ABÍLIO GUERRA JUNQUEIRO
Ó igreja, a tempestade imensa e escura assoma,
Apesar das funções políticas de Roma,
Enegrecendo o mundo e ensanguentando a Terra!...
E enquanto a fome, a dor e os martírios da guerra
Humilham sem cessar a grande massa humana,
Fazes o carnaval da comédia romana,
Onde os clowns e arlequins, pierrôs e colombinas
São grandes multidões de mitras e batinas...
Quando a dor faz do mundo um triste sorvedouro,
Exibes sem cuidado das arcas do teu ouro!...
Guarda-te da extorsão das listas e sacolas,
Olha o espelho de dor das lutas espanholas.
Não deves te iludir no movimento enorme!
O coração do povo é como um leão que dorme,
E o povo há de pedir!
Que a noite de hoje pague à aurora porvir!
São as ânsias sociais que Leão XIII e Pio XI
Tentaram dirimir com dogmas de bronze.
É preciso atenuar os raios da tormenta,
Com a energia do amor que salva e que alimenta,
Deixa o balcão do altar, os púlpitos e as missas,
Procura reparar as grandes injustiças!...
Igreja, o mundo inteiro anela um novo dia,
Remodela o interior de tua sacristia,
Porque depois da treva há de haver uma luz,
Luz que há de esclarecer tua lei à socapa;
Liberta-te das mãos sacrílegas do Papa
E volta enquanto é tempo aos braços de Jesus.
Livro: Lira Imortal
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças