Diante
disso, o indivíduo é obrigado a escolher, com discernimento para eleger, dando
surgimento a outro tipo de instinto de sobrevivência para prosseguir lutando.
Sem uma decisão clara, torna-se instrumento dos outros, agindo conforme as
demais pessoas, em atitude conformista, não reagindo aos impositivos do meio,
perdendo-se, sem motivação, ou se deixa conduzir pelos interesses do grupo,
atuando conforme o mesmo, que lhe impõe comportamentos agressivos, anulando o
seu interesse e alterando o seu campo de ação.
Naturalmente
perde o contato com o Self para que sobreviva o ego, e assimilando o que é bem
da época, assume os modismos e se despersonaliza.
Nesse
vazio que surge, por falta de motivação real para prosseguir, foge para o
alcoolismo, para as drogas, para o sexo ou tomba em depressão...
Noutras
vezes, para ocultar essa lacuna na emoção
— o vazio
existencial — refugia-se em comportamentos impróprios, buscando o poder, a
glória efêmera através dos quais chama a atenção, torna-se brilhante sob os
focos de luz da fama, neurotizando-se.
Dá-se
conta de que as complexas engrenagens do poder e da glória continuam permitindo
o vazio interior — porque se satura com rapidez das novidades do exterior —
percebe também que as compensações do prazer sexual são frustrantes quão
ligeiras, produzindo um certo estado de amargura que parece inexplicável.
Mui
comumente surgem comentários no grupo social, a respeito de alguém que tem tudo
— dinheiro, família, beleza, inteligência, poder — e, no entanto, parece não
ser feliz.
Sucede
que esse tudo não preenche o vazio, faltando o sentido da vida, seu
significado, sua razão de ser.
A tensão
de novas buscas e a saturação que decorre do conseguir, resultam em transtorno
neurótico.
Com o
tempo disponível e falta de objetivo, a única saída emocional é o mergulho na
depressão. Essa ocorrência é comum nas pessoas atuantes que param
de agir
abruptamente, por enfermidades, por aposentadoria, pelos feriados e períodos
de férias, que lhes abrem as feridas existenciais do vazio.
A psicoterapia unida à logoterapia amenizam a situação,
propondo um sentido natural à existência, objetivos duradouros, que exigem
esforço, embora sejam compreensíveis as recaídas até a fixação dos novos valores.
Livro: Amor, Imbatível Amor.
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
Francisco Rebouças