A
doutrina espírita nos esclarece através das inúmeras lições constantes da
Codificação do Espiritismo, que a educação é a solução para quase que a
totalidade dos nossos problemas atuais. Por isso mesmo, o “Espírito de Verdade”, em mensagem constante do E.S.E. Cap. VI,
item 5, nos ensina: (...) Espíritas!
amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.¹
“O Espiritismo vem, na época predita, cumprir
a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama
os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o
que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: "Ouçam os que têm
ouvidos para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos,
porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente
lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema
aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim
útil a todas as dores.
Disse o Cristo: "Bem-aventurados os
aflitos, pois que serão consolados." Mas, como há de alguém sentir-se
ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos
sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia
o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises
salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade
nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento.
Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro
aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé
inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma.
Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas
some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a
perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem
de ir até ao termo do caminho.
Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus
disse do Consolador prometido:
conhecimento das coisas, fazendo que o
homem saiba donde vem, para onde vai e por que
está na Terra; atrai para os verdadeiros
princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela
esperança”.²
É,
através do conhecimento, que o homem adquire pelo estudo a que se dedica,
capacitando-se a compreender melhor o correto significado do proceder no bem para
consigo mesmo e para com seu próximo, agindo sempre com equilíbrio e confiança,
pois, o desenvolvimento do seu livre-arbítrio, acompanha o da sua inteligência.
Allan
Kardec, no Livro dos Espíritos, formulou alguns questionamentos sobre esse
tema, aos Imortais da Vida Maior, para nossa melhor compreensão.
“O
homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem
simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o
progresso dos outros, por meio do contacto social.”
780. O progresso moral acompanha sempre
o progresso intelectual?
“Decorre
deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”
a) - Como pode o progresso intelectual
engendrar o progresso moral?
“Fazendo
compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher.
O
desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a
responsabilidade dos atos.” 3
Pelas
respostas obtidas por Allan Kardec, podemos facilmente deduzir que a educação,
é de vital importância para nós seres humanos no atual estágio de progresso em
que nos situamos para a necessária expansão dos nossos conhecimentos
intelectuais, que nos ajudarão a entender tantas coisas que, por ora, nos fogem
à correta compreensão.
Nosso
investimento na educação evitará que continuemos nos enganando em pensar que
somos invencíveis, superiores, diferentes, ou melhores que nossos irmãos em
humanidade, permitindo que nos reconheçamos criaturas frágeis e imperfeitas,
especialmente em relação ao corpo físico.
Quando
abusamos das limitações a que estamos submetidos pelas Leis de nossa
organização física, despertamos após os prazeres mentirosos da ilusão, em
grandes sofrimentos causados pela inobservação desses limites.
O
sofrimento que nos aflige hoje é fruto de uma educação incorreta de outrora, de
uma convivência social pouco saudável e das escolhas equivocadas que
infelizmente fizemos. Chega de buscar as satisfações imediatas dos prazeres
arriscados, do vulgar, do promíscuo, do poder transitório, da riqueza, da
força, com os quais pautamos nossas vidas até aqui, pois, mais cedo ou mais
tarde, devido à sua alta carga de contaminação tóxica, produzirão sofrimentos
físicos e mentais de longa duração.
Só
a educação, alicerçada nos dignos valores ético-morais, a estimular a
consciência do dever retamente cumprido, da responsabilidade do indivíduo para
consigo, com seu próximo e para com a vida, proporcionar-lhe-á a saúde
emocional e o indispensável despertamento para as virtudes do Espírito, facilitando-lhe
um trânsito decente e exitoso pela bênção da existência física.
Fontes:
1- O Evangelho Segundo o Espiritismo –
FEB, Cap. VI – item 5 - 106ª Edição.
2- O Evangelho Segundo o Espiritismo –
FEB, Cap. VI – item 4 - 106ª Edição.
3- O Livro dos Espíritos - FEB, Parte
3ª, Cap. VIII -76ª Edição.
Francisco Rebouças