Reunião pública de 2/3/59
Questão nº 169
Não aguardes o lance da morte para atender, em ti
mesmo, à grande renovação.
Se a chama de tuas esperanças mais caras surge agora
reduzida a pó e cinza, aproveita os resíduos dos sonhos mortos por adubo à nova
sementeira de fé e caminha para diante, sem descrer da felicidade.
Muitos desertam do quadro escabroso em que o Céu lhes
permite a quitação com as Leis Divinas, deitando-lhe insultos, como se se
retirassem de província infernal, mas voltarão a ele, em momento oportuno, com
lágrimas de tardio arrependimento, para reajustar suas disposições, quando
poupariam larga quota de tempo se lhe buscassem compreender as lições ocultas.
Outros muitos fogem de entes amados, reprochando-lhes a
conduta e anatematizando-lhes a existência, qual se se ausentassem de
desapiedados verdugos; no entanto, voltarão, igualmente mais tarde, a
tributar-lhes paciência e carinho, a fim de curar-lhes as chagas de ignorância
e ajudá-los no pagamento de débitos escabrosos, entendendo, por fim, que teriam
adquirido enorme tesouro de experiência se lhes houvessem doado apoio e
entendimento, perdão e auxílio justo, no instante difícil em que se mostravam
desmemoriados e inconscientes.
Não deixes, assim, para amanhã o trabalho bendito da
caridade que te pede ação ainda hoje.
O caminho de angústia e a mão do insensato despontam do
pretérito, cujas dívidas precisamos solver.
Desse modo, se te não é lícito possuir esse ou aquele
patrimônio que te parece adequado à realização do mais alto ideal, faze da tela
escura em que estagias a escola da própria sublimação e, se não podes receber,
em determinada condição, a alma que amas no mundo, consagra-lhe mesmo assim o
melhor de teu culto, estendendo-lhe a bondade silenciosa, na bênção da simpatia.
Não encomendes, pois, embaraços e aversões à
loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor,
cada manhã, o Sol renascente de cada dia.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças