Reunião pública de 9/1/59
Questão nº 358
Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes
tragédias que agitam a opinião.
Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam
largas equipes policiais...
Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de
vigilância...
Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo
jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir semelhantes
fecundações de ignorância e delinqüência, erguem-se cárceres e fundem-se
algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação
de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão.
Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de
crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço
da Natureza...
Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para
suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da
reação.
Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais
inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência,
antes que possam sorrir para a bênção da luz.
Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos
chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos
desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
Fugi do satânico propósito de sufocar os
rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros
da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há
legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos
familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam
do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se vos
expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes.