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terça-feira, 10 de março de 2015

NÃO TE ENGANES

       “Olhais para as coisas, segundo as aparências? Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 10, versículo 7.) 
Não te enganes, acerca da nossa necessidade comum no aperfeiçoamento.
Muita vez, superestimando nossos valores, acre­ditamo-nos privilegiados na arte da elevação.
E, em tais circunstâncias, costumamos esquecer, impensa­damente, que outros estão fazendo pelo bem muito mais que nós mesmos.
O vaga-lume acende leves relâmpagos nas trevas e se supõe o príncipe da luz, mas encontra a vela acesa que o ofusca. A vela empavona-se sobre um móvel doméstico e se presume no trono absoluto da claridade, entretanto, lá vem um dia em que a lâmpa­da elétrica brilha no alto, embaciando-lhe a chama. A lâmpada, a seu turno, ensoberbece-se na praça pública, mas o Sol, cada manhã, resplandece no fir­mamento, clareando toda a Terra e empalidecendo todas as luzes planetárias, grandes e pequenas.
Enquanto perdura a sombra protetora e educa­tiva da carne, quase sempre somos vítimas de nossas ilusões, mas, em voltando o clarão infinito da ver­dade com a renovação da morte física, verificamos, ao sol da vida espiritual, que a Providência Divina é glorioso amor para a Humanidade inteira.
Não troques a realidade pelas aparências.
Respeitemos cada realização em seu tempo e cada pessoa no lugar que lhe é devido.
Todos somos companheiros de evolução e aper­feiçoamento, guardados ainda entre o bem e o mal. Onde acionarmos a nossa “parte inferior”, a sombra dos outros permanecerá em nossa companhia. Da zona a que projetarmos a nossa “boa parte”, a luz do próximo virá ao nosso encontro.
Cada alma é sempre uma incógnita para outra alma. Em razão disso, não será lícito erguer as pa­redes de nossa tranqüilidade sobre os alicerces do sentimento alheio.
Não nos iludamos.
Retifiquemos em nós quanto prejudique a nossa paz íntima e estendamos braços e pensamentos fra­ternos, em todas as direções, na certeza de que, se somos portadores de virtudes e defeitos, nas oca­siões de juízo receberemos sempre de acordo com as nossas obras.
 
      E, compreendendo que a Bondade do Senhor brilha para todas as criaturas, sem distinção de pessoas, recordemos em nosso favor e em favor dos outros as significativas palavras de Paulo: — “Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, porque tanto quanto esse alguém é do Cristo, também nós do Cristo somos.”
 
Livro: Fonte Viva
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças