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sábado, 11 de abril de 2015

INCOMPREENSÃO


        “Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 9, versículo 22.)
 
A incompreensão, indiscutivelmente, é assim como a treva perante a luz, entretanto, se a vocação da claridade te assinala o íntimo, prossegue comba­tendo as sombras, nos menores recantos de teu ca­minho.

Não te esqueças, porém, da lei do auxílio e observa-lhe os princípios, antes da ação.
Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram conscienciosamente a vida mais alta.

A luz ofuscante produz a cegueira.

Se as estrelas da sabedoria e do amor te povoam o coração, não humilhes quem passa sob o nevoeiro da ignorância e da maldade.

Gradua as manifestações de ti mesmo para que o teu socorro não se faça destrutivo.

Se a chuva alagasse indefinidamente o deserto, a pretexto de saciar-lhe a sede, e se o Sol queimasse o lago, sem medida, com a desculpa de subtrair-lhe o barro úmido, nunca teriamos clima adequado à produção de utilidades para a vida.

Não te faças demasiado superior diante dos in­feriores ou excessivamente forte perante os fracos.

Das escolas não se ausentam todos os apren­dizes, habilitados em massa, e sim alguns poucos cada ano.

Toda mordomia reclama noção de responsabili­dade, mas exige também o senso das proporções.

Conserva a energia construtiva do exemplo res­peitável, mas não olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no orientador que sabe am­parar, esperar e repetir.

Não clames, pois, contra a incompreensão, usan­do inquietude e desencanto, vinagre e fel.

Há méritos celestiais naquele que desce ao pân­tano sem contaminar-se, na tarefa de salvação e reajustamento.

O bolo de matéria densa reveste-se de lodo, quando arremessado ao poço lamacento, todavia, o raio de luz visita as entranhas do abismo e dele se retira sem alterar-se.

Que seria de nós se Jesus não houvesse apa­gado a própria claridade, fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora? Aprendamos com ele a descer, auxiliando sem prejuízo de nós mesmos.

E, nesse sentido, não podemos esquecer a ex­pressiva declaração de Paulo de Tarso quando afirma que, para a vitória do bem, se fez fraco para os fracos, fazendo-se tudo para todos, a fim de, por todos os meios, chegar a erguer alguns.

Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças