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sexta-feira, 1 de maio de 2015

SUICÍDIO POR OBSESSÃO.

Resultado de imagem para capa da revista espíritaLeu-se no Droit."
O senhor Jean-Baptiste Sadoux, fabricante de canoas em Joinville-le-Ponts, percebeu ontem um jovem que, depois de ter errado durante algum tempo sobre a ponte, subiu no parapeito e se precipitou no Marne. Logo dirigiu-se emseu socorro, e, ao cabo de sete minutos ele o traz de novo. Mas já a asfixia era completa, e todas as tentativas feitas para reanimar este infortunado foram infrutíferas.

"Uma carta encontrada com ele fê-lo reconhecer pelo senhor Paul D..., com a idade de 22 anos, morando na rua Sedaine, em Paris. Essa carta, dirigida pelo suicida ao seu pai, era extremamente tocante. Pedia-lhe perdão por abandoná-lo e lhe dizia que desde os doisanos era dominado por uma idéia terrível, por um irresistível desejo de se destruir.

Parecia-lhe, acrescentava, ouvir fora da vida uma voz que o chamava sem descanso, e, apesar de todos os seus esforços, não podia seimpedir de ir para ela. Encontrou-se igualmente num bolsode paletó uma corda nova na qual tinha feito um nó cortante. O corpo, depois do exame médico-legal, foi entregue à família."

A obsessão é aqui bem evidente, e o que não o é menos, é que o Espiritismo lhe é completamente estranho, nova prova que este mal não é inerente à crença. Mas se o Espiritismo não está por nada no fato, só ele pode lhe dara explicação. Eisa instrução dada a este respeito por um de nossos Espíritos habituaise da qual ressalta que, apesar do arrastamento ao qual esse jovem se deu para a sua infelicidade, ele não sucumbiu à fatalidade; tinha o seu livrearbítrio, e, com maisvontade, poderia resistir. Se fosse Espírita, teria compreendido que a vozque o solicitava não poderia ser senão a de um mau Espírito, e as conseqüência terríveis de um instante de fraqueza. (Paris, grupo Desliens, 20 de dezembro de 1868, Médium, Sr. Nivard.)

A voz dizia: Vem! vem! mas teria sido ineficaz, essa vozdo tentador, se a ação direta do Espírito não se fizesse sentir. O pobre suicida era chamado e era impelido. Porquê?

Seu passado era causa da situação dolorosa em que se encontrava; ele desejava a vida e temia a morte; mas, nesse apelo incessante que ouvia,encontrou, direi eu, a força? não; hauriu a fraqueza que o perdeu. Ele superou seus medos, porque esperava no fim encontrar, do outro lado da vida, o repouso que este lado lhe recusava. Enganou-se: o repouso não veio. As trevas o cercaram, sua consciência lhe desaprova seu ato de fraqueza, e o Espírito que o arrastou ri ao seu redor, e o criva de uma ironia constante. O cego não o vê, mas ouve a voz que lhe repete: Vem!vem! e depois zomba de suas torturas.

A causa deste fato de obsessão está no passado, como acabo de dizer; o próprio obsessor foi levado ao suicídio por aquele que acaba de fazer cair no abismo. Foi sua mulher numa existência precedente, e ela havia sofrido consideravelmente do deboche e das brutalidades de seu marido.Muito fraca para aceitar a situação que lhe era feita, com resignação e coragem, pediu à morte um refúgio contra seus males. Ela se vingou depois; sabeis como. Mas, no entanto, o ato desse infeliznão era fatal; ele tinha aceito os riscos da tentação; ela era necessária para seu adiantamento, porque, só ela poderia fazer desaparecer a mancha que tinha sujado sua existência precedente. Disto tinha aceito os riscos com a esperança de ser o mais forte, enganou-se: ele sucumbiu. Recomeçará mais tarde; resistirá? Isto dependerá dele.

Pedi a Deus por ele, a fim de que lhe dê a calma e a resignação de que tem tanta necessidade, a coragem e a força para que não falhe nas provas que teráque suportar mais tarde.

Louis NIVARD.
Fonte: Revista Espírita - Janeiro 1869.

Francisco Rebouças