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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Para erguer um Centro Espírita


Sabemos que para construir-se uma casa no solo do mundo é indispensável o cuidado com a qualidade do material e da mão de obra que se pretende utilizar, que de preferência deve ser superior à que normalmente nos são oferecidos no mercado da construção, pois, o que mais desejamos é erguê-la com o máximo de segurança possível, não nos bastando tão somente a satisfação com a beleza arquitetônica do nosso projeto.

Assim também, uma Instituição Espírita, dedicada ao trabalho espiritual com Jesus, necessita, acima de tudo, contar com corações sinceros e bem treinados, fundamentados nas orientações seguras da codificação do espiritismo, para realmente se apresentarem aptos a compreender, respeitar e amar o próximo, auxiliando-o na solução dos inquietantes problemas que ele possa estar vivenciando.

“Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade; mas, para isso, mister fora vos esforçásseis por largar essa couraça que vos cobre os corações, a fim de se tornarem eles mais sensíveis aos sofrimentos alheios. A rigidez mata os bons mentos; o Cristo jamais se escusava; não repelia aquele que o buscava, fosse quem fosse: socorria assim a mulher adúltera, como o criminoso; nunca temeu que a sua reputação sofresse por isso. Quando o tomareis por modelo de todas as vossas ações? Se na Terra a caridade reinasse, o mau não imperaria nela; fugiria envergonhado; ocultar-se-ia, visto que em toda parte se acharia deslocado. O mal então desapareceria, ficai bem certos.

Começai vós por dar o exemplo; sede caridosos para com todos indistintamente; esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo.

O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade não haverá descanso para a sociedade humana. Digo mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, a vida será sempre uma carreira em que vencerá o mais esperto, uma luta de interesses, em que se calcarão aos pés as mais santas afeições, em que nem sequer os sagrados laços da família merecerão respeito. Pascal. (Sens, 1862.)” ¹

Não será suficiente, portanto, a simples atitude de doutrinar, ou indicar a receita através da qual o necessitado, se resolver seguir, poderá quem sabe, se livrar dos problemas que o aturde. É absolutamente imprescindível que o discípulo do Cristo também vivencie em atitudes e atos, o que verbaliza.

Quando nos propomos a organizar um santuário para exercitar a nossa fé, precisamos estar conscientes de que só será possível alcançar nossos ideais, se tivermos dispostos a servir através de nossos esforços no trabalho do bem com boa vontade e otimismo, na execução das boas obras.

Parai isso, é necessário que aprimoremos os nossos recursos e possibilidades elevando nossos sentimentos no ideal de ser fraternos como nos solicita a verdadeira caridade, no serviço em cujas luzes encontraremos o tesouro da própria sublimação.

Não podemos monumentalizar a caridade no cimento armado ou no mármore majestoso, é preciso oferecer nossos braços na concretização do serviço edificante, tanto quanto não basta a beleza das palavras sem ação que as materializem.

886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Nota: O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça. pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa”. ²

As Instituições dedicadas ao labor espiritual são importantes e necessárias, mas não esqueçamos que acima de tudo há necessidade de desenvolver nossas virtudes internas, pois que também somos necessitados de aperfeiçoamento, sem esquecer que, não vale apenas o discurso comovente, é precioso demonstrar por atos e fatos que lhes traduzam a grandeza da intenção.

909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

Bibliografia:

1) Kardec, Allan – O Evangelho Segundo O Espiritismo – FEB. 112ª edição, cap. XI, item 12.

2) Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – FEB. 76ª edição. Pergunta 886, e nota.

3) Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – FEB. 76ª edição. Pergunta 909.

Francisco Rebouças