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segunda-feira, 27 de abril de 2015

SOCORROS INESPERADOS


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O incidente inesperado colheu-nos de surpresa  que, certamente, não o fora para o nosso mentor, em razão da sua admirável faculdade premonitória.

Investido  de  uma  tarefa  de  tal  envergadura,  somente  a  pouco  e  pouco,  ia -se desvelando em relação ao nosso grupo.

A informação sobre a solicitação dos Guias da Indonésia, pedindo auxílio espiritual às  comunidades  do  Além,  também  ecoou-nos  de  forma  agradável  e  iluminativa.  Como realmente  não  existe o acaso, todos  os labores edificantes são pré-organizados. estudados com cuidado, examinadas as possibilidades  de  êxito  ou de fracasso, e quando começam, o plano avança com segurança e metas bem definidas.

Realmente,  recordava-me  de  quando  soaram  as  cornetas  em  nossa  Colônia, naquela manhã de 6 de dezembro e todos nos recolhemos à oração, porque, de imediato, o nosso  serviço  de  comunicações  informou-nos  sobre  a  grande  tragédia,  facultando-nos acompanhar os infaustos acontecimentos.

Ignorava, porém,  os  cuidados  estabelecidos  pelos  Mentores  e  a  solicitação  de ajuda solidária no mundo espiritual.

Comovido  ante  a  sabedoria  divina  e  o  intercâmbio  que  existe  em  toda  parte  em nome  da  solidariedade  universal,  pus-me  a  observar  os  Espíritos  aflitos  que  se  deixaram cooptar  pela  palavra  sábia  do  orientador,  ansiando  pela  própria  renovação,  e  agora dependiam dos esforços do nosso grupo.

Dr.  White  fora  tomar  providências  com  organizações  especializadas  na  ajuda  a esses  arrependidos  que  se  apresentavam  assinalados  por  graves  enfermidades  psíquicas  e emocionais.  Os  corpos  denotavam  os  sofrimentos  experienciados  pelos  contínuos  anos  de martírio  e  dependência  dos  verdugos  que  os  maltratavam,  reduzindo-os  à  condição  de escravos das suas paixões.

Agora,  que  começavam  a  mudar  de  atitude  mental,  começaram  a  perceber  o estado  deplorável  em  que  se  encontravam,  passando  a  sofrer  os  dardos  ultrizes  das enfermidades que lhes haviam ceifado a existência física, assim como as marcas profundas dos  distúrbios  ocasionados  pela  insânia  que  se  permitiam.  Ademais,  em  razão  do comportamento infeliz, cada perispírito assinalava os sentimentos ultrizes antes  vivenciados e  agora  exteriorizava-os  em  forma  de  úlceras  pútridas,  deformações  e  amputações  de membros, que se encontravam envoltos em vibrações escuras de baixo teor.

Olhando-os,  com  misericórdia  e  carinho,  constatávamos  como  somos  o  fruto daquilo que cultivamos mentalmente.

Reunidos em uma faixa especial, a fim de que não se misturassem aos demais que estavam  despertando  do  torpor  da  desencarnação,  choravam  uns,  outros  permaneciam hebetados,  diversos  apresentavam-se  enlouquecidos,  formando  urna  hoste  de  desditosos que  rebolcavam  nas  aflições  inomináveis  que  os  mortificavam.  Bailavam  na  minha  mente algumas interrogações a respeito do diálogo mantido pelo Dr. White e a legião de agressivos.

Ao primeiro ensejo, indaguei ao gentil orientador:

  Tendo-se em mente que os indigitados irmãos que vieram agredir-nos estavam estruturados na linguagem nacional, não entendendo outro idioma, como foi possível travar-se o diálogo vigoroso que tivéramos ocasião de ouvir?

Sem demonstrar enfado, o querido amigo explicou-nos:

  Utilizei-me  da  onda  mental  sem  a  sua  verbalização  em  palavras.  Em  face  das circunstâncias e do pensamento que a elaborava, os irmãos aflitos escutavam na sua língua de comunicação habitual, por estarmos vibrando na mesma faixa de pensamento. Por outro lado,  os  amigos  do  nosso  grupo,  por  sua  vez  ouviam  o  diálogo  no  idioma  com  o  qual  nos

comunicamos, qual ocorre em nossos contatos íntimos. Constituindo um grupo de Espíritos procedentes de países diferentes, a nossa  comunicação  é  mental,  sem  a  necessidade  da expressão oral, formulada nos padrões de cada idioma.

"A linguagem do Universo é o pensamento que modula as  expressões  de acordo com a captação de cada ouvinte. Essa tarefa de interpretação da linguagem é característica do  perispírito  que  armazena  as  matrizes  idiomáticas  dos  países  por  onde  transitamos  nas diversas  existências  corporais.  Mesmo  quando  estamos  diante  daqueles  que  procedem  de regiões pelas quais não passamos no percurso das reencarnações, a sua mente capta a onda emitida e a decodifica. Tudo ocorre com automatismo e naturalidade, sem que haja esforço de quem quer que seja. Nada obstante, quando ocorre uma sintonia por ideias, interesses ou anelos, o fenômeno se torna mais eficiente e mais rápido.

"Na discussão que travamos com o chefe da grei rebelde, usamos as formulações da  língua  inglesa  que  eram  captadas  no  indonésio,  no  português,  no  filipino,  portanto, igualmente  pelo  nosso  grupo  de  cooperadores  procedentes  dos  países  que  se  comunicam nesses idiomas."

Depois de uma breve pausa, concluiu:

"Imaginemos  uma  orquestração  sinfônica  que  nos  alcança  os  ouvidos acompanhada por um coral que se expressa em determinado idioma, e constataremos que registramos a música e as vozes, penetrando no seu conteúdo, embora sem compreender as palavras que os  cantores enunciam. O importante são o conjunto melódico, a emoção que nos  desperta,  a  alegria  que  nos  invade  e  o  imenso  bem-estar  defluente  do  seu  efeito musical."

O  momento  não  permitia  ampliação  do  diálogo,  porque,  naquele  instante,  havia parado  a  regular  distância  um  veículo  do  qual  saltaram  alguns  lidadores  do  Bem  que  se aproximaram, apresentando-se ao Dr. White. Tratava-se da ajuda solicitada aos responsáveis pelo acolhimento e cuidados em relação aos irmãos arrependidos que se haviam proposto renovação e entendimento.

Diversos desses operários da caridade adentraram-se em nosso campo de socorro e passaram a assistir os sofredores, conduzindo-os, um a um, ao transporte que pairava no ar, a um metro, mais ou menos, acima do solo. Alguns se movimentavam com dificuldade, embora a assistência recebida, logo sendo acomodados, num total de oitenta.

O responsável pela condução agradeceu ao nosso mentor e, de imediato, a nave decolou com velocidade, seguindo o roteiro estabelecido.

Sentia-me  edificado  ante  a  misericórdia  divina  que  luz  para  todos,  sempre  ao alcance de quem a deseja receber.

Ao meu lado, o amigo Ivon Costa considerou a sabedoria divina e a constituição do amor vibrante em toda parte, como sua mais bela manifestação.

Menos  de  duas  horas  antes,  aqueles  irmãos  recolhidos  acreditavam-se pertencentes ao submundo infeliz da erraticidade inferior, lutando contra as leis soberanas, embora  a  elas  submetidos,  enquanto  que,  agora,  rumavam  na  direção  da  felicidade  que haviam desdenhado por décadas de loucura e de ignorância.

Simultaneamente, os irmãos recém-despertos pela nossa atividade, encontravam-se em área próxima, sobre um gramado verdejante e podiam desfrutar da claridade do dia que lhes chegava tênue, embora a sombra predominante próxima dali.

Por sua vez, eram recambiados para a Colônia de refazimento, graças à abnegação de  inúmeros  servidores  polinésios,  alguns  procedentes  de  ilhas  remotas,  que  eram  tidos como  primitivos.  Generosos e  ingênuos,  dedicavam-se  com  alegria  infantil  ao  socorro  dos nossos  irmãos  vitimados,  entoando  algumas  das  canções  sentimentais  das  terras  que habitaram antes da desencarnação.  Vestidos com simplicidade e usando barretes coloridos, as suas roupas davam-lhes uma beleza singela e harmoniosa. Pequenos  tremores  ainda  aconteciam  sob  as  águas  profundas  do  Oceano  Indico, sem que novos danos ocorressem na superfície.

Dr.  White  convidou-nos  ao  retorno  à  nossa  sede,  por  algum  tempo,  e  usando  a volitação com todo o grupo, chegamos á comunidade que se encontrava em movimentação.

Era mais  um imenso hospital a céu aberto e com alguns pavilhões onde eram recolhidos os pacientes  mais  agitados,  do  que  um  lugar  de  repouso.  As  vibrações  ambientais  eram benéficas, proporcionando o refazimento emocional que o desgaste natural na faixa em que estávamos laborando se fazia forte.

Dirigimo-nos, imediatamente, ao núcleo de acolhimento que nos fora reservado, e após  ouvirmos  as  recomendações  do  benfeitor,  que  nos  recomendava  quatro  horas  de revigoramento, de prece e de reflexão, liberou-nos para o repouso necessário.

Encontrava-me  comovido  ante  as  messes  de  misericórdia  com  que  me  sentia agraciado.  Enquanto  mourejava  na  Terra,  abraçando  a  Doutrina  dos  Espíritos,  tentava compreender como seria a vida  fora da vestimenta carnal, sem  o conseguir  em plenitude.

Por  mais  que  a  imaginação  procurasse  encontrar  parâmetros  para  facultar-me  o entendimento, tudo quanto lograva conceber era muito  pálido em relação à realidade, na qual ora me encontrava.

É  muito  difícil  estar-se  mergulhado  no  mundo  dos  efeitos,  tentando  entender  as causas,  qual  acontece  com  o  conteúdo  de  qualquer  natureza,  que  procure  imaginar  como será o continente que o guarda.

A única constatação somente é de que há vida em toda parte, movimento e ação, sendo a Terra uma pobre cópia daquele admirável mundo pulsante, permanente, de onde nos originávamos.

Orei,  então,  em  favor  dos  irmãos  em  processo  de  renovação,  aqueles  que  se haviam  rebelado  contra  os  divinos  códigos  e  se  encontravam  de  volta  como  náufragos vencidos,  mas  sobrevivendo.  Ao mesmo  tempo,  recordei-me  dos  outros,  aqueles  que  se fixavam  pela  mente  e  pela  conduta  às  vestes  materiais  que  a  morte  ia  consumindo  e desejavam restaurar-lhes as funções, tombando em estados de loucura e de desânimo.

Suave paz dominou-me, arrebatando-me pelo sono, facultando-me um sonho feliz em região de beleza quase inimaginável.

Ali, tudo eram sons e harmonias. O vento, que perpassava pelo arvoredo, as flores que desabrochavam  emitindo  musicalidade  especial,  as  mais  diversas  expressões  da Natureza  em  festa  sonora,  aves  de  plumagem  inigualável  e  os  céus  infinitamente  azuis, como se o zimbório fosse um grandioso recinto no qual se movimentavam milhares de seres luminosos em atividade ordenada e quase mágica, emocionavam-me.

Automaticamente  acompanhei  pequeno  grupo  que  se  dirigia  a  uma  construção ultramoderna de substância transparente como a dos atuais edifícios das grandes cidades, porém, mais delicada, e adentramo-nos num recinto que parecia um templo gótico onde se celebrava uma solenidade religiosa.

Destituída de qualquer simbolismo, a nave nua era revestida de vibrações sonoras e  coloridas,  filtradas  por  imensos  vitrais,  que  lhe  davam  uma  beleza  especial,  singular.  As pessoas encontravam-se  reunidas  com  júbilo  na  face,  quando  passamos  a  escutar  um  ser angélico portador de grande beleza, que abordou um tema sobre a solidariedade universal.

Ouvindo-o, embevecido, a musicalidade da sua voz penetrava-me o Espírito mais pela emoção do que pelas palavras articuladas, que me pareciam um canto sinfônico.

Seria muito difícil  traduzir  tudo  quanto  era  exposto,  porque  o  objetivo  era introjetar  nos  ouvintes  os  sentimentos  de  amor  profundo,  em  vez  das  expressões  que  se confundiam com a melodia ambiental.

Encontrava-me deslumbrado, quando suavemente  retornei,  despertando  e mantendo  as  impressões  incomparáveis  aqueles  momentos  de  desdobramento  e  visita  a alguma região feliz a que ainda não tivera acesso por falta de méritos compreensíveis.

Amanhecia em nossa comunidade e, com o coração pulsante de  felicidade, busquei os demais amigos para as novas tarefas.

Livro: Transição Planetária
Divaldo Franco/Manoel Philomeno de Miranda 

Francisco Rebouças