Reunião pública de 12/1/59
Questão nº 712
Qual acontece com a árvore, a equilibrar-se sobre as
próprias raízes, guardamos o coração na tela do presente, respirando o influxo
do passado.
É assim que o problema da tentação, antes que nascido
de objetos ou paisagens exteriores, surge fundamentalmente de nós – na trama de
sombra em que se nos enovelam os pensamentos...
Acresce, ainda, que essas mesmas ondas de força
experimentam a atuação dos amigos desenfaixados da carne que deixamos a
distância da esfera física, motivo por que, muitas vezes, os debuxos mentais
que nos incomodam levemente, de início, no campo dessa ou daquela ideia
infeliz, gradualmente se fazem quadros enormes e inquietantes em que se nos
aprisionam os sentimentos, que passam, muita vez, ao domínio da obsessão manifesta.
Todavia, é preciso lembrar que a vida é permanente renovação
propelindo-nos a entender que o cultivo da bondade incessante é o recurso
eficaz contra o assédio de toda influência perniciosa.
É o trabalho, por essa forma, o antídoto adequado,
capaz de anular toda enquistação tóxica do mundo íntimo, impulsionando-nos o
espírito a novos tipos de sugestão, nos quais venhamos a assimilar o socorro
dos Emissários da Luz, cujos braços de amor nos arrebatam ao nevoeiro dos
próprios enganos.
Assim, pois, se aspiras à vitória sobre o visco
da treva que nos arrasta para os despenhadeiros da loucura ou do crime, ergue
no serviço à felicidade dos semelhantes o altar dos teus interesses de cada
dia, porquanto, ainda mesmo o delinquente confesso, em se decidindo a ser o
apoio do bem na Terra, transforma-se, pouco a pouco, em mensageiro do Céu.
Livro: Religião dos Espíritos
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças