Dificilmente alguém logrará alcançar seu objetivo, sem a
decisão de enfrentar corajosamente os desafios do cotidiano, pois, o fracasso
advém do abandono ou da negação de enfrenta-los. Dessa forma, é imprescindível
que o indivíduo entenda que em todas as suas atividades e tarefas do dia a dia,
terá que superar inúmeras dificuldades e obstáculos que se repetem e às vezes
se multiplicam, e que por isso mesmo só os verdadeiramente conscientes dessa
verdade, conseguirão triunfar.
É preciso entender que possíveis quedas e aparentes
insucessos, na execução das tarefas devem ser encaradas como experiências que a
pesar dos dissabores que causam, podem constituir-se em fator de vitórias
futuras, que se deve perseguir até o fim, porque desistir do empreendimento
colimado em virtude das dificuldades que se apresentem, significa aceitar
pacificamente a derrota sem luta.
Quando o indivíduo se propõe realmente a realizar os
labores que lhes dizem respeito, na conquista de seus nobres objetivos,
vislumbra em si mesmo uma força interior que não pensava possuir, e se enche de
uma disposição necessária para persistir lutando confiante sem desistir, até
triunfar.
“Não
aguardes o lance da morte para atender, em ti mesmo, à grande renovação.
Se
a chama de tuas esperanças mais caras surge agora reduzida a pó e cinza,
aproveita os resíduos dos sonhos mortos por adubo à nova sementeira de fé e
caminha para diante, sem descrer da felicidade.
Muitos
desertam do quadro escabroso em que o Céu lhes permite a quitação com as Leis
Divinas, deitando-lhe insultos, como se se retirassem de província infernal,
mas voltarão a ele, em momento oportuno, com lágrimas de tardio arrependimento,
para reajustar suas disposições, quando poupariam larga quota de tempo se lhe
buscassem compreender as lições ocultas.
Outros
muitos fogem de entes amados, reprochando-lhes a conduta e anatematizando-lhes
a existência, qual se se ausentassem de desapiedados verdugos; no entanto,
voltarão, igualmente mais tarde, a tributar-lhes paciência e carinho, a fim de
curar-lhes as chagas de ignorância e ajudá-los no pagamento de débitos
escabrosos, entendendo, por fim, que teriam adquirido enorme tesouro de
experiência se lhes houvessem doado apoio e entendimento, perdão e auxílio justo,
no instante difícil em que se mostravam desmemoriados e inconscientes.
Não
deixes, assim, para amanhã o trabalho bendito da caridade que te pede ação
ainda hoje.
O
caminho de angústia e a mão do insensato despontam do pretérito, cujas dívidas
precisamos solver.
Desse
modo, se te não é lícito possuir esse ou aquele patrimônio que te parece
adequado à realização do mais alto ideal, faze da tela escura em que estagias a
escola da própria sublimação e, se não podes receber, em determinada condição,
a alma que amas no mundo, consagra-lhe mesmo assim o melhor de teu culto,
estendendo-lhe a bondade silenciosa, na bênção da simpatia.
Não
encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de
nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o Sol renascente de
cada dia”.¹
169. É invariável o número das
encarnações para todos os Espíritos?
“Não;
aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações
sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.”
²
A galeria daqueles que não desistiram de seus intentos e
confiaram na vitória que souberam construir e esperar, é muito grande, entre
tantos exemplos de persistência em busca de seus objetivos, citamos Édson, que experimentou quase 10.000 testes para lograr êxito da
lâmpada elétrica e graças à sua insistência, sem desanimar, ofereceu à
humanidade esse valioso contributo de que nos servimos diariamente.
Assim, é imprescindível que diante dos possíveis empeços
que nos surjam no caminho de qualquer de nossas conquistas materiais, morais ou
espirituais, estejamos dispostos a enfrenta-los com determinação, coragem e
confiança, vencendo e avançando paulatinamente na direção da vitória que por
certo será alcançada. Faz-se preciso continuar fiéis e otimistas às nossas
propostas de vida.
1)
Xavier, Francisco Cândido – Livro: Religião dos Espíritos, cap.15.
2)
Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª edição.
Francisco Rebouças