Sabemos que para
construir-se uma casa no solo do mundo é indispensável o cuidado com a
qualidade do material e da mão de obra que se pretende utilizar, que de
preferência deve ser superior à que normalmente nos são oferecidos no mercado
da construção, pois, o que mais desejamos é erguê-la com o máximo de segurança
possível, não nos bastando tão somente a satisfação com a beleza arquitetônica
do nosso projeto.
Assim também, uma Instituição
Espírita, dedicada ao trabalho espiritual com Jesus, necessita, acima de tudo, contar
com corações sinceros e bem treinados, fundamentados nas orientações seguras da
codificação do espiritismo, para realmente se apresentarem aptos a compreender,
respeitar e amar o próximo, auxiliando-o na solução dos inquietantes problemas
que ele possa estar vivenciando.
“Se os homens se
amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade; mas, para isso,
mister fora vos esforçásseis por largar essa couraça que vos cobre os corações,
a fim de se tornarem eles mais sensíveis aos sofrimentos alheios. A rigidez
mata os bons mentos; o Cristo jamais se escusava; não repelia aquele que o
buscava, fosse quem fosse: socorria assim a mulher adúltera, como o criminoso;
nunca temeu que a sua reputação sofresse por isso. Quando o tomareis por modelo
de todas as vossas ações? Se na Terra a caridade reinasse, o mau não imperaria
nela; fugiria envergonhado; ocultar-se-ia, visto que em toda parte se acharia
deslocado. O mal então desapareceria, ficai bem certos.
Começai vós por dar o
exemplo; sede caridosos para com todos indistintamente; esforçai-vos por não
atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a
justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo.
O egoísmo é a negação
da caridade. Ora, sem a caridade não haverá descanso para a sociedade humana.
Digo mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos
dadas, a vida será sempre uma carreira em que vencerá o mais esperto, uma luta
de interesses, em que se calcarão aos pés as mais santas afeições, em que nem
sequer os sagrados laços da família merecerão respeito. Pascal. (Sens, 1862.)”
¹
Não será suficiente,
portanto, a simples atitude de doutrinar, ou indicar a receita através da qual
o necessitado, se resolver seguir, poderá quem sabe, se livrar dos problemas
que o aturde. É absolutamente imprescindível que o discípulo do Cristo também vivencie
em atitudes e atos, o que verbaliza.
Quando nos propomos a
organizar um santuário para exercitar a nossa fé, precisamos estar conscientes
de que só será possível alcançar nossos ideais, se tivermos dispostos a servir através
de nossos esforços no trabalho do bem com boa vontade e otimismo, na execução
das boas obras.
Parai isso, é
necessário que aprimoremos os nossos recursos e possibilidades elevando nossos sentimentos
no ideal de ser fraternos como nos solicita a verdadeira caridade, no serviço
em cujas luzes encontraremos o tesouro da própria sublimação.
Não podemos monumentalizar
a caridade no cimento armado ou no mármore majestoso, é preciso oferecer nossos
braços na concretização do serviço edificante, tanto quanto não basta a beleza
das palavras sem ação que as materializem.
886.
Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
“Benevolência para
com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
Nota:
O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça. pois amar o próximo é
fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito.
Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.
A caridade, segundo
Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos
com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou
nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência
precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados,
contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as
atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que
entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa
seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o
infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos
seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os
separa”. ²
As Instituições
dedicadas ao labor espiritual são importantes e necessárias, mas não esqueçamos
que acima de tudo há necessidade de desenvolver nossas virtudes internas, pois
que também somos necessitados de aperfeiçoamento, sem esquecer que, não vale
apenas o discurso comovente, é precioso demonstrar por atos e fatos que lhes traduzam
a grandeza da intenção.
909.
Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente,
fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão
poucos dentre vós fazem esforços!”
Bibliografia:
1) Kardec, Allan – O Evangelho
Segundo O Espiritismo – FEB. 112ª edição, cap. XI, item 12.
2) Kardec, Allan – O
Livro dos Espíritos – FEB. 76ª edição. Pergunta 886, e nota.
3) Kardec, Allan – O
Livro dos Espíritos – FEB. 76ª edição. Pergunta 909.
Francisco Rebouças