Ouço, de muitos
dos nossos confrades espíritas, indignados com o tratamento de descaso e até
mesmo de desrespeito como é tratada a Doutrina dos Espíritos por grande parte
dos chamados CRISTÃOS, que não perdem nenhuma chance de difamá-la em
qualquer oportunidade que lhes surjam, que me perguntam: até quando seremos
obrigados a engolir esse tipo de provocação? Quando será que a doutrina
espírita vai merecer tratamento digno e diferente da inconcebível maneira como
ainda hoje é tratada por esses fanáticos e ignorantes “religiosos”? Será que não enxergam que já estamos vivendo no século
21?
Procuro ter
para com todos que me interrogam a cerca desse assunto, uma atitude de
moderação, e tento primeiramente amenizar o estado de inconformação e até mesmo
a revolta de alguns, utilizando-me para tanto, dos variados argumentos que me
serviram de consolo, quando também eu não me conformava com esse tipo comportamento
utilizado pelos irmãos de correntes religiosas diferentes da nossa, mas, que depois
de muito tempo de estudo e meditação sobre esse assunto que muito me
incomodava, encontrei na codificação as nobres instruções dos amigos do Mais
Alto, e pude chegar por fim, à conclusão de que são eles (os Espíritos
Superiores), os donos da razão, e que o melhor seria seguir-lhes os sábios
conselhos.
Para tanto,
apresento apenas duas das inúmeras mensagens que me fizeram refletir sobre o
tema, e me chamaram à atenção para o fato de que somos espíritas, e por essa
razão, somos os mais privilegiados seguidores do Mestre de Nazaré, em termos de
conhecimento da vida espiritual, e não podemos de maneira alguma esquecer que
cada um de nós está em um patamar no infinito degrau da escada evolutiva, e que
precisamos respeitar o grau de elevação espiritual de muitas dessas criaturas
em luta constante contra si próprias, e que ainda não despertaram para a
grandeza da vida em sentido mais amplo, conforme segue:
Capítulo
XXXI – Dissertações Espíritas
Acerca
do Espiritismo
VI
“Não vos
arreceeis de certos obstáculos, de certas controvérsias.
A ninguém
atormenteis com qualquer insistência. Aos incrédulos, a persuasão não virá,
senão pelo vosso desinteresse, senão pela vossa tolerância e pela vossa
caridade para com todos, sem exceção.
Guardai-vos,
sobretudo, de violar a opinião, mesmo por palavras, ou por demonstrações
públicas. Quanto mais modestos fordes, tanto mais conseguireis tornar-vos
apreciados. Nenhum móvel pessoal vos faça agir e encontrareis nas vossas
consciências uma força de atração que só o bem proporciona.
Por ordem de
Deus, os Espíritos trabalham pelo progresso de todos, sem exceção.
Fazei o mesmo,
vós outros, espíritas”.
São Luís.
VII
“Qual a
instituição humana, ou mesmo divina, que não encontrou obstáculos a vencer,
cismas contra que lutar? Se apenas tivésseis uma existência triste e lânguida,
ninguém vos atacaria, sabendo perfeitamente que havíeis de sucumbir de um
momento para outro. Mas, como a vossa vitalidade é forte e ativa, como a árvore
espírita tem fortes raízes, admitem que ela poderá viver longo tempo e tentam
golpeá-la a machado. Que conseguirão esses invejosos? Quando muito, deceparão
alguns galhos, que renascerão com seiva nova e serão mais robustos do que nunca”.
¹
Channing.
Em sendo
assim, busquemos na mensagem Cristã do Consolador prometido, que nos alerta
para a máxima de que “fora da caridade não há salvação”, ²
motivos para desculpar tanta ignorância, pois, temos conhecimentos suficientes
para não revidar ataques sem qualquer fundamento, que longe de atingir a doutrina
que professamos, mais nos dá oportunidade de exercer a caridade mais difícil
que é justamente a caridade moral, e hajamos de forma a confirmar a assertiva
do Mestre de todos nós que afirmou que “seus discípulos seriam conhecidos por muito
se amarem”, e sigamos em direção ao encontro com Jesus, perdoando,
amando e servindo cada dia mais.
Que Jesus nos
guarde em sua paz, hoje e sempre!
Bibliografia:
1)Kardec,
Allan – O Livro dos Médiuns, Cap. XXXI, itens VI e VII.
2)Kardec,
Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV – item 8.
Francisco Rebouças
