria com outra
injúria, uma ofensa com outra, o que é tido como justiça por aquele cujo senso
moral não se acha acima do nível das paixões terrenas. Por isso é que a lei mosaica
prescrevia: olho por olho, dente por dente, de harmonia com a época em que
Moisés vivia. Veio o Cristo e disse: Retribui o mal com o bem. E disse ainda:
"Não resistais ao mal que vos queiram fazer; se alguém vos bater numa
face, apresentai-lhe a outra.” Ao orgulhoso este ensino parecerá uma covardia,
porquanto ele não compreende que haja mais coragem em suportar um insulto do
que em tomar uma vingança, e não compreende, porque sua visão não pode
ultrapassar o presente”. (1)
Em
nosso interior, dormitam há séculos esses instintos animalescos, que na hora em
que temos nossos pontos de vista contrariados, e sem que nos apercebamos,
explodem em uma atitude impensada e agressiva, que tentamos justificar atirando
a responsabilidade de nosso desequilíbrio, na suposta maneira de como os outros
nos provocaram, como se os outros fossem simples marionetes, a repetir as
nossas projeções mentais, sem ter o direito de discordar do nosso modo de ver a
questão discutida, em que muitas das vezes estamos equivocados, e
utilizando-nos de argumentos carentes de fundamento e de bom senso.
Preciso
se faz, buscarmos assumir desde já que, o problema não na está na atitude
tomada pelo nosso opositor, em relação ao nosso ponto de vista, e sim, que se trata
de um problema exclusivamente de nossa alçada, e que só o extinguiremos de
nosso Ser, à medida que, reconhecendo nossa maneira errada de agir, pois nosso
semelhante tem o direito de pensar diferente de nós, nos dispusermos a utilizar
os recursos capazes de nos livrar desse incômodo procedimento, enfrentando de
maneira corajosa e honesta nossas próprias fraquezas, tomando por base as
lições sublimes contidas no evangelho de Jesus, que há dois mil anos atrás já
nos alertava para que “buscássemos enxergar primeiramente a “trave” que nos
dificulta a visão sadia das coisas, e só então, prestássemos atenção ao
“argueiro” do olho do nosso semelhante”, ensinando-nos a cuidar antes de tudo,
do nosso comportamento e não do procedimento alheio.
Sendo,
o orgulho uma das chagas da humanidade, como nos ensinam os Espíritos
Superiores, é, prudente, analisarmos nossas ações, antes de tomarmos qualquer
atitude em relação ao procedimento de quem quer que seja, procurando fazer desde
já, a necessária e inadiável reforma moral, deixando fluir em nós, as
expressões divinas da presença de Deus em nosso Ser, através do cultivo das
boas ações, no constante desenvolvimento das virtudes que jazem latentes e
esquecidas em nosso mundo interior.
Bibliografia:
1 - Kardec,
Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, Cap. XII, item 8
Francisco Rebouças.
