Costumo meditar entre uma leitura e outra de
alguma das inúmeras obras espíritas, quer seja da codificação como muitos
chamam as 5 obras eleitas como “Pentateuco
Espírita”, o que respeitamos aos que assim entendem, mas, me dou o
direito de não ver dessa maneira, pois, qualquer que seja o nome que se dê, se
não contemplar a inclusão da Revista Espírita, entre outras obras de Kardec,
para mim fica difícil de aceitar como tal.
Então, vou continuar com o que estava
tratando em relação à meditação que costumo fazer, após leituras de livros que
penso serem portadores de valiosos ensinamentos doutrinários, como por exemplo,
as obras de Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira, Emanuel Cristiano,
Richard Simonetti, e não posso também deixar de citar as obras de Yvonne
Pereira, Leon Denis, etc. etc., para entender certas colocações contidas em
diversas matérias divulgadas em nosso movimento espírita que dizem coisas que
não encontro, por mais que procure, nas diversas obras citadas.
Não quero dizer com isso, que não sejam afirmativas
sérias, mas como não citam as fontes e não estão entre as de Kardec nem dos
diversos autores e das diversas obras de reconhecido conteúdo moral, que
costumo me utilizar em pesquisas doutrinárias, fico completamente perdido.
Claro que não sou PHD em espiritismo, ou melhor, em absolutamente nada. Só que como discípulo de Kardec, como eterno aprendiz, que
procura estudar com seriedade a doutrina dos espíritos, não posso deixar de
passar pelo crivo do bom senso e da lógica espírita tudo que a mídia nos traz, que
alguém disse em termos de doutrina, seja esse alguém influente ou não, pois, no
espiritismo graças a Deus, não temos a palavra máxima de uma autoridade, que
defina como sendo certo ou errado isto ou aquilo.
Ouve-se falar de variados assuntos, que
dividem os espíritas, e com os quais se perde grande tempo e espaço na mídia
que poderia ser utilizado para um melhor entendimento através do estudo sério
da doutrina esclarecedora e consoladora do espiritismo. Entre outros posso
citar o caso de Chico Xavier ser ou não Allan Kardec; se Chico Xavier deixou ou
não senha que o identificaria em uma possível comunicação após a sua volta à
vida espiritual; se existe ou não um novo substituto para o Chico Xavier nesta
ou naquela comunidade espírita, etc., etc. Muitos insistem em dizer que são
verdadeiras suas afirmativas, enquanto outros desmentem, afirmando serem falsos
todas essas afirmações, sem que um lado ou outro possa provar o que afirmam.
Bem, não vou também entrar nessa discussão,
prefiro como disse antes, estudar as lições de Jesus analisadas sob a
ótica da doutrina espírita para tentar apreender os conceitos tão lógicos e
sublimes ensinados por ELE há mais
de dois mil anos atrás e que só agora consigo dedicar uma melhor atenção.
Com certeza não é a primeira vez que elas me
são apresentadas como únicas capazes de me ajudarem, se assim eu desejar com
sinceridade encontrar definitivamente o caminho da paz e da alegria, que a vida
é capaz de premiar todo aquele que fizer dela, uma ferramenta, um trampolim
para acessar mundos mais adiantados em todos os aspectos, pois, não sou eu quem
afirma essa possibilidade, e sim os Espíritos Superiores na própria
Codificação, isso se minha interpretação do texto ali contido está de acordo
com a afirmação citada. Assim sendo, chego à conclusão, que já é hora de
assumir as responsabilidades pelo meu próprio progresso moral espiritual, chega de desculpas!
Convido a você meu amigo, que também está
desejoso de enfrentar com coragem nossos desafios, nossas próprias barreiras,
na busca de nossa renovação moral, por que já entendemos que o nosso maior
adversário continua sendo nós mesmos, e que já é hora de deixarmos de nos
utilizar dos velhos artifícios de fuga até agora largamente usados como forma
de nos esconder das nossas inferioridades que sempre nos complicaram o caminho
para enfrentar corajosamente nossa realidade espiritual.
Encontramos no Evangelho Segundo o
Espiritismo o alerta para que não nos deixemos iludir com desculpas infundadas para
nossa realidade atual de dores e sofrimentos, quando afirma-nos: “...desde
que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das
perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a
bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode
agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida
derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso
o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus
pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente
maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a
aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos
Espíritos”. ¹
Em outra mensagem de profundo ensinamento
moral, asseveram- nos:
“De
duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas
fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm
sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando-se
à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência
natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos
homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de
seu orgulho e de sua ambição!
Quantos
se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não
terem sabido limitar seus desejos!
Quantas
uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade
e nas quais o coração não tomou parte alguma!
Quantas
dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e
menos suscetibilidade!
Quantas
doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos
pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio
as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem
os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do
coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem
da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.
Interroguem
friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes
e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e
verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou
deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
A quem,
então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo?
O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios;
mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade
acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má
estrela é apenas a sua incúria.
Os
males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo
das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar
moralmente, tanto quanto intelectualmente”.²
Sobre os males que nos acontecem nesta vida
cuja causa pelo menos na aparência, nos é completamente estranho, e que nos
atingem como por fatalidade, tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a
dos que são o amparo da família, os acidentes que nenhuma previsão poderia
impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas
pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as
que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as
deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc., os Espíritos nos afirmam, que se
nada fizemos na encarnação presente para merecer tal situação, justo é
reconhecer que em virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa,
e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa.
Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se
esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há
de estar numa existência precedente. Donde podemos concluir que, ninguém foge
das consequências de suas transgressões à Lei Divina, se não se expiar hoje,
expiará amanhã, é preciso reconhecer antes de tudo, que não somos vítima senão
de nossas próprias escolhas e construções de hoje e de ontem.
No Livro dos Espíritos, encontramos numerosas
questões propostas pelo Codificador, e respondida pelos Imortais, que não nos
deixam qualquer tipo de dúvidas em relação ao que cada um de nós pode e deve
fazer em prol do nosso crescimento moral e espiritual, como segue.
909.
Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços
muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós
fazem esforços!”
912.
Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?
“Praticar a abnegação.”
919.
Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de
resistir à atração do mal?
“Um sábio da antiguidade vo-lo disse:
Conhece-te a ti mesmo.” ³
Diante de ensinamentos tão explícitos, e pelo
que já conseguimos discernir pela fé raciocinada proposta pela doutrina
espírita, não nos resta outra atitude a tomar, senão a decisão de investir
urgentemente em nossa reforma íntima, seguindo o roteiro de Luz contido nas
mensagens e nos exemplos deixados por Jesus, que deverá ser para nós como ELE
mesmo nos afirmou “o caminho a verdade e
a vida”, deixando florescer em nós as sublimes virtudes do Espírito Imortal
que somos a caminho da pureza e da felicidade que estamos destinados.
Bibliografia:
1 – Kardec, Allan. O
evangelho Segundo O Espiritismo - FEB, 112ª edição cap. V, item 3.
2 - Kardec, Allan. O evangelho Segundo O
Espiritismo - FEB, 112ª edição cap. V, item 4..
3- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos – FEB,
76ª edição.
Francisco Rebouças
