A busca
de um sentido existencial por parte do ser humano constitui-lhe uma força inata
impulsionadora para o seu progresso. Ao identificá-lo, torna-se-lhe o objetivo
básico a ser conquistado, empenhando todos os recursos para a consecução da
meta.
Graças a
isso, que podem ser os seus ideais, as sua necessidades, as suas ambições,
oferece a vida e não teme a morte, conseguindo, inclusive, permanecer sob as
mais miseráveis e inumanas condições, desde que essa chama permaneça acesa
interiormente.
Trata-se
de um sentido pessoal que ninguém pode oferecer, e que é particular a cada
qual. Torna-se, de futuro, um ideal de grupo, em razão de constituir interesse
coletivo, porém a sua origem se encontra no nível de consciência e de
pensamento individual, que elegem o que fazer e como fazê-lo. Não pode ser
elegido por outrem ou brindado, senão conseguido pelo próprio ser.
Possivelmente será proposto quando
se é despertado para o interesse, chamando-lhe a atenção, mas a sua eleição é
pessoal.
Jesus,
ante a transitoriedade dos valores terrestres e a fugacidade do corpo, propôs a
busca do reino de Deus e Sua justiça, elucidando que, após esta primazia tudo
mais será acrescentado. Isto é, estabelecendo o mais importante — o sentido, o
objetivo existencial —as demais aspirações se tornam secundárias e chegarão
naturalmente.
Esse
reino de Deus encontra-se na consciência tranqüila, que resulta do dever
retamente cumprido, dos compromissos bem conduzidos, dos objetivos delineados
com acerto. Graças a essa diretriz, a aquisição dos recursos faz-se com naturalidade,
como um acréscimo, que é a conseqüência básica.
Todos
necessitam de um algo para motivar-se, para viver.
Essa
busca de significado, de objetivo ou sentido não pode ser resultado de uma fé
ancestral, isto é, de uma crença destituída de fatos, que se dilui ante dificuldades,
principalmente os conflitos internos, mas da luz da razão que se transforma em
vontade de conseguir uma vida mais expressiva, mais rica de conteúdo, de
aspirações profundas e autênticas.
Um afeto
familiar, um ideal em desenvolvimento, o lar, uma atividade dignificadora, o
retorno a um serviço interrompido tornam-se, entre muitos outros, objefivos
que dão sentido à vida, favorecendo meios para se lutar.
Sustentaram
incontáveis encarcerados nos campos de trabalho forçado e de extermínio, mesmo
quando exauridos, e nada mais lhes restava, sempre aguardando ser o próximo a
morrer... Ainda vitalizam milhões outros que se encontram em situações
inumanas, vítimas de homens e mulheres arbitrários, de sistemas injustos, de
situações penosas.
Certamente,
o oposto também dá sentido — infeliz é certo — a outras existências: o ódio, o
ressentimento, a ânsia de poder, tornando as suas trajetórias adrede fanadas,
porque os mesmos são máscaras do ego ferido, que não se tornam razões de paz,
antes se fazem contínuo tormento.
Quando se
tem o porquê viver, a forma de como viver até lograr o objetivo torna-se
secundária. Esse impulso primário no ser, faz que supere os obstáculos e
impedimentos com o pensamento no que conseguirá.
Alguns
psicoterapeutas afirmam que os princípios morais, que lhes parecem metafísicos,
nada têm a ver com o sentido ou significado existencial. E se olvidam de todos
quantos lhes entregaram as vidas, plenificando-se saudavelmente. Informam,
ademais, que esse sentido resulta daquilo que pode enfrentar a existência, não
nascendo com ela.
Somos de
parecer que o sentido, o objetivo, o essencial, é a auto-superação das
paixões, a auto-iluminação para bem discernir o que se deve e se pode fazer,
para harmonizar-se em si mesmo, em relação ao seu próximo e ao grupo social no
qual se encontra, bem como à Vida, à Natureza, Deus...
Os
princípios morais — alguns inatos ao ser humano — são indispensáveis. Não
porém as imposições morais-sociais, geográficas, estabelecidas legalmente e
logo desacreditadas. Mas aqueles que são inerentes, derivados do mais profundo
e básico, que é o amor. Respeitar a vida, amando-a; fomentar o progresso, trabalhando;
construir a felicidade, perseverando; não fazer a outrem o que não deseja que o
mesmo lhe faça, eliminam a possibilidade de consciência de culpa, de conflito,
e dão-lhe um padrão para o comportamento equilibrado, uma diretriz para a
conduta sadia.
O ser
atua moralmente, porque sente o impulso interno da vida que se submete às Leis
que a regem.
Essa
força interior que o leva à prática dos atos corretos, o Bem, no início, é
metafísica, pois procede do Psiquismo Causal, para depois tornar-se uma necessidade
transformada em ações, portanto nos fatos que lhe confirmam a excelência.
Quando
escasseiam esses princípios na mente e na emoção, o indivíduo, desestruturado,
enferma e a mais eficaz solução é o amorterapia, impulsionando-o a permitir
que desabrochem os sentimentos de fraternidade, de solidariedade, de perdão,
de auto-entrega, assim aparecendo significados para continuar-se a viver.
Muitos
aposentados e idosos, depressivos diversos, que se neurotizaram, recuperam-se
através do serviço ao próximo, da autodoação à comunidade, do labor em grupo,
sem interesse pecuniário, reinventando razões e motivos para serem úteis, assim
rompendo o refúgio sombrio da perda do sentido existencial.
Sem meta
não se vive, obedece-se aos automatismos fisiológicos em perigoso crepúsculo
psicológico, a um passo do suicídio.
Quando o
ser se percebe atuante, produtivo, necessário, vibra e produz. Todo e qualquer
contributo psicoterapêutico, logoterapêutico, há de considerar a
autovalorização do paciente.
Jesus sintetizou-o, na resposta com que concluiu
o diálogo com o sacerdote que o interrogara a respeito do reino dos céus: — Vai
tu e faze o mesmo.
Livro: Amor, Imbatível Amor
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças
