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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Caindo em si

“Caindo, porém, em si,” – (Lucas, 15:17.)

Este  pequeno  trecho  da  parábola  do  filho  pródigo  desperta valiosas considerações em torno da vida.

Judas sonhou com o domínio político do Evangelho, interessado  na  transformação  compulsória  das  criaturas;  contudo, quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o Divino Amigo fora entregue a juízes cruéis.
 Outras  personagens  da  Boa  Nova,  porém,  tornaram  a  si,  a tempo de realizarem salvadora retificação.

Maria  de  Magdala  pusera  a  vida  íntima  nas  mãos  de  gênios perversos,  todavia,  caindo  em  si,  sob  a  influência  do  Cristo, observa  o  tempo  perdido  e  conquista  a  mais  elevada  dignidade espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.

Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e sofrimento,  nega  o  Mestre  Divino;  entretanto,  caindo  em  si, ao  se  lhe deparar  o  olhar  compassivo  de  Jesus,  chora  amargamente  e
avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.

Paulo  confia-se  a  desvairada  paixão  contra  o  Cristianismo  e persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente; no  entanto,  caindo  em  si,  perante  o  chamado  sublime  do Senhor, penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais brilhantes colaboradores do triunfo cristão.

Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se prendem desavisados.  Para  eles,  a  alegria  é  o  interesse imediatista satisfeito e a paz e a sensação passageira de bem-estar do corpo de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber sem impedimento.

Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e, transferindo-te,  então,  da  inércia  para  o  trabalho  incessante  pela  tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.


Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel


Francisco Rebouças